sábado, 11 de dezembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar – Última parte


Nas abordagens anteriores falamos sobre dois inimigos do cristão – o mundo e o diabo, que agem fortemente contra os seguidores de Cristo, mas são inimigos externos. Desta feita, falaremos sobre o terceiro grande inimigo do cristão, a carne. Este oponente tem uma peculiaridade em relação aos dois primeiros que é o fato de ser um inimigo que está em nós. Poderíamos até falar que este inimigo somos nós mesmos, isto é, nossa natureza decaída e corrompida pelo pecado.

Toda a Palavra de Deus testemunha do fato de que temos uma natureza decaída. Davi, nos Salmos de forma categórica afirma isto. Ele diz no Salmo 14: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um (vs 1-3, ver também Sl 53.1-3). O apóstolo Paulo corroborou estas palavras de Davi em Romanos 3.10-18 citando também outros salmos como 5.9; 140.3; 10.7; 36.1 e também Isaías 59.7,8. Tudo isto dá um quadro da impiedade humana. Demonstra-se que o homem é mau em sua essência. O Senhor Jesus Cristo fechou a questão quando em Mt 15.18-20 e em Mc 7.20-23 disse claramente que de dentro do homem, de seu interior, de seu coração, procedia tudo de ruim. E era isto que o contaminava. Era isto que o fazia estar separado de Deus. O pecado é parte componente de nossa natureza.

Quando Caim ficou furioso por Deus ter aceitado a oferta de seu irmão Abel e não a sua própria, ficou com o semblante visivelmente transtornado. O Senhor, em Sua misericórdia o arguiu em relação à sua ira por ter sido preterido em sua oferta e disse que ele deveria proceder bem, porque se assim não fizesse o pecado tomaria ocasião para inteiramente dominá-lo. Mais uma vez citamos o apóstolo Paulo em Rm 7.18-25 mostrando que realmente não há bem nenhum na natureza humana decaída. A carne, isto é, a natureza do homem, está inteiramente corrompida. Ele disse: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.”

Na epístola aos Gálatas, Paulo uma vez mais ensina sobre a natureza humana. A concupiscência, isto é, a cobiça da carne não deve ser satisfeita. O discípulo de Jesus tem de fazer a opção da renúncia pessoal. Negar-se a si mesmo portanto é central na vida dos servos de Deus (Mc 8.34,35). No capítulo 5 de Gálatas, versos 19 a 21 estão listadas algumas das obras da carne: imoralidade, impureza, indecência, idolatria, feitiçaria, inimizades, rivalidades, ciúmes, ira, ambição egoísta, discórdias, partidarismo, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes (Almeida Século 21). Todas estas obras são oriundas do homem pecador. Tiago tem a palavra que a meu ver mostra de forma mais clara ainda que todo homem é seduzido por sua cobiça interior, leiamos: “Ninguém, sendo tentado diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência (na versão Almeida Séc. 21, este verso é assim vertido: “Mas cada um é tentado quando atraído e seduzido por seu próprio desejo”). E a passagem continua: “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15).

Jesus disse que a carne, a natureza humana, é fraca (Mt 26.41). O discípulo não conseguirá vencer a luta contra este inimigo que está infiltrado em sua própria constituição. O Salmo 51.5 diz: “Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe.” Nada podemos em nossa própria força para vencer este inimigo respeitável. Não devemos ser relapsos em nossa luta diária. Deus ordena que não coloquemos coisa má diante de nossos olhos (Sl 101.3), que devemos nos abster de toda aparência do mal (1 Ts 5.21). Deus ordena que nossos olhos olhem para frente, que devemos ponderar a vereda de nossos pés e que todos os nossos caminhos sejam bem ordenados, que não devemos declinar nem para a direita e nem para a esquerda, deveremos retirar nossos pés do mal, além de ordenar a desviar a falsidade da nossa boca e afastar a perversidade de nossos lábios (Pv 4.24-27). Em Filipenses 2.12, Paulo ensina que devemos operar nossa salvação com temor e tremor. Isto demonstra a renúncia pessoal às obras da carne de cada verdadeiro discípulo de Cristo enquanto caminha no deserto dessa vida.

A vitória contra a carne está determinada por Deus se obedecermos fielmente Suas ordenanças. O Espírito Santo nos ajuda nessa luta conforme Romanos 8. Gálatas 5.16 diz que se andarmos segundo o Espírito, de forma alguma satisfaremos os desejos pecaminosos da carne.

Glória a Deus portanto, porque diferentemente do que muitos dizem, há provisão e há vitória na luta contra nossa carne. Deveremos pela fé nos apropriar dos benefícios da morte de Jesus Cristo na cruz e aplicá-los em nosso viver diário. Todavia, isto não é fácil. Esta aplicação diária da cruz demanda disciplina, sacrifício, quebrantamento, intercessão e combate. Em postagens futuras, discorreremos particularmente sobre estes cinco aspectos da luta contra a carne.

Encerramos por ora esta série de estudos declarando que viver em Cristo, ser-Lhe fiel a cada dia e fazer Sua obra, é perfeitamente possível neste mundo decaído, que têm a Satanás por seu príncipe e onde vivemos debaixo de muitas tentações que tentam nos arrastar à sedução por causa de nossa cobiça latente. O discípulo de Jesus é chamado a viver de tal forma que possa glorificar o Nome do Senhor (1 Co 10.31) em todos os aspectos de seu cotidiano.

Que Deus, que o chamou para Sua própria glória, possa conduzí-lo triunfantemente, sabendo que Ele é poderoso para guardar-lhe de todo mal, não só do mundo ou de Satanás, mas do mal que está em você mesmo (2 Tm 4.18; 1Ts 5.22).

E o Deus de toda graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.”

1 Pedro 5.10

Em o Nome de Jesus, amém!


domingo, 5 de dezembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar – Parte 2


Estaremos no dia de hoje falando sobre outro inimigo do cristão – o grande dragão, Satanás, a antiga serpente, o diabo (Ap 12.9). Este inimigo que também podemos denominar de o Inimigo, certamente tem causado dois tipos de atitude para alguns discípulos de Jesus. Existem alguns que superestimam o diabo, dando a ele um status que absolutamente não possui. Em tudo enxergam a sua mão horrenda, em todos os negócios e aspectos de seu cotidiano. Entendem que Satanás está agindo e costumam esconjurá-lo com o famoso “sai em Nome de Jesus.” Costumam vê-lo atrás de cada palavra falada, atrás de cada música, ou de qualquer outra produção da mídia. Chegam a ficar paralisados de medo ao falar ou ouvirem sobre ele.

De outro lado, existem aqueles cristãos que chegam a negar a existência deste ser maligno. Que não aceitam que seja real, simplesmente por acharem que Deus não criaria tal ser. Dizem que na verdade é um personagem folclórico, ou pertencente às fábulas místicas judaicas. Ou aceitam até que exista, mas fazem pouco ao dizerem que o diabo não é tão mau assim. Que tudo que falam dele é mentira e que no fundo é um ser benévolo e deseja ajudar aos seres humanos.

