domingo, 28 de novembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar- Parte 1


Gostaríamos de iniciar uma série de estudos sobre os inimigos declarados do cristão: o mundo, a carne e o diabo. Sabemos que o crente tem uma natureza decaída, vive no mundo e que este por sua vez, jaz no Maligno. Satanás, conforme disse o Senhor Jesus, é o príncipe deste mundo. Portanto, é necessário entendermos um pouco de cada um destes elementos para que estejamos precavidos e possamos mas eficazmente combatê-los e vencê-los em o Nome de Jesus.

Inicialmente falaremos sobre o mundo. O mundo, como sistema de valores contrário a Deus, é um dos inimigos do cristão que o assedia com muitas sedições. O Cristianismo, ontem e hoje, já tem sido contaminado com os valores deturpados mundanos tais como o poder político, as riquezas e o domínio sobre a vida de multidões. O mundo procura demover os discípulos de Jesus Cristo com muitas ofertas e propostas que são diametralmente opostos ao espírito do Evangelho. A Igreja do Senhor precisa estar constantemente precavida contra esta realidade, porque sua razão de ser e sua força está exatamente em se posicionar contra aquilo que o mundo considera valioso. O discípulo necessita filtrar, avaliar, ponderar e discernir tudo o que vem do mundo a fim de agradar sempre ao Senhor em sua vida cotidiana. A ideologia mundana nunca deverá ser cortejada pelo crente sob pena dele perder a força de seu testemunho pessoal. Um dos maiores temores que o crente deve ter encontra-se na palavra do apóstolo Tiago em 4.4: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”

Note bem a gravidade destas palavras. Não posso eu como discípulo de Jesus, sendo amigo d’Ele e tendo Ele como meu amigo, ao mesmo tempo cortejar a amizade do mundo. São mutuamente incompatíveis e excludentes, não convivem no mesmo espaço. Ou sou amigo de Deus, ou amigo do mundo. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida não procedem do Pai, como bem frisou o apóstolo João em 1 Jo 2.15-17. Sendo estas coisas do mundo, devem ser repudiadas com veemência, se é que queremos agradar ao Senhor em tudo.

Enquanto o mundo, no sentido de pessoas, raça humana, conforme Jo 3.16, é objeto do amor de Deus ao ponto d’Ele enviar a Seu próprio Filho para morrer por ele, o mundo como sistema, conforme 1 Jo 2.15-17; 5.19 e Tg 4.4 é abominável aos olhos santos de Deus. Jesus disse que este mundo tem um príncipe, Satanás e que este nada tinha em comum com Ele (Jo 14.30). Assim, como discípulos de Cristo, devemos ter a mesma atitude de repúdio para com coisas e valores que não agradam a Deus e são do domínio de Satanás.

Todos nós devemos ter muito cuidado com as coisas do mundo. Em certo sentido, o mundo facilmente torna-se uma rede, uma teia, que pode prender a todos nós. São inúmeros os atrativos e apelos para que vivamos uma vida espiritual relaxada, sem oração e sem leitura e meditação nas Escrituras. As coisas desta vida podem fazer, e realmente tem feito, com que muitos cristãos vivam de forma não condizente com a vontade divina.

Este é um mundo decaído. Entretanto é preciso entender que há prazeres legítimos, concedidos por Deus, os quais podemos desfrutar, e os ilegítimos, contaminados pelo mundo. Russel Shedd, em seu excelente livro O Mundo, a Carne e o Diabo disse que, “se somos servos de Deus, se todo lugar é igualmente cheio de Sua presença e tudo que gozamos vem gratuitamente de suas mãos, toda satisfação deve suscitar gratidão a Ele. Paulo exorta os efésios a sempre darem ‘graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo’ (Ef 5.20).”

Shedd diz ainda: “Por outro lado, se procuramos uma satisfação fora da comunhão com o Senhor, se tentamos adquirir coisas e dominar pessoas, se nos esforçamos para extrair do mundo presentes que não vem das mãos graciosas de Deus, para gastar em interesses puramente pessoais, tornamo-nos servos infiéis, alienados e amigos do mundo.”

Sábias palavras que nos levam a uma reflexão bastante apropriada. Todos nós sabemos que nossa sociedade dá grande valor ao entretenimento. Divertir-se constitui-se na verdadeira filosofia de vida de muitos. A diversão de per si, sem o desfrute de uma comunhão com o Senhor de todas as coisas, que bondosamente tudo nos dá para delas desfrutarmos, é puro mundanismo. E este tipo de mundanismo tem sido uma verdadeira praga entre o povo de Deus. Para muitos, ir à igreja já é sinônimo de divertimento. Não é mais o lugar onde nos reunimos para junto de outros servos de Deus, adorarmos ao Senhor, ouvirmos Sua Palavra e comungarmos juntos. Os cultos tem se transformado em muitos lugares numa atração, num espetáculo, num circo. Seu único intuito é entreter os cristãos. A Palavra de Deus já não tem a devida preeminência. Não se quer mais ouvir a voz de Deus. Apenas divertir-se, ter sensações boas. Somente isto.

A Bíblia diz claramente: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” O mundo tem sido um lugar de distração, ansiedades e angústia para o cristão. Isto porque, a atmosfera espiritual reinante lhe é adversa. Daí a necessidade urgente de andar em conformidade com os imperativos divinos para que seja de fato vitorioso. Se alguém é de fato nascido de Deus, vence o mundo. O verbo está no tempo presente. Fala de algo contínuo. Não diz que venceu ou que vencerá. Diz simplesmente que, no tempo presente, enquanto vive por aqui ele vence. E este que vence é o que crê que Jesus é o Filho de Deus.

Façamos uma pausa para pensarmos nas implicações desta fé. Isto fará com que possamos lutar adequadamente contra este inimigo, o mundo. Sem fazermos do entretenimento nossa prioridade e ponderando sempre os decaídos valores humanos que a mídia, por exemplo, bombardeia-nos todos os dias.

Que o Senhor, soberano de todo Universo, faça com que você nesta luta seja pró-ativo, ou seja, sempre tomando a iniciativa de não se deixar enredar pelo abraço mortal do mundo. Afaste-se dele decisivamente e aproxime-se de Deus ainda mais. Agindo desta maneira, teremos a graça de viver no mundo mas sem estar associado a ele (1Co 5.9-13).

Sigamos o conselho do Senhor. Apartemo-nos de tudo o que Ele considera imundo (2 Co 6.14-17).

Na semana que vem discorreremos sobre outro inimigo do cristão, o príncipe deste mundo, o diabo.

Que Deus o abençoe muitíssimo.

2 comentários:

LICIANE disse...

Irmão, muito esclarecedor o seu texto! Que Deus continue abençoando sua mente e suas palavras!
Paz!

Observatório Teológico disse...

Obrigado, muito honrado com seu comentário, Deus a abençoe!

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