domingo, 27 de novembro de 2011

Discípulo, libere perdão pela graça de Deus!


Imitar a Cristo significa liberar perdão aos nossos ofensores. Sempre.

Ser discípulo de Jesus Cristo significa perdoar continuamente. Significa não guardar rancores. Significa também jogar fora todo ressentimento que teima em se incrustar em nossa alma. Pela graça de Deus, podemos sim perdoar completamente ao nosso ofensor.

Não é, evidentemente uma tarefa fácil. Nós não somos divinos. Somos seres decaídos. Criados à imagem e semelhança de Deus, mas afetados pelo impacto da Queda, temos uma dificuldade natural para perdoar quem nos tenha ofendido. Porém, agora como nova criatura em Cristo Jesus (2Co 5.17) o Espírito Santo passou a morar permanentemente em mim e posso, pelo poder que há nEle e pela graça de Deus, sobrepujar a inclinação do pecado que teima em querer fazer com que eu resguarde a mágoa em meu interior. Não sou obrigado a guardar o ressentimento, agora há poder em mim para perdoar. Isso é graça de Deus!

O discípulo de Jesus tem em seu Mestre o maior exemplo de como perdoar. Pedro indagou ao Senhor sobre até quantas vezes deveria perdoar o ofensor, se até sete vezes. Ele perguntou dessa forma porque as tradições dos rabinos falavam em perdoar até três vezes e ele intentou ser generoso ao indagar o Mestre. Porém, a resposta de Jesus dizendo que não sete mas até setenta vezes sete indicava que o espírito de perdão ia para muito além dos mesquinhos cálculos humanos. Dessa forma, demonstra-se que o discípulo de Jesus deve ter largueza de coração, generosidade, liberalidade para com quem lhe ofende.

Eu disse acima discípulo de Jesus. Cristãos! Não estou escrevendo para não-cristãos. Não é opcional a liberalidade em perdoar para o seguidor de Cristo Jesus. É seu dever. O crente deve perdoar ao seu ofensor. Isto é possível, reafirmamos, somente pela graça de Deus que já está implantada no coração dele.

Não podemos ser como o homem da parábola que o Senhor Jesus contou (Mt 18.23-35), logo após a indagação de Pedro sobre quantas vezes deveria-se perdoar. Aquele homem possuía uma dívida muito grande perante o seu senhor e não tinha como pagar. Foi acossado por seu senhor e, prostrando-se, implorou-lhe por si e por sua família, pois esta seria vendida juntamente com tudo o que possuía para pagar o enorme débito. Aquele homem movido de íntima compaixão, lhe perdoou. Todavia, ao sair da presença dele, o servo perdoado, encontrou seu companheiro que lhe devia uma quantia, muito menor. Passou a apertá-lo, sufocá-lo, para que pagasse imediatamente o valor. Este seu amigo fez a mesma coisa que aquele homem havia feito com seu senhor, prostrou-se e lhe rogou que lhe perdoasse. Mas o servo perdoado prender o pobre devedor até que ele lhe pagasse. As testemunhas desse ato foram ao senhor daquele servo e tudo lhe relataram e este, movido de grande furor, mandou chamá-lo e disse-lhe: "Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia." E Jesus conclui, deixando bem definido para todos nós qual deve ser nossa atitude: "Assim vos fará, também meu Pai celestial, se do CORAÇÃO não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas."

Fiz questão de colocar em maiúsculas a palavra CORAÇÃO porque é dele, donde procedem as fontes da vida, segundo Salomão em Provérbios (4.23), que deve proceder o genuíno perdão. Um coração que não seja transformado pela graça de Deus realmente não consegue liberar este perdão verdadeiro e necessário. E Deus Pai espera que nossa atitude seja dessa forma, de perdoar continuamente, porque Ele mesmo nos perdoou um débito muito maior quando recebemos a Cristo em nossa vida. Fomos perdoados, eu e você, pela inigualável graça do Senhor!