Coloquemos as coisas em seu devido lugar. A Bíblia fala de forma categórica que Satanás existe, embora não tenha sido criado originariamente com um caráter malévolo, ele veio a se tornar mau por si próprio (vide Ez 28.12-19). No livro de Jó, considerado por muitos estudiosos o mais antigo livro da Bíblia, vemos Satanás ali como um ser livre e que tinha acesso a Deus e dialogava com ele (Jó 1.6-12; 2.1-7). Cremos na literalidade desta e de outras passagens bíblicas como por exemplo na tentação de Jesus onde é dito que Ele foi tentado em pessoa pelo próprio diabo (Mt 4 e Lc 4). Quanto ao seu caráter, lemos tanto em Jó como em toda a Bíblia de que é mau e ardiloso, levando os homens a pecarem contra seu Criador, fato este constatado de forma emblemática no episódio da queda no Jardim do Éden (Gn 3). Durante todo o AT procurou arrastar a nação de Israel para longe de Jeová, insuflando neles o desejo de adoração a outros “deuses”.

Aos que superestimam o Maligno, queremos colocar em alto e bom som de que a obra consumada de Jesus Cristo na cruz do Calvário, tirou todo o poder do diabo. Leiamos Cl 2.15: E despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (ARA). Também lemos em Hb 2.14: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”. Desta forma, não concordamos com os que vivem ou pregam que o diabo é muito poderoso e os crentes tem de se esconder dele. É certo, conforme a palavra de Paulo em 2Co 2.10,11 onde ele diz para não ignorarmos os ardis do diabo, a palavra em Ef 6, onde deveremos nos revestir da armadura de Deus contra as astutas ciladas do diabo, e a palavra de Pedro em 1Pe 5.8 para que vigiemos porque ele, o diabo anda em derredor, como leão que ruge e procurando alguém a quem possa tragar. Tudo isto nos lembra de que ele de fato ainda age neste mundo. Ainda ele é o príncipe deste mundo como disse Jesus (Jo 12.31; 14.30). Mas, sua decretação de derrota começou na cruz e brevemente “... o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm 16.20).

Todo discípulo de Jesus deve estar cônscio destas realidades. Temos uma luta real e constante contra o império das trevas. Satanás trabalha de acordo com os desejos de nossa natureza decaída. Ele atua de acordo com nossas fraquezas. E têm no mundo rebelde a Deus e sob seu domínio espiritual (1Jo 5.19) a ambiência ideal para levar os servos de Deus a fracassarem em sua vida de fé e obediência ao Senhor.

Entretanto, temos um Deus forte e cuidadoso, que não permitirá que sejamos tentados pelo diabo além dos limites que Ele mesmo lhe impôs. Quando pecou (Is 14; Ez 28), conforme nos diz Erwin Lutzer em A Serpente do Paraíso (Editora Vida), Lúcifer decretou sua própria derrota. Quando almejou assentar-se no trono de Deus, foi destruído estrategicamente. Criatura que é, jamais poderá ser igual Àquele que o criou. Sempre estaria sujeito à vontade do Todo-Poderoso. Também espiritualmente, na cruz do Calvário, foi derrotado por Cristo. Ali foi garantido de que parte da humanidade seria resgatada do império das trevas para o reino da luz. E, finalmente, o diabo será derrotado eternamente quando for lançado no lago de fogo (Ap 20.10). Ali contemplará eternamente sua insensatez em ter se levantado contra Deus.

Todo crente em Jesus têm o firme testemunho da Palavra de Deus sobre o lugar do diabo. Ainda atua no mundo sim e continuará a atuar juntamente com seus demônios bem como, por permissão divina, empossará seu representante na terra, o Anticristo. Infelizmente, o Inimigo têm logrado e logrará vitórias aqui e ali. Mas é uma batalha perdida para ele, visto que a eterna Palavra do Senhor decreta peremptoriamente sua derrota e de todos os que lhe seguem.

Tenhamos sabedoria, todos nós que servimos a Cristo nesta luta ferrenha contra principados e potestades do mal. Não vamos dar lugar ao diabo (Ef 4.27). Usemos as armas espirituais que o Senhor dispõe a nosso favor (Ef 6). Ofereçamo-lhes resistência e ele fugirá de nós (Tg 4.7; 1Pe 5.9). Sabemos pela revelação de Deus que o diabo reconhece a autoridade de Jesus a nós outorgada, desde que estejamos andando nos retos caminhos do Senhor, vide At 19.11-17.

Seja vitorioso nesta luta caro discípulo do Senhor. Observe somente o que diz a Bíblia neste assunto e não se incline a aceitar placidamente o que ouvir a respeito, venha de quem vier. Examine sempre as Escrituras.

Que Deus o abençoe grandemente. Na próxima semana discorreremos sobre o terceiro inimigo do discípulo de Cristo, a carne, ou seja, sua natureza decaída.

domingo, 28 de novembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar- Parte 1


Gostaríamos de iniciar uma série de estudos sobre os inimigos declarados do cristão: o mundo, a carne e o diabo. Sabemos que o crente tem uma natureza decaída, vive no mundo e que este por sua vez, jaz no Maligno. Satanás, conforme disse o Senhor Jesus, é o príncipe deste mundo. Portanto, é necessário entendermos um pouco de cada um destes elementos para que estejamos precavidos e possamos mas eficazmente combatê-los e vencê-los em o Nome de Jesus.

Inicialmente falaremos sobre o mundo. O mundo, como sistema de valores contrário a Deus, é um dos inimigos do cristão que o assedia com muitas sedições. O Cristianismo, ontem e hoje, já tem sido contaminado com os valores deturpados mundanos tais como o poder político, as riquezas e o domínio sobre a vida de multidões. O mundo procura demover os discípulos de Jesus Cristo com muitas ofertas e propostas que são diametralmente opostos ao espírito do Evangelho. A Igreja do Senhor precisa estar constantemente precavida contra esta realidade, porque sua razão de ser e sua força está exatamente em se posicionar contra aquilo que o mundo considera valioso. O discípulo necessita filtrar, avaliar, ponderar e discernir tudo o que vem do mundo a fim de agradar sempre ao Senhor em sua vida cotidiana. A ideologia mundana nunca deverá ser cortejada pelo crente sob pena dele perder a força de seu testemunho pessoal. Um dos maiores temores que o crente deve ter encontra-se na palavra do apóstolo Tiago em 4.4: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”

Note bem a gravidade destas palavras. Não posso eu como discípulo de Jesus, sendo amigo d’Ele e tendo Ele como meu amigo, ao mesmo tempo cortejar a amizade do mundo. São mutuamente incompatíveis e excludentes, não convivem no mesmo espaço. Ou sou amigo de Deus, ou amigo do mundo. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida não procedem do Pai, como bem frisou o apóstolo João em 1 Jo 2.15-17. Sendo estas coisas do mundo, devem ser repudiadas com veemência, se é que queremos agradar ao Senhor em tudo.

Enquanto o mundo, no sentido de pessoas, raça humana, conforme Jo 3.16, é objeto do amor de Deus ao ponto d’Ele enviar a Seu próprio Filho para morrer por ele, o mundo como sistema, conforme 1 Jo 2.15-17; 5.19 e Tg 4.4 é abominável aos olhos santos de Deus. Jesus disse que este mundo tem um príncipe, Satanás e que este nada tinha em comum com Ele (Jo 14.30). Assim, como discípulos de Cristo, devemos ter a mesma atitude de repúdio para com coisas e valores que não agradam a Deus e são do domínio de Satanás.

Todos nós devemos ter muito cuidado com as coisas do mundo. Em certo sentido, o mundo facilmente torna-se uma rede, uma teia, que pode prender a todos nós. São inúmeros os atrativos e apelos para que vivamos uma vida espiritual relaxada, sem oração e sem leitura e meditação nas Escrituras. As coisas desta vida podem fazer, e realmente tem feito, com que muitos cristãos vivam de forma não condizente com a vontade divina.

