sábado, 28 de janeiro de 2012

Quando Deus quer nos falar, Ele nos leva ao deserto


Oséias 2.14: "Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração"

Deus não deixa de nos buscar. Não deixa de tentar nos levar a entender a não vivermos no pecado. Deus nos ama e mesmo que tenhamos nos desviado de Seus santos caminhos, tudo fará para que voltemos à  uma santa comunhão com Ele. E se for necessário, nos levará sim ao deserto a fim de podermos ser ministrados em nosso coração empedernido.

No livro do profeta Oséias, lemos acerca do grande amor de Deus. Um amor grandioso e pleno. Para ilustrar isso Ele determinou que seu servo Oséias, casasse com uma meretriz a fim de ilustrar vividamente como Ele mesmo, o Senhor, faria com seu povo, Israel, que havia espiritualmente se prostituído ao adorar outros deuses. O adultério da nação lhe afastara da comunhão com Deus, que espiritualmente era seu marido. Deus devotara um amor tão grande por aquele povo que Ele escolhera para ser exclusivamente seu e sua testemunha entre os demais povos (Êx 19.5,6) e salvara da escravidão no Egito (Êx 14.30). Agora este mesmo povo se inclinara a adorar os baalins, os ídolos das nações em redor.

Deus como um marido fiel e amoroso, dera do melhor para sua amada esposa. Alimentos, roupas, óleo,  vinho, bebidas, jóias (Os 2.5,9). Ela fora tratada como uma rainha, conforme também escreve o profeta Ezequiel (16.13). E tudo o que recebera do Senhor, foi utilizado em seu desvario, ao se voltar para os outros "deuses". Israel resolveu dar mais valor aquilo que era vazio, que era vão, sem nenhum valor e que vai desaparecer totalmente (Is 2.18). Mas o Senhor resolve atrair novamente seu amado povo. E resolve levá-los ao deserto.

E é ali que Deus demonstra com mais intensidade Seu devotado e grande amor. As aflições, os problemas, as vicissitudes que a nação como um todo passara, no exílio para Babilônia, curaram da idolatria aquele povo obstinado. Naquela aflição toda, na deportação do povo para os confins de uma nação inimiga, Babilônia, e nos setenta anos que permaneceram ali, pôde o Senhor lhes ministrar em amor. A fim de que se convertessem novamente Àquele que muito os amava.

Da mesma maneira acontece conosco. Deus pode proceder dessa mesma forma, permitindo situações onde nos parece que Ele nos abandonou. Onde nada vemos senão aridez, sequidão, sede, ausência de chuvas, ali está o Senhor em nossa companhia, ministrando-nos como fez apropriadamente com o profeta Elias,  quando este, fugindo de Jezabel, foi refugiar-se no deserto. Mas fora ele voluntariamente que se dirigira ao deserto sem Deus ter lhe enviado. Somente depois que o Senhor mesmo o conduziu a uma caverna em outro deserto, bem distante do anterior, é que pôde Lhe falar, exortando, consolando, ensinando e lhe determinando o que haveria de fazer, como profeta do Deus Todo Poderoso (1Re 19.1-21).

Ainda em Oséias, o Senhor diz assim: "Eu te conheci no deserto, na terra muito seca" (13.5). Aqui é feita alusão ao tempo que o Senhor estivera com sua nação amada no deserto durante a travessia do povo após a libertação da escravidão do Egito. Israel foi muito bem protegido e cuidado durante os 40 anos que permaneceu  em peregrinação. Certamente fora rebelde, mas mesmo assim, o cuidado de Deus demonstrou cabalmente o amor incomensurável que devotava aos descendentes de Abraão (Dt 8.1-4).