Na oração que o Senhor Jesus nos ensinou (Mt 6.9-13) Ele diz no verso 12: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Não é preciso uma profunda exegese textual para entendermos claramente o que isso significa, ou seja, que confessamos a Deus nossas faltas, nossos pecados, mas já deveremos ter perdoado a alguém que tenha de alguma forma nos ofendido. Ofendemos a Deus, nosso Criador, Senhor do Universo, por muito mais, e somos perdoados, porque não deveríamos perdoar algo que é infinitamente menor em gravidade, ou seja, as faltas de nossos semelhantes?

Portanto, caro discípulo de Jesus, caminhe nessa vereda gloriosa do perdão, lembrando sempre que muito mais nos perdoou o Senhor. Jesus Cristo pagou o preço dos nossos pecados, somente Ele poderia ter realizado isso na cruz do Calvário a fim de obtermos o perdão e o favor do Pai.

Que glorioso é o perdão. Quão maravilhosa a graça de Deus em perdoar. Nós podemos AGORA perdoar nossos ofensores porque a capacidade já nos foi concedida.

Amado irmão e discípulo, hoje mesmo examine seu coração, peça a Deus para sondá-lo, e se você pelo Espírito de Deus constatar que ainda não perdoou a alguém, não importa o tempo decorrido, faça isso já, sem mais demora. Procure a pessoa. Se não for possível, por questão de distância ou outro fator, ore a Deus e diga que está perdoando a mesma. Se a ofensa lhe foi demasiado pesada, saiba que Deus concede graça, pelo Seu Espírito para você liberar o perdão e ficar em paz. Lembre-se das palavras de Jesus na cruz em relação aos que o maltratavam e crucificavam: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34a).

Receba essa palavra e que o Senhor de toda graça opere no fundo de seu coração, para a glória dEle, amém!

domingo, 13 de novembro de 2011

Discípulo, fique irado, mas cuide para não pecar


Afinal, em que consiste a ira? Segundo Tim LaHaye, é o sentimento de desprazer, hostilidade, indignação ou exasperação extrema para com alguém ou alguma coisa; raiva; cólera; fúria. Outro autor, David Kornfield define ira como o desejo ardente de corrigir, atacar ou destruir algo (ou alguém) que nos incomoda ou ameaça.

Mas a ira pode sempre ser considerada um pecado? Ficar irado significa que pequei contra Deus? Às vezes sim, é pecado. Em outras vezes, não, seria apenas o extravasamento de uma emoção. Se você ficar irado , enraivecido, amado discípulo, todavia precisa ter cuidado para não pecar. Vamos tentar entender.

Primeiramente, devemos compreender de uma vez por todas de que a ira é uma emoção! Ou seja, se é emoção, deve ser expressada adequadamente e nisto nenhuma condenação há. Não é pecado. Passará a ser pecado, quando permitirmos que a ira nos leve à uma direção errada. Os resultados certamente serão maus. Por isso o salmista recomenda: "Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente isso acabará mal" (Sl 37.8 - ARA). Podemos nos irar justificadamente quando vemos a ocorrência da injustiça diante de nossos olhos. Imagine você, discípulo de Jesus, passando em uma rua e ao dobrar a esquina, presencia um homem espancando sem dó uma criança ou uma pessoa idosa. Qual seria sua reação? Normalmente todos ficamos irados, como o nosso Senhor Jesus Cristo ficou ao contemplar a comercialização sem nenhum pudor que aqueles muitos cambistas faziam na casa de Deus (Mt 21.12,13; Mc 11.15-17; Jo 2.13-17). Sendo assim, a ira pode e deve ser corretamente expressada.

Foi por isso que o apóstolo Paulo disse conforme a versão de Almeida Séc. 21: "Quando sentirdes raiva, não pequeis; e não conserveis a vossa raiva até o pôr do sol; nem deis lugar ao Diabo." (Ef 4.26,27). O texto da Nova Tradução na Linguagem de Hoje clarifica ainda mais: "Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não deem ao Diabo oportunidade para tentar vocês." 