Este é um mundo decaído. Entretanto é preciso entender que há prazeres legítimos, concedidos por Deus, os quais podemos desfrutar, e os ilegítimos, contaminados pelo mundo. Russel Shedd, em seu excelente livro O Mundo, a Carne e o Diabo disse que, “se somos servos de Deus, se todo lugar é igualmente cheio de Sua presença e tudo que gozamos vem gratuitamente de suas mãos, toda satisfação deve suscitar gratidão a Ele. Paulo exorta os efésios a sempre darem ‘graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo’ (Ef 5.20).”

Shedd diz ainda: “Por outro lado, se procuramos uma satisfação fora da comunhão com o Senhor, se tentamos adquirir coisas e dominar pessoas, se nos esforçamos para extrair do mundo presentes que não vem das mãos graciosas de Deus, para gastar em interesses puramente pessoais, tornamo-nos servos infiéis, alienados e amigos do mundo.”

Sábias palavras que nos levam a uma reflexão bastante apropriada. Todos nós sabemos que nossa sociedade dá grande valor ao entretenimento. Divertir-se constitui-se na verdadeira filosofia de vida de muitos. A diversão de per si, sem o desfrute de uma comunhão com o Senhor de todas as coisas, que bondosamente tudo nos dá para delas desfrutarmos, é puro mundanismo. E este tipo de mundanismo tem sido uma verdadeira praga entre o povo de Deus. Para muitos, ir à igreja já é sinônimo de divertimento. Não é mais o lugar onde nos reunimos para junto de outros servos de Deus, adorarmos ao Senhor, ouvirmos Sua Palavra e comungarmos juntos. Os cultos tem se transformado em muitos lugares numa atração, num espetáculo, num circo. Seu único intuito é entreter os cristãos. A Palavra de Deus já não tem a devida preeminência. Não se quer mais ouvir a voz de Deus. Apenas divertir-se, ter sensações boas. Somente isto.

A Bíblia diz claramente: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” O mundo tem sido um lugar de distração, ansiedades e angústia para o cristão. Isto porque, a atmosfera espiritual reinante lhe é adversa. Daí a necessidade urgente de andar em conformidade com os imperativos divinos para que seja de fato vitorioso. Se alguém é de fato nascido de Deus, vence o mundo. O verbo está no tempo presente. Fala de algo contínuo. Não diz que venceu ou que vencerá. Diz simplesmente que, no tempo presente, enquanto vive por aqui ele vence. E este que vence é o que crê que Jesus é o Filho de Deus.

Façamos uma pausa para pensarmos nas implicações desta fé. Isto fará com que possamos lutar adequadamente contra este inimigo, o mundo. Sem fazermos do entretenimento nossa prioridade e ponderando sempre os decaídos valores humanos que a mídia, por exemplo, bombardeia-nos todos os dias.

Que o Senhor, soberano de todo Universo, faça com que você nesta luta seja pró-ativo, ou seja, sempre tomando a iniciativa de não se deixar enredar pelo abraço mortal do mundo. Afaste-se dele decisivamente e aproxime-se de Deus ainda mais. Agindo desta maneira, teremos a graça de viver no mundo mas sem estar associado a ele (1Co 5.9-13).

Sigamos o conselho do Senhor. Apartemo-nos de tudo o que Ele considera imundo (2 Co 6.14-17).

Na semana que vem discorreremos sobre outro inimigo do cristão, o príncipe deste mundo, o diabo.

Que Deus o abençoe muitíssimo.

domingo, 14 de novembro de 2010

O discípulo e seu esforço no viver com Cristo


Salmo 31.24: “Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos os que esperais no Senhor.”

Na nova vida que temos em Jesus, salvos pela graça e ministrados e guiados pelo Espírito Santo, devemos entender que há a parte que a nós compete na senda da santificação em que nos encontramos, ou seja, temos que fazer a nossa parte, temos que procurar agradar ao Senhor, esforçando-nos nisto diuturnamente.

Este esforço não é uma atitude de legalismo. De obedecer normas, leis e regulamentos. A santificação prescinde disso. Este esforço consiste em renúncia pessoal. Em carregar a própria cruz diariamente (Lc 14.27). É muito diferente de guardar meramente ordenanças humanas. Por amor a Cristo Jesus, obedecemos ao que está claro na Palavra de Deus, naquilo que consiste em pecado, em tudo o que ofende a santidade divina.

Este esforço pessoal para sermos agradáveis a Ele conforme o Sl 31.24, resultará em fortalecimento do nosso coração. No que consiste isso? Salomão escreveu sobre o coração: ”Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). O termo no original hebraico faz uma interação entre intelecto, emoções e vontade. A condição de nosso coração diante de Deus é algo crucial. Por isso, torna-se prioritário guardá-lo e fortalecê-lo. Na medida que vamos na senda do discipulado agradando a Nosso Senhor, quando vamos operando a nossa salvação com tremor e temor, Deus operará em nós o querer e o efetuar segundo a Sua vontade (Fp 2.12,13). E assim o “homem encoberto no coração”, conforme diz Pedro (1 Pe 3.4), ou ainda aquilo que escreve Paulo em 1 Ts 5.23: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”, ocorrerá em nossa vida de forma maravilhosa e quase imperceptível.

Todos nós que O servimos devemos aprender o princípio de saber esperar n’Ele. A Bíblia do começo ao fim declara que o homem que aprende a esperar no Senhor, é bem aventurado. Isto porque, o Senhor tem o Seu modo de agir, os Seus caminhos são mais altos que os nossos caminhos (Is 55.9). Jeremias escreve em Lamentações: “Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (Lm 3.25).

O discípulo de Jesus Cristo tem muitas e variadas razões para prosseguir avante em sua caminhada com seu Senhor. Quando procura se abster de toda a aparência do mal (1 Ts 5.22). Quando foge da imoralidade ou da prostituição (1 Co 6.18). Quando não dá lugar ao diabo (Ef 4.27) de forma alguma. Tudo isto deve exigir, deve demandar um esforço consciente para obedecer integralmente tudo o que o Senhor ordenou em Sua Palava.

Reiteramos que isto não é legalismo. Não é um guardar de regras e regulamento, o “pode” ou “não pode” isto ou aquiloutro (Cl 2.20-23). Mas é a intenção consciente de obedecer por amor àquele que por nós todos morreu e ressuscitou.

Vivamos hoje a vida com Cristo, como fiéis discípulos seus, em total dependência de Sua graça e para a glória de Seu Nome.

Pois que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes”

2 Co 5.9

Em o Nome de Jesus, Amém.

domingo, 7 de novembro de 2010

O lado oculto de todos nós, discípulos de Cristo


Muitas pessoas acham que por sermos seguidores de Cristo, você e eu estamos isentos de errar, de falhar, de pecar. Muitos acham que ao passarmos a seguir a Cristo e a seu ensinamentos, estaremos como que "vacinados" contra e qualquer iniquidade. Ledo engano! Pois ainda continuamos a ser seres humanos. Não fomos "abduzidos" isto é, levados para um reino místico de paz e amor onde estaremos incapacitados para o mal. Não. Somos agora discípulos de Jesus. Entregamo-nos ao seu aprendizado. Todos os dias. Todas as horas. A cada momento. Porém, entendamos que a capacidade para o mal e o pecado permanece latente. Ainda estamos em um mundo que se opõe a Deus e à Sua vontade (1 Jo 2.15-17) e que por isso mesmo jaz no maligno (1 Jo 5.19).