Que todo discípulo de Jesus Cristo lembre desse cuidado sem igual. Que Deus igualmente nos ama tanto, visto sermos também povo seu (1Pe 2.9,10) que nos galardoou com inúmeras bençãos, a começar com uma tão grande salvação (Hb 2.3), o qual também nos outorgou o dom do Espírito Santo (Jo 14.16; 15.26; 16.7), esse mesmo grandioso e amoroso Deus deseja relacionar-se conosco continuamente. Se o deserto representa aridez e secura espirituais enviadas pelo Senhor, para que então Ele possa nos falar, não seria melhor mantermo-nos bem próximos a Ele para não ser preciso passar por tal situação desagradável?

Portanto, andar nas pisadas de Jesus, como reais discípulos seus, até pode nos levar ao deserto. Mas não por alguma rebeldia nossa, algum pecado contra o Senhor. Jesus mesmo foi conduzido pelo Espírito Santo estando em total obediência ao Pai (Mt 4.1-1; Mc 1.12,13; Lc 4.1-13). Poderemos ser conduzidos também em nossa vida ao deserto, se o Senhor assim achar necessário. Mas será pelos motivos certos.

Lembremo-nos das palavras do salmista: "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente" (Sl 16.11).

Discípulos amados de Jesus, sejamos todos fiéis e bem achegados Àquele que muito nos amou (Ap 1.5). Que Ele, o Eterno Amado, possa te abençoar nessa semana. Amém!  




         

domingo, 22 de janeiro de 2012

Discípulos de Cristo em meio a uma sociedade hedonista


Não é desconhecido de nenhum cristão o fato de que a presente sociedade em que vive é voltada para satisfação de seus prazeres imediatos. E também que mesmo no âmbito da igreja cristã existem muitos que advogam uma vida cristã aprazível, onde não haja dores, sofrimentos e males de qualquer espécie. O prazer seria o princípio maior a governar suas vidas. A finalidade da existência em todos os seus variados aspectos seria o seu desfrute máximo sem dores ou sofrimentos. A isto dá-se o nome de hedonismo. É a inclinação de buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável. Prazer pelo prazer.

O hedonismo conspira contra o discipulado autêntico em Cristo que deveremos vivenciar. Isto porque ser um seguidor fiel de Jesus terá implicações que nos levarão para longe do que o hedonismo preconiza. Sofrimentos, perseguições, zombarias, xingamentos e rejeições esperam a todos que piamente desejam seguir a Cristo Jesus (2Tm 3.12). No primeiro versículo o apóstolo Paulo nos informa: "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos" ("tempos difíceis" ARA). Se a realidade que nos circunda então, nestes últimos tempos é mesmo dessa forma, como esperar uma vida cristã como se estivéssemos "deitados em um berço esplêndido?"

É potencialmente destrutiva à fé cristã a ideia do prazer à todo custo. Ou do prazer como o bem supremo da vida. Em si, a ideia do prazer não é algo pecaminoso. Todos nós desejamos experimentá-lo. A gratificação prazerosa de nossos sentidos não se constitui em algo mau. Porém, o hedonismo enquanto filosofia de vida do ser humano, viver somente para o prazer, para gratificar os sentidos, buscar o prazer custe o que custar, isso sim é degradante, é mau e é pecaminoso.

É incompatível essa filosofia de vida com o verdadeiro discipulado cristão. O discípulo de Jesus encontrará o prazer em exatamente seguir as pisadas de seu Mestre. Em ser-Lhe fiel. Em se abster dos maus desejos da natureza humana, em deixar a vontade de ter o que agrada aos seus olhos e subjugar o orgulho pelas coisas da vida (1Jo 2.16 NTLH). 

O mundo realmente considera o prazer como o valor maior da vida. A cultura de nossa sociedade é voltada para a busca do prazer em todos os níveis. Isto acaba influenciando o discípulo de Cristo e a Igreja como um todo.   Mas o Espírito de Deus continua a nos chamar, continua a instar conosco para que sigamos as pisadas de nosso Senhor Jesus Cristo e sejamos contraculturais em nossa maneira de viver (1Pe 1.15,16).

"Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus" (Rm 7.22) disse o apóstolo Paulo.  O salmista Davi também disse: "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração" (Sl 40.8). De fato, o verdadeiro prazer que um discípulo de Jesus Cristo encontrará e que é incomparável aos prazeres mundanos e carnais, é o prazer em obedecer a Palavra de Deus. E Jesus é o nosso maior exemplo. Como seus discípulos, aprendemos que Ele mesmo se deleitava em fazer a vontade do Pai. Este salmo de Davi é um salmo messiânico e demonstra o quanto Jesus amava e se deleitava em ser-Lhe obediente.

Por isso que o discipulado requer uma transformação diária em nossa forma de pensar (Rm 12.2). Se isso não estiver presente enquanto caminhamos com nosso Mestre, continuaremos a devotar maior valor à satisfação dos apetites de nossa carne. Continuaremos a gratificar o nosso ego. E nisso, já estará descaracterizado nossa vida enquanto discípulos porque uma marca essencial do seguidor de Jesus é a renúncia pessoal (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 14.26,27).

Não estamos com isso querendo dizer que a vida cristã é uma vida cheia de restrições, proibições, sem alegrias ou que não podemos ter momentos de lazer e recreação (e isso é prazeroso sim). Isto seria ascetismo e legalismo e são igualmente pecaminosos. O que deixamos claro nessa reflexão de hoje é o devido cuidado para não nos deixarmos contaminar por uma filosofia que contempla a busca imediatista do prazer e a supressão de toda dor ou sofrimento como a finalidade do homem nessa vida.

Deus mesmo e seus mandamentos proporcionam aquilo que nada dessa vida pode substituir. Prazer em ser-Lhe fiel nessa vida e a bem-aventurança da eternidade, vivendo para sempre e sempre em Sua gloriosa Presença.

Que você, discípulo de Cristo, tanto quanto eu mesmo, possamos nos apropriar desse gozo inefável, desse prazer inigualável em seguir ao Senhor, mesmo em meio a lutas, sofrimentos e provações. Estamos em um mundo afetado pela Queda e é ilusão pensar que nosso caminho de discipulado estará isento destas coisas. Mas confiemos porque o Senhor por meio de Seu Santo Espírito está conosco todos os dias. Que Deus grandemente te abençoe.  
  

     


domingo, 15 de janeiro de 2012

Quatro disciplinas essenciais para os discípulos de Cristo


Atos 2.42: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações."

Todos sabemos que a primitiva igreja em Jerusalém, muito embora não fosse perfeita (de uma vez por todas, perfeição aqui na Terra é realmente uma utopia), sinaliza para nós hoje muitos predicativos porque o Espírito Santo atuava efetivamente na condução e crescimento dela e aqueles irmãos gozavam de uma alegria e um poder que poucas vezes vemos nas igrejas de hoje.

Nós também discípulos de Cristo como eles, podemos e devemos aprender com aqueles irmãos. Desnecessário dizer que, o fato de estar registrado no livro de Atos a vida daquela comunidade de discípulos e irmãos, já é motivo mais do que suficiente para atentarmos em tudo o que o Espírito Santo mandou Lucas registrar por escrito para que pudéssemos ler, meditar e aprender.

No versículo em epígrafe, de fato encontramos quatro disciplinas espirituais que são essenciais em nosso caminhar com Jesus. 

A primeira refere-se à "doutrina dos apóstolos". O ensino ministrado pelos apóstolos foi fundamental para a saúde da igreja em Jerusalém. Era um ensino não somente teórico, mas calcado em vivência, em praticidade. Com autoridade e com muitos sinais e maravilhas, os apóstolos viviam e ensinavam a doutrina cristã conforme  o Cristo ressurreto havia dito que deveriam fazer (Mt 28.19,20).