Amado discípulo, você deve expressar sua raiva e deve fazer isso quando for inteiramente apropriado. Não é  verdade que o cristão é bonzinho, é santinho e por isso jamais fica bravo. Mas a intenção aqui é demonstrar que essa emoção chamada de ira deve estar sob o controle do Espírito Santo, quero dizer, você deve andar em Espírito (Gl 5.16). A ira está exatamente constando como uma das obras da carne neste mesmo capítulo de Gálatas, está em um grupo de pecados que estão relacionados à ira tais como inimizades, porfias (rivalidades), emulações (ciúmes), pelejas, dissensões (discórdias) e heresias ou partidarismos (v. 20). De fato, podemos dizer que é tênue a linha que separa a expressão da ira de forma natural diante de injustiças cometidas contra nós ou contra os outros, daquela outra que expressa a natureza pecaminosa de todos nós, discípulos de Jesus.

A ira que o discípulo de Jesus Cristo deve manifestar quando for apropriado ou necessário, também se refere naquelas coisas que deixariam o próprio Deus irado. Voltamos ao episódio dos cambistas no templo. Eles haviam tornado o lugar de oração e adoração ao Deus único num mercado, negociando os animais que seriam utilizados nos sacrifícios dos judeus. Isto causou uma reação irada em Jesus. Nós também podemos sentir a mesma coisa quando as coisas de Deus são aviltadas pelos homens, principalmente entre aqueles que dizem ser discípulos de Cristo como vemos tantas vezes ao nosso redor.

O discípulo de Cristo deve ter suas emoções sob o controle pleno do Espírito de Deus. Se assim não for, ele expressará sua ira de forma errônea, ou seja, pecaminosa. Além disso, também causará um problema para os seus semelhantes, como no caso de pessoas iracundas, que ficam iradas, raivosas, por motivos muitas vezes fúteis, e ferem com palavras as outras pessoas ou, em muitos casos, partem para a agressão física que pode chegar ao extremo de um ferimento grave ou até homicídio.

Na caminhada de nosso discipulado, certamente pecamos muito contra o Senhor, expressando a ira ou raiva de forma inadequada, como eu mesmo que vos escrevo. Teremos de ter o zelo, o cuidado, de andar em Espírito como a Palavra de Deus nos ordena, evitando a todo custo, com a graça de Deus, a manifestação desse sentimento de forma pecaminosa. Possamos dar mais atenção às santas recomendações do Senhor sobre isso e estaremos continuamente Lhe agradando. Transcrevo mais alguns textos bíblicos para que você, caro discípulo, entenda a seriedade desse assunto. Todos são da versão Almeida Séc. 21: 

"Quem se irrita com facilidade comete erros, mas o homem discreto é paciente."
"Quem demora a irritar-se é grande em entendimento, mas o precipitado exalta a loucura."
"A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura provoca a ira."
"O homem que se irrita com facilidade provoca conflitos mas o paciente apazigua brigas."
"Quem tem paciência é melhor que o guerreiro; quem tem domínio próprio é melhor que aquele que conquista uma cidade."
"O início do desentendimento é como a vasão de águas represadas; por isso desista da questão antes que haja briga."   
"A sensatez do homem o torna paciente, e sua virtude está em esquecer as ofensas."
"O homem genioso tem de sofrer o castigo, pois, se o livrares, terás de fazê-lo várias vezes."
"Não faças amizade com uma pessoa briguenta, nem andes com alguém que logo se enfurece."

"O homem irado provoca desavenças, e o furioso aumenta as transgressões."

(Pv 14.17,29;22;15.1,18;17.14;19.11,19;22.24;22.29)

Todos estes são textos em Provérbios. Existem muitos outros neste livro e na Bíblia inteira. Mas deixarei registrado aqui, para todo discípulo de Jesus Cristo, Suas palavras que pronunciou no Sermão do Monte, que é uma seríssima advertência: "Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão será passível de julgamento; quem o chamar de insensato, será réu diante do tribunal; e quem o chamar de tolo, será réu do fogo do inferno" (Mt 5.22).

Cuidemos cada um de nós de como lidamos com essa emoção chamada ira. Ela deve estar absolutamente debaixo do controle do Espírito Santo. Isto é de capital importância em nosso caminho de discipulado. Afinal, nosso Mestre deseja que assim o façamos. Dele deveremos aprender a mansidão e a humildade (Mt 11.28-30). Que seja assim portanto, amém!


O Discípulo e a Identidade de Cristo

É possível que alguém se reconheça como cristão, que deposite fé na Pessoa de Jesus Cristo, que confiou nEle como seu Único Salvador e ...