Vejamos os discípulos de Jesus. E especificamente a Pedro. No capítulo 16 do Evangelho de Mateus, vemos como ele magistralmente declara que Jesus Cristo era o Filho do Deus vivo (v.16). Um pouco depois, miseravelmente repreende ao Senhor Jesus por Ele ter declarado Sua paixão e morte (v.22). E o Senhor o repreende sem meias palavras: "Para trás de mim Satanás!" (v.23). Pedro deixara sua boca ser instrumento do diabo para opor-se à obra de redenção que Cristo breve realizaria na cruz. Estejamos precavidos, vigilantes, pois o Inimigo pode sim nos instrumentalizar para sermos empecilho aos propósitos de Deus, mesmo sendo agora Seus filhos.

O pecado na natureza humana é congênito. Nossa carne (ou seja, a nossa natureza) é pecadora. Deus intenta nos transformar para a cada dia sermos conforme à imagem de Seu próprio Filho. Ele intenta nos despir do velho homem que está escravizado a desejos maus e enganadores (Mt 15.18-20; Mc 7.20-23), deseja renovar nossa mente, deseja nos revestir do novo homem criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.22-24).

Ainda somos capazes de mentir, de abrigar ira no coração, de roubar, de falar palavrões, de sermos imorais, de nos prostituirmos, de sermos indecentes, de sermos devassos, avarentos e idólatras (Ef 4.25-32; 5.1-5). Tudo isso é passível de realizar-se, mesmo em nossa caminhada com o Senhor Jesus.

Por isso, reveste-se de capital importância um discipulado autêntico. Onde discipulador e discípulo estejam caminhando na dependência total do Espírito Santo. Onde possam caminhar numa santa interação para que haja um crescimento saudável naquele que está sendo alvo do discipulado (mas que também suscita muitas bençãos na vida do discipulador, pois ele também igualmente cresce na direção de Deus).

Que esteja bem nítido para todos: Continuamos pecadores. Temos capacidade para o mal. Somos suscetíveis ao erro. Pedro também cometeu um outro grande pecado quando negou ao Senhor. Mentiu. Foi hipócrita. Mas o Senhor procurou restaurar seu discípulo de forma plena após ter ressuscitado dentre os mortos. Mostrando assim que Ele, o Senhor, está muito disposto a operar em nós a restauração pelo Seu Espírito. Devemos nos arrepender e contritos buscar Sua Presença para recebermos perdão e purificação caso venhamos a incorrer nos caminhos do pecado: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1.9).

Traga agora este lado oculto de sua alma aos pés de Jesus. Confesse a Ele sua iniquidade. Peça misericórdia por suas faltas. Rogue o perdão de seus pecados. O sangue de Jesus é suficientemente poderoso para lhe purificar de todo mal (1 Jo 1.7).

Desejo do fundo de meu coração uma ótima semana para você na Presença doce de Jesus Cristo. Faça tudo para agradá-Lo. E saibas que há perdão n'Ele disponível para ti caso venhas a cortejar o mal. Em o Nome de Jesus, amém!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em busca do silêncio para ouvir a Deus


Em entrevista publicada na revista Galileu deste mês, George Prochuik, autor do livro In Pursuit of Silence diz que há um déficit de silêncio em nosso cotidiano. E estamos, segundo ele, com um grande distúrbio de atenção relacionado com todo esse ruído esquizofrênico. Prochuik defende que temos de buscar mais silêncio para nossas vidas visto que o barulho afeta nosso modo de pensar. E decisões sociais, emocionais e profissionais são prejudicadas por causa dos ruídos.

Diante destes fatos, fiquei a pensar sobre a importância de buscar ou cultivar o silêncio a fim de poder ouvir a voz de Deus. Elias no monte Horebe, ouviu o som de um forte vento, sentiu e ouviu o ruído de um terremoto e também ouviu o forte crepitar de labaredas de fogo. Em todas estas manifestações com provavelmente alguns altos decibéis de som, o Senhor não se encontrava. Somente depois, no silêncio, é que Elias ouviu ao Senhor falando com uma voz mansa e delicada (2 Re 19.11,12).

A vida em nossas cidades modernas conspira contra uma ambiência de silêncio que muitas vezes nos impede de cultivar a presença de Deus. A Bíblia, na versão Almeida Revista e Corrigida diz: "Eu amo aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão" (Pv 8.17). A sabedoria personificada, ou seja, o próprio Deus, fala que será achada se buscada na madrugada, ou seja, bem cedo onde os ruídos do dia ainda não iniciaram seu habitual cortejo.

Buscar ao Senhor nas manhãs silenciosas geralmente é um momento ímpar que não pode ser desprezado pelo servo de Cristo. Assim, ele deve, sempre que possível, dedicar estas primeiras horas do dia na Santa Presença do Senhor. Na senda do discipulado, deveremos dar a máxima importância, ou a prioridade elementar para a comunhão com o nosso Senhor. Se vamos aprender aos pés de Cristo, isto se dará se lhe dermos toda a nossa devida atenção. Sem ruídos ou outros fatores que possam estorvar este momento sem igual.

Na sociedade hodierna como bem frisou George Prochuik, temos um déficit de silêncio. O cristão deve também combater esta tendência perniciosa que o aflige como tantas outras coisas que nos dias atuais conspiram contra o genuíno relacionamento com o Senhor Deus. Se nos submetermos verdadeiramente a Ele, acredito que Sua graça atuará no sentido de termos a nossa chamada "hora silenciosa" com qualidade e regularidade.

Reconhecemos entretanto que em muitos contextos poderá o cristão ter alguma dificuldade para ter silêncio ao seu redor e buscar devidamente ao Senhor. Nesse caso, convém que ele entenda que deverá reorganizar sua agenda e seus horários para poder buscar a Deus, nem que tenha de afastar-se de sua moradia, sair para um lugar retirado (pode ser o próprio templo onde congrega ou lugares mais afastados e que sejam minimamente seguros).

Jesus tinha predileção por lugares isolados e afastados da multidão para buscar o Pai a sós. Sua vida de oração é o grande exemplo para todos nós, seus discípulos. Eu creio na importância dessa prática, a oração em lugares retirados. Afinal, é em silêncio, é em solidão, é no encontro a sós com o Pai que poderemos ouvir verdadeiramente Sua voz, assim como Elias ouviu.

Não caia mais nas armadilhas da vida moderna. Na Idade Média, nos mosteiros, os monges ou qualquer outro que quisesse, encontraria um lugar ideal para meditar e orar em silêncio. Não se deixe iludir pelos "agitos" de muitos de nossos cultos. Certamente, celebrar a Deus em um culto animado é desejável. Mas já não vejo da mesma forma quando uma igreja ou denominação não pratica, não ensina e nem proporciona aos seus membros a ambiência ideal para o cultivo de uma espiritualidade mais profunda que necessariamente demandará vida de oração dedicada, meditação nas Escrituras, e tudo isto em um adequado momento ou ambiente. Tornou-se tão pragmática a vida do crente nos dias atuais que ele desaprendeu (se é que um dia sabia disso) a orar e meditar na Presença de Deus se não for num ambiente de total agito e que muitas vezes é irreverente e muito pouco acrescenta ao seu crescimento na comunhão com Deus.

Discípulo de Cristo tenha a postura adequada para ouvir a voz de seu Mestre. Busque-o e não tenha medo de estar em silêncio em Sua amorável presença. Dê todo o seu desprezo aos agitos que querem nos afastar dos momentos gloriosos de silêncio e contemplação na presença do Pai. Que em Deus você encontre a cura para o distúrbio de atenção que já pode ter lhe afligido por causa dos ruídos da vida moderna.

Que o Senhor se agrade de ti e que você se deleite n'Ele. Guarde em seu coração as palavras de Jeremias: "Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor" (Lm 3.26).

Em o Nome de Jesus, amém e amém!

domingo, 17 de outubro de 2010

A fome física e espiritual do discípulo de Cristo


Por causa de sua constituição sui generis, o homem possui um corpo físico, orgânico, com todas as necessidades inerentes, como alimentação adequada e nutritiva, exercícios, higiene, sono e repouso, mas também um corpo espiritual, com necessidades também de ser alimentado, porém de maneira espiritual. O corpo físico alimenta-se da matéria orgânica: carnes, frutas, legumes, hortaliças. O corpo espiritual, alimenta-se da Palavra de Deus.

Corpo físico, ou, natural, no grego soma psuchikos. Corpo espiritual, no grego soma pneumatikos. No próprio vocabulário original do NT, deparamos com esta diferenciação nas palavras que denotam duas esferas diferentes. Paulo disse em 1 Co 15.44: "Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual." O corpo natural é o corpo humano adaptado somente para a vida neste mundo. E, nesta passagem de 1Co 15, em que Paulo discorre sobre a ressurreição, ele fala igualmente do corpo espiritual que não quer dizer um corpo etéreo, invisível, ou puro espírito, porém, um corpo que corresponderá às necessidades da vida espiritual, da vida dos ressurretos em Cristo Jesus no porvir.

Assim é que devemos todos nós, discípulos de Cristo, ter a sabedoria de observar as instruções claras da Bíblia acerca da prioridade de vivermos uma vida espiritual elevada. Ainda não fomos ressurretos dentre os mortos, ou transformados ainda em vida por causa da vinda de Cristo (1 Co 15.50-54; 1Ts 4.13-18). Ainda não chegou este glorioso dia. Mas, as ordenanças do Senhor para que vivamos em Espírito, que nos alimentemos de Sua Palavra, são pertinentes. Paulo diz-nos em Rm 8.13: "Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis." Ora, para o discípulo, significa isto viver de forma espiritual.

Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra de Deus (Jo 1.1). Ele disse de Si mesmo que é o pão da vida e também o pão vivo que desceu do céu, de maneira que quem comesse desse pão viveria para sempre (Jo 6.35, 48,51). Finalmente, Ele disse assim: "Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim" (Jo 6.57). Somente saciará sua fome espiritual, o cristão que se alimentar verdadeiramente de Cristo, que é a própria Palavra de Deus encarnada (Jo1.1).

Discípulo amado do Senhor, suas maiores necessidades não são propriamente materiais. Elas são de ordem espiritual. Paulo disse assim: "Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito" (Gl 5.25). Este andar em Espírito conspira contra a vida carnal. Andar pela carne, vivendo para somente satisfazer os apetites naturais, não agrada ao Senhor. E como conseqûencia, a vida abundante prometida por Ele não pode ser provada e demonstrada pelo discípulo. Mas, se ele anda sob a direção segura do Espírito Santo, estará consequentemente alimentando-se de Jesus Cristo ou da Palavra de Deus. Este é o ideal para cada discípulo genuíno do Senhor.

De maneira gloriosa, andar em Espírito produzirá o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé mansidão, domínio próprio (Gl 5.22). Este é seguramente, o maior sinal de que eu e você andamos em Espírito e nos alimentamos da Palavra de Deus. Jesus disse que a árvore se conhece pelo fruto (Mt 7.15-20). Então, o fiel seguidor do Senhor, que se alimenta unicamente d'Ele, demonstrará uma abençoada condição de saúde espiritual e será uma benção para muitos outros. Tanto para seus conservos e irmãos, como para aqueles que ainda não conhecem a Jesus. Vida genuína, autêntica em Cristo e saudável espiritualmente seguramente atrairá outros para Ele.

Será que é assim que eu e você temos realmente vivido? Ainda há tempo, caso não seja assim, de ponderar por este caminho glorioso. De saciar a fome espiritual unicamente com o pão descido do céu (Jo 6.58).

Saciemos pois nossa fome espiritual com Jesus, a Palavra viva de Deus e sejamos abençoados e abençoadores. Deus possa te conduzir nesta direção pelo Seu Espírito. Amém e amém!

domingo, 10 de outubro de 2010

Somente o Senhor é digno de toda adoração


Para nós que estamos aos pés de nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, tal afirmativa não nos é estranha de forma alguma. Sabemos que somente Deus, o Deus triúno, é Quem deve ser adorado. Leiamos Dt 6.13: “Temerás o Senhor teu Deus, a ele prestarás culto e jurarás pelo seu nome” (Almeida Séc. 21). Temos este mandamento. Obedecemos ao claro testemunho bíblico de que somente Deus deve ser objeto de nossa integral adoração. Quando estava sendo tentado pelo diabo, Jesus citou a passagem acima, refutando as vis pretensões diabólicas de ser adorado como Deus é adorado. Todavia, vemos em meio a muitos pretensos cristãos, pretensos discípulos de Cristo, uma inversão do mandamento exclusivo: E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4.8 e também Mt 4.10).

“Porque está escrito.” Jesus deixou-nos exemplo ao citar as Escrituras diante da atrevida insinuação satânica e foi vitorioso: Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram anjos, e o serviam” (Mt 4.11). Esta deveria ser a atitude primordial de todo aquele que, confrontado com outro tipo de adoração, outro tipo de culto, conhecendo a Palavra de Deus, poderia citá-la e obedecê-la em sua inteireza para fazer frente às mentiras diabólicas. Em seus primórdios, a Igreja cristã mantinha uma pureza em sua prática de adoração. Seu culto era embasado na Palavra de Deus, de maneira que tudo aquilo que era estranho ao claro ensino escriturístico, era rechaçado. Os apóstolos e depois destes, os pais da Igreja, tiveram zelo suficiente para que fossem mantidas as balizas da ortodoxia.

E tudo isto em meio a severas perseguições e algumas ameaças à sã doutrina como o gnosticismo, por exemplo. Porém, a partir do ano 313 publica-se um Édito de Tolerância para que todas as perseguições contra os cristãos fossem banidas. Desta forma, em 323, quando Constantino torna-se de fato imperador romano, o Cristianismo torna-se inteiramente favorecido. É a partir de então que, de forma mais plena, se introduzem ensinos doutrinários errôneos. E a idolatria pagã assume uma forma, digamos, “cristianizada”. Isto aumentou e perdura até hoje, infelizmente, no seio da Igreja Católica Romana.

Mas Deus sempre teve os seus “sete mil que não dobraram os seus joelhos a Baal”. Assim, permaneceu no decorrer dos séculos uma semente de fiéis, que conservou a sã doutrina, mesmo em meio a oposições e feroz perseguição. Pois o verdadeiro crente em Jesus Cristo sempre há de conservar em sua memória as sãs palavras da Bíblia Sagrada: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás” (Êx 20.3,45a).

A Reforma Protestante no século 16 pôde trazer à baila a exclusividade das Escrituras somente. Este evento reputamos como um agir de Deus de forma contundente sobre todos aqueles que, dizendo-se “cristãos” aceitavam passivamente a convivência em mesmo nível da Palavra eterna de Deus e tradições humanas e nocivas à vida, real comunhão e crescimento de todo discípulo de Cristo Jesus.

Considere isto hoje. Atenha-se ao que está escrito. Tenha a atitude correta de nosso Mestre, ao refutar as investidas do diabo usando unicamente a Palavra de Deus. Seja também como os judeus de Beréia (At 17.11), ou seja, examinavam as Escrituras avidamente procurando conferir se o que o apóstolo Paulo pregava conferia de fato com o ensinamento de Deus.

A falta de conhecimento da Bíblia produz muitos malefícios. A idolatria é somente um deles. Tenhamos um zelo redobrado em permanecer naquilo que está bem claro nas Escrituras do AT e NT.

Discípulo de Jesus, imite seu Mestre em tudo, principalmente em observar e guardar todo o conselho de Deus exarado na Bíblia. Adore somente ao Deus que subsiste plenamente em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo (2 Co 13.14).

Que Ele o enriqueça plenamente com toda sorte de bençãos celestiais. Amém.

domingo, 3 de outubro de 2010

Dúvidas em relação ao nosso dia-a-dia, como proceder


Carecemos, como seguidores de Jesus, de ter uma vida de oração constante. Isto porque dúvidas nos assaltam a cada momento: Pode ser sobre a escolha de uma profissão, sobre o novo emprego, sobre o futuro cônjuge, sobre algum investimento, sobre o lugar para morar, a igreja onde vai congregar, qual curso fazer, enfim são muitas as variáveis. Como decidir com sabedoria então?

Deus promete nos dar esta direção. Em Sua Palavra no livro de Isaías, Ele diz: "Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor" (Is 55.6,8). Também lemos no Sl 32.8: "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com meus olhos."

Quando oramos, o nosso coração fica sensível a direção que será consignada pelo Senhor. Não é pecado ter dúvidas sobre o que devemos fazer. Logicamente, se constituiria pecado se, diante das claras instruções da Palavra de Deus, sobre o pecado, por exemplo, o crente ficasse com dúvidas. Mas, de outra forma, em assuntos variados da vida, é até saudável que ele tenha suas interrogações para que ele busque direção correta de Deus.

Invocando a Deus, como fala Isaías, poderemos saber seus caminhos que são muito mais excelentes que os nossos. Buscando unicamente a Ele quando dúvidas nos assaltarem, ele nos instruirá no caminho que devemos seguir e nos guiará, como diz o salmista.

O inimigo de nossas almas é cruel e covarde. Lança dúvidas em nosso coração, principalmente no tocante à Palavra de Deus. Não devemos em nenhum momento duvidar dos oráculos divinos exarados na Bíblia. Não devemos aceitar as dúvidas sobre o conselho divino, porque o mesmo é imutável (Hb 6.17). Mas, também creio que Satanás usa as indagações naturais que temos por tantas coisas de nossa existência para que passemos a duvidar do cuidado de Deus por nós. Aqui, mais do que nunca, o discípulo fiel do Senhor haverá de estar apegado nas promessas da Bíblia. O Senhor é fiel.

Não temas amado irmão, quando dúvidas variadas te assaltarem. Leve-as a Deus. Apresente ao Senhor o que está aí dentro de seu coração. E descanse em suas promessas. É um lugar comum dizer assim, mas, tome posse plenamente das promessas de Deus!

O melhor lugar do discípulo em que possa estar é o seu lugar de oração. Busque a Deus. Converse com Ele abertamente sobre suas dúvidas. Ele não te deixará sem resposta, porque até mesmo o silêncio divino é resposta concedida de Sua parte.

Faça o bem à sua alma hoje. Ore ao Senhor e derrame suas indagações diante d'Ele. Você verá o quanto o Senhor te ama, porque ele não faz e nunca fará ouvidos moucos as ansiedades da alma que o busca.

"Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza. Por mim reinam os reis e os príncipes decretam justiça. Por mim governam príncipes e nobres; sim, todos os juízes da terra. Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscam, me acharão. Riquezas e honras estão comigo; assim como bens duráveis e a justiça"

Pv 8.14-18

Deus é aquele que te dá a verdadeira sabedoria, livrando-te das dúvidas que te assaltam e perturbam. É Ele quem te dará o direcionamento que você tanto precisa. Cuidado para não confiar em seu próprio coração. Não é um guia confiável, pois enganoso é (Jr 17.9). Cuidado também para não confiar nos homens, fazendo destes o seu amparo e afastando o seu próprio coração do Senhor (Jr 17.5).

Que você possa ponderar hoje e sempre sobre essa verdade. Deus, o Senhor, te abençoe muitíssimo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Construindo com nobreza sua vida em Deus


O discípulo de Jesus Cristo está num processo constante de construção. A Bíblia é categórica em afirmar isto. Todo aquele que fez profissão de fé na Pessoa de Cristo, está sendo construído pelo Espírito Santo. Por isso é que o apóstolo Pedro nos fala em sua primeira epístola no capítulo 2 de que devemos desejar o leite racional não falsificado para irmos crescendo (v. 2), chegando-nos para Ele, a pedra viva, reprovada pelos homens mas para Deus, eleita e preciosa (v.4), porque nós, que o seguimos, também somos pedras vivas e, "...sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (v.5).

O crescimento é fundamental na vida de cada crente em Jesus. O alicerce de nossa vida é Ele mesmo: "Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3.11). Todavia, nesta construção, e sobre este fundamento, deverão ser utilizados materiais nobres, pois trata-se da construção de um templo, de uma casa espiritual. Por isso, o apóstolo Paulo nos fala ainda em 1Co 3.12: "E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha", ou seja, a relação paulina fala de materiais nobres e materiais inferiores para a referida obra.

A nobreza dos três primeiros elementos, ouro, prata e as pedras preciosas, tem o caráter inigualável da permanência. É um material que resiste ao fogo (vs 13 e 15). Ou seja, o crente deve edificar sua casa espiritual com a nobreza de uma vida verdadeiramente piedosa, em oração contínua, uma vida consagrada ao Senhor, onde lê, medita e obedece as Sagradas Escrituras, sempre procurando saber a vontade de seu Pai Celestial. Quando o fogo da perseguição vier sobre si, tribulações, angústias, como sobrevieram sobre Paulo (2Co 11.16-33), ele estará preparado e permanecerá, primeiramente porque o fundamento de seu edifício de vida é Cristo mas igualmente porque sobre este resistente alicerce, está sendo construída a casa com materiais nobilíssimos.

E no dia em que o Senhor se revelar (1Co 3.13), esse discípulo estará pronto para receber o bem-vindo de Jesus. Não ficará decepcionado. Seu galardão está garantido.

Ele, como Jesus mesmo disse em Mt 7.24-27, será semelhante ao homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha sólida. Ouviu a palavra do Senhor e a colocou em prática. Por isso, sua casa espiritual é de uma solidez à toda prova. Açoitado sim, as intempéries da vida são em grande quantidade. Mas a Rocha em que foi edificado é a mesma pedra principal de esquina, eleita e preciosa de 1 Pe 2.6.

Portanto, meu caro irmão e como eu, igualmente, seguidor de Jesus Cristo, construa sobre esta Rocha inabalável o edifício de sua vida. Não use madeira feno e palha. Da mesma forma, não construa sobre a areia. Paulo ainda nos diz em 1Co 3.16,17 que somos o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em nós. E que se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá porque este templo é santo. Como você pode destruir o templo de Deus? Vivendo uma vida contrária aos princípios bíblicos. Andando de acordo com sua carne e pensamentos.

Qualquer construção demanda a utilização de bons materiais para que fique bem assentada a obra. E também, e o que é mais importante, o fundamento deve ser seguro. Conduza a construção de sua vida em Deus de tal forma que não faltem todos estes elementos. Mas tenha cuidado, porque mesmo que o fundamento seja Cristo, você poderá utilizar elementos de má qualidade em sua construção. Por isso é que Paulo adverte: "Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; MAS VEJA CADA UM COMO EDIFICA SOBRE ELE" (1Co 3.10).

Discípulo amado, caminhe na vereda cristã tendo o zelo de edificar sua vida em Deus somente com materiais nobres. Não economize recursos neste aspecto. A casa de Deus, Seu edifício, Seu templo, que é você, requer os melhores materiais.

Se for para você agora fazer uma "desconstrução", diante destas palavras, comece agora mesmo. O dono da obra espera o melhor nesta edificação. Não o decepcione. Mãos à obra a partir de agora com materiais de qualidade superior. Leiamos: "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef 2.20-22).

Deus abençoe sua vida continuamente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Discípulo, cuidado com a doutrina dos saduceus e fariseus


No capítulo 16 do Evangelho de Mateus, versos 1 a 12, Jesus mais uma vez esteve em confronto com os saduceus e fariseus. E mais uma vez advertiu seus discípulos quanto aos ensinamentos daqueles. Chegaram à presença do Senhor e lhe pediram um sinal do céu (v.1). O texto diz que fizeram assim para para tentá-lo, para colocá-lo à prova. Mas o Senhor Jesus, desfez seus intentos com mais uma resposta onde denunciou-os como geração de maus e adúlteros homens e disse-lhes que o único sinal que teriam seria o sinal do profeta Jonas, a mesma resposta que dera a escribas e fariseus anteriormente (Mt 12.39,40). Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim Jesus estaria no seio da terra.

Isto demonstra como o Senhor tinha a intenção de demonstrar o real significado de Sua vinda ao mundo, para trazer com sua morte, sepultamento e ressurreição, a redenção ao ser humano (1Co 15.1-4). Mas o que queremos destacar, para que todo o discípulo de Jesus esteja precavido, é no tocante à doutrina de saduceus e fariseus aos quais deveríamos estar atentos também nos dias de hoje.

Os saduceus caracterizavam-se como racionalistas. Não criam no sobrenatural, na existência de anjos e espíritos e nem na ressurreição dos mortos (At 23.8). Os fariseus, ao contrário, eram os "ortodoxos" do Judaísmo pois aceitavam tudo que aqueles rejeitavam. Infelizmente, foram legalistas em sua atitude perante a Torá, a Palavra de Deus, valorizando muito mais as aparências exteriores, segundo sua interpretação da Lei e rejeitando a transformação interior que o Senhor requeria.

Precisamos como seguidores de Jesus, prestar muita atenção às tendências saduceistas e farisaistas em nosso contexto. Há aqueles que menosprezam quase que por completo o agir de Deus de forma inteiramente diversa ao que acostumou-se a crer. Não aceitam a possibilidade do milagre, dizem que creem em Deus, mas procuram viver sem depender dele, visto que pouco oram, pouco o buscam. Se a fé cristã que preconizam não se encaixar no molde racionalista a que se habituaram, descartam totalmente qualquer manifestação que ofenda seus pressupostos.

De outro lado, os farisaístas apresentam inicialmente uma aparente conformidade com os oráculos de Deus. Mas logo cai a máscara da religiosidade quando relativizam o poder de Deus e absolutizam sua própria teologia. Sendo assim, prendem os incautos em suas amarras doutrinais deixando descaradamente a Palavra de Deus do lado de fora da vida daquele que deseja sinceramente seguir a Cristo.

O discípulo genuíno de Jesus Cristo deve atentar para as advertências que seu Mestre lhe deixou no NT. Discernir com bastante acuidade, contando com a ajuda do Espírito Santo para não desvirtuar-se da real vontade de Deus como está exarada nas Escrituras.

Hoje, depara-se o seguidor de Cristo com esses reais perigos. Todavia, se procurar se soltar das amarras quer seja do saduceísmo ou do farisaísmo, ao voltar-se inteiramente para a Palavra de Deus, experimentará o que Jesus mesmo disse em João 7.17: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, saberá se esse ensino é dele, ou se falo por mim mesmo" (Almeida Séc. 21).

Tenha cuidado pois, amado irmão e discípulo, com o fermento do saduceus e fariseus de hoje. Tenha uma postura bereana (At 17.11). Examine tudo criteriosamente à luz dos ensinamentos bíblicos. Não coma pelas mãos de outros tão somente, mas seja você mesmo um incansável perscrutador da Palavra de Deus.

Que o Senhor te abençoe muitíssimo nesta semana. Amém.

sábado, 4 de setembro de 2010

A preciosa intimidade com Deus


É simplesmente intrigante pensar em ser um discípulo de Jesus Cristo sem cultivar uma real intimidade com Ele. Na verdade, vemos um modelo nisto quando pensamos na Trindade. A comunhão trinitariana é o nosso modelo por excelência de comunhão e de intimidade. Pensamos que a Igreja deve ser a ambiência onde devemos aprender a ter intimidade horizontal, ou seja, uns com os outros e também a intimidade vertical, ou seja, nós com Deus.

Intimidade com Deus. Como precisamos almejá-la. Mais do que a intimidade conjugal. Mais do que a intimidade fraternal. Mais do que a intimidade familiar. Desfrutar desta intimidade vale mais do que todas as riquezas desta terra. A prosperidade material é como esterco, como refugo, diante da prosperidade que gozará a alma que procura ter intimidade com o Senhor Deus.

Nesta amorável comunhão, há algo que precisamos mencionar que é o conhecimento dos atributos da Pessoa Divina. Santidade, Justiça, Amor, Bondade, Longanimidade, Compaixão são alguns destes atributos. Conhecendo ao Senhor, conhecendo Seus atributos, ou seja, as qualidades de Sua Divina Pessoa, necessário é que compreendamos que isto é fundamental para a vida espiritual de todos que O servem. Estas qualidades são benfazejas para os Seus filhos. Somente na intimidade de uma comunhão plena com Ele experimentaremos estas bençãos.

Se formos íntimos de Deus, cada vez mais estaremos inclinados a adorá-lO. A alegria invadirá nossos recessos interiores. A paz que excede todo entendimento guardará nosso coração e nosso sentimento (Fp 4.7).

Discípulo de Cristo, não caminhe fora da intimidade com Deus. Você não é um solitário na vereda gloriosa do Evangelho. Você pode e deve estreitar seus laços de comunhão com o Deus vivo. Ele lhe ama. Ele quer o seu bem. Quer o melhor para você. E Ele anela ter intimidade conosco: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor" (Jr 29.13,14b). É verdade que passamos por muitas tribulações. Mas o nosso Pai amoroso molda-nos, fazendo com que sejamos mais e mais parecidos com Seu Filho, muitas vezes através do forno da aflição. Ele está junto com você. Não há o que temer. Jesus mesmo disse: "E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém" (Mt 28.20b).

Uma pérola é preciosa. Um diamante muito mais ainda. Mas a preciosa intimidade com Deus sobrepuja em muito tudo o que possa haver nesta vida. Procure esta intimidade e de nada mais você precisará, até mesmo de sua própria vida.

Deus o abençoe com Sua intimidade. Amém!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O discípulo e a participação política


Deve o discípulo de Jesus Cristo participar da política? Sim ou não? Jesus disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). Ora, notório é que o Senhor reconheceu o poder civil. E que, como Seus discípulos, deveríamos ser respeitosos para com o mesmo, cumprindo nosso dever de pagar nossos impostos, por exemplo (Rm 13.6,7). O crente deve, conforme disse o Senhor Jesus, ser sal na terra e luz do mundo (Mt 5.13-16). Se é assim, não haverá nenhuma área da vida fora da influência do bem, que não possa ser influenciada pelos valores eternos do Reino de Deus. No âmbito do envolvimento dos cristãos na política, temos dois belos exemplos na história (vide Abraham Kuyper na Holanda e William Wilberforce na Inglaterra).

Estes homens eram autênticos discípulos de Cristo e foram determinantes em sua atuação (Kuyper como primeiro-ministro e Wilberforce como parlamentar) fazendo com que as leis dos homens estivessem mais próximas da vontade de Deus.

Sabemos que a classe política em nosso país é alvo da ojeriza de quase todos. Motivos não faltam. A cada momento pode espoucar um escândalo motivado na grande maioria das vezes por razões financeiras. A corrupção é notória. A sede de poder também.

Mas, e o discípulo de Jesus, se desejar, deve de fato ingressar nesta arena? Poderá ali influenciar com a ética divina o modus operandi político? Acreditamos que sim. Minha palavra é que se você amado irmão, postula algum cargo público, faça-o na força que Deus dá e tão somente debaixo da graça de Deus.

Apesar da corrupção, do roubo, do ganho por fora, da sede de poder, o crente que é verdadeiramente discípulo de Seu Mestre, verdadeiramente convertido a Cristo, poderá influenciar o meio político e permanecer incólume, sem ser contaminado pelos manjares do rei, assim como Daniel (Dn 1.8).

Creio em mudança para o Brasil. Em leis e ações que beneficiem o conjunto da sociedade. Creio na justiça do Reino de Deus. Mas esta benéfica influência nos negócios humanos, somente poderá concretizar-se se houverem candidatos a cargos públicos que sejam de fato servos do Deus Altíssimo. Verdadeiros representantes do Reino de Deus na terra. Não pode haver omissão dos verdadeiros discípulos de Cristo na vida pública do país porque Deus ordenou que Seus filhos iluminassem as trevas reinantes por meio de uma vida de compromisso total com Ele.

Portanto meu dileto irmão, se você tem um chamado indubitável para servir a Deus na vida pública, vá na confiança de que o Senhor o capacitará e o usará. Revista-se da armadura de Deus (Ef 6.10-20). E batalhe confiante pelos valores do Reino que não pode ser abalado, leiamos Hebreus 12.28: Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade.”

Em o Nome de Jesus, Amém!

sábado, 14 de agosto de 2010

O discípulo e a contribuição financeira


“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7).

Todos nós, discípulos do Senhor Jesus Cristo, estamos cansados de ouvir sobre os abusos que se cometem em determinadas igrejas no tocante à arrecadação monetária. Todos nós já ouvimos e continuamos a ouvir sobre a obrigatoriedade dos dízimos e ofertas. Todos sem exceção ouvimos sobre a relação de barganha, de troca, sobre a questão de ofertar. E, finalmente, todos já tiveram seus ouvidos importunados sobre a falsa doutrina das semente$$.

Ao analisarmos com mais acuracidade a Palavra de Deus, somente ela, notamos a falta de embasamento para tudo o que é feito hoje supostamente a mando do Senhor. A Bíblia fala de dízimos? Sim, certamente que sim. Fala de arrecadação de ofertas? Sim, igualmente. Porém, no Novo Testamento, nós, discípulos de Cristo, não somos de forma alguma obrigados a ter o procedimento que era ordenado aos crentes no Antigo Testamento. Antes da lei de Moisés, o dízimo já existia. Sua origem está perdida na antiguidade. Quando Moisés promulgou a lei, ordenou-lhe o Senhor de que houvesse um ordenamento quanto à arrecadação dos dízimos e ofertas para que houvesse mantimento para os levitas e sacerdotes, posto que serviriam no Tabernáculo e não receberiam terras para cultivar. O povo os sustentava, portanto.

Na Nova Aliança já não há nenhum ordenamento específico como existia na Velha Aliança. O que não significa que o crente não deva exercer esta mordomia financeira com afinco. Jesus ensina muitas coisas aos Seus discípulos, mas não ordena de forma alguma a arrecadação de dízimos. A única menção que Ele faz do dízimo tem uma conotação negativa, como exemplo do legalismo e falsa religiosidade dos fariseus (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12). Paulo, que dentre os autores do NT foi o que ofereceu a maior parte do conselho e orientação para a vida das comunidades cristãs que surgiam, nunca menciona o dízimo. Ele escreve sobre a contribuição para os pobres (1 Co 16.1-3; 2 Co 8 e 9; Ef 4.28) e para a igreja (1 Co 9). Paulo enfatiza a necessidade de contribuir financeiramente (1 Co 16.1-3; 2 Co 9.6; 8.1-5), mas de nenhuma forma estipula um percentual (o dízimo) que o cristão deva dar.

Com isto eu estou querendo dizer que erra o crente que assim o faz? Que dizima fielmente todos os meses? Não, em absoluto. Estou escrevendo para todo o discípulo para esclarecer que, na Nova Aliança, o sentido do dízimo se cumpre e, portanto, como estamos sob o âmbito da graça, somos desafiados a dar para mais, a ir além dos 10% a que fomos condicionados. Paulo nos diz que devemos dar tudo o que pudermos e em abundãncia (1 Co 16.2; 2 Co 9.7; 8.3,7). O que você acha disso? Veja o exemplo tremendo dos primeiros cristãos em Jerusalém. Eles fizeram isso e nada há ali que relate que “entregaram seus dízimos e ofertas” conforme hoje se pratica na maioria das igrejas cristãs (At 2.44,45; 4.32-37). O que havia ali entre os discípulos de Jerusalém é perfeitamente consoante com o que Paulo ensinou posteriormente.

Desnecessário dizer que as contribuições financeiras ajudam a sustentar a obra de Deus. E é isto um privilégio. Aluguel (caso a igreja não possua um lugar próprio para reunir-se), luz, água, telefone, salário do pastor, enfim, o sustento da obra se dá pelas arrecadações. Mas não é só isso, também há que se considerar a ajuda aos necessitados. Jesus e os discípulos tinham uma bolsa comum de onde se tirava ajuda aos necessitados. Paulo menciona, como já nos reportamos, a preocupação em ajudar aos que estivessem padecendo necessidades.

Gostaria de deixar esta oportuna palavra, meu amado irmão e discípulo de Jesus, para que houvesse uma necessária reflexão de sua parte. Somos discípulos de Cristo. Estamos sob o ordenamento da Nova Aliança sacramentada na cruz do Calvário. Nosso Deus é um Deus de graça, bondoso e fiel. Ele conhece os nossos corações. Ser sincero e liberal com Ele no tocante às contribuições, é o que devemos ponderar. 10% é o mínimo. E não há obrigatoriedade nisto. Porque o que o Senhor quer é a minha e a tua voluntariedade e generosidade de coração. Não tente barganhar com Deus:”Se eu dizimar fielmente, Deus tem que me abençoar.” Errado: Deus não é obrigado a nada. Pense nisso. O que Ele faz por você, O faz unicamente por Sua GRAÇA! Não pense que, por meio de suas ofertas, seu dízimo, você pode constranger Ele a fazer algo por ti. Isto é um engano que se ensina hoje em muitos lugares, infelizmente.

"E Deus é poderoso para fazer abundar

em vós toda graça, a fim de que tendo sempre,

em tudo, toda a suficiência, abundeis em

toda a boa obra"

(2 Co 9.8)


Tenha uma boa semana na Graça de Deus. Cuidado com os teólogos da prosperidade, amém!

O Discípulo e a Identidade de Cristo

É possível que alguém se reconheça como cristão, que deposite fé na Pessoa de Jesus Cristo, que confiou nEle como seu Único Salvador e ...