A segunda refere-se à "comunhão" que exige o compromisso fiel de permanecermos juntos mesmo que aconteçam conflitos, opiniões diversas e relacionamentos complicados entre os discípulos. A palavra comunhão é composta de outras duas, comum e união e nos ensina que deveremos ser unidos de tal maneira que teremos todas as coisas em comum. É uma disciplina difícil a ser considerada, posto que todos somos fundamentalmente egoístas. O compartilhar tudo o que sou e o que tenho com as outras pessoas, para ser algo verdadeiramente real, deve estar acompanhado de uma profunda e mui íntima relação com nosso Senhor Jesus Cristo.   

A terceira, o "partir do pão". Aqui refere-se propriamente à Ceia do Senhor, posto que mais adiante no verso 46, ocorre a distinção para explicar de que eles faziam suas refeições juntos. A Ceia do Senhor era considerada a atividade central das reuniões da primitiva igreja. Participa-se de Cristo na Ceia (Jo 6.51-58), porque de forma simbólica e sacramental, comemos do pão - Sua carne, e bebemos do vinho - Seu sangue. Isto fala de união com Cristo e estar unido a Cristo significa salvação. Os discípulos da primitiva igreja tinha isso em alta conta, e conosco não pode ser diferente.

A quarta e última disciplina que queremos considerar são as "orações". A igreja em Jerusalém era uma igreja de oração. Oravam juntos e durante muito tempo. Não se tratava aqui de orações esporádicas ou de curta duração, de alguns minutos apenas, mas logo após a ascenção de Jesus, os apóstolos , as mulheres e Maria, mãe de Jesus estavam reunidos no Cenáculo e perseveraram unanimemente em oração e súplicas (At 1.14), até que foram batizados com o Espírito Santo. O texto em 2.42 diz claramente que eles perseveravam em oração. Forte ênfase era dada portanto à oração coletiva, a oração dos discípulos reunidos (At 4.24-31; 12.5,12). A oração fervorosa e coletiva deveria ser algo muito vivo e característico quando os discípulos de Jesus se reunissem para adorá-Lo.      

Estas são portanto as disciplinas básicas e elementares que encontramos no livro de Atos concernente à primitiva igreja de Jerusalém. Nós, discípulos de Jesus no século 21, faremos bem em observar estes ensinos preciosos e importantes para nosso crescimento espiritual. O ensino da Palavra de Deus, a comunhão entre irmãos, participação na Ceia do Senhor e uma vida de oração não só individual mas coletiva também, nos levarão a glorificar ainda mais a  Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor e serão um testemunho para o mundo de um povo diferente, um povo transformado pelo poder de Deus.

Querido e amado discípulo, tome para si esse ensinamento. Sejamos como os crentes da primitiva igreja, perseveremos nessas coisas. Para a maior glória de Jesus, amém.  


domingo, 8 de janeiro de 2012

Discipulado da porta estreita ou da porta larga?


"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." (Mateus 7.13,14)


Temo que muitos nos dias de hoje estejam procurando um discipulado que tramita pela porta larga. É é tão larga que desemboca no caminho largo. E é dessa forma que se encaminham para a não-vida. Porque o discipulado da porta estreita e do caminho estreito tem a marca da VIDA! Vida em Jesus.

O desconhecimento dos pressupostos deste discipulado no meio cristão são gritantes. Crentes que não obedecem à Palavra de Deus em sua integridade, estão entrando pela porta larga. Crentes que ainda permanecem com algum pecado predileto em suas vidas, estão entrando pela porta larga. Crentes que não fazem mais distinção entre os caminhos de Deus e os caminhos do mundo, estão entrando pela porta larga. Crentes que não consagram mais inteiramente sua vida ao Senhor, já entraram pela porta larga e andam no caminho largo.

Devido ao abandono dos princípios das Escrituras, muitos hoje estão tendo um discipulado às avessas. Afinal, ser discípulo é ser aluno do melhor Mestre que pode o ser humano ter, o Senhor Jesus Cristo. Aprender dEle a cada dia e sendo assim transformados em nossa interioridade. Cada dia mais sendo parecidos com Ele. E, consequentemente conhecendo a Deus mais e mais.

O Catecismo de Westminster indaga em sua primeira pergunta: Qual é o fim supremo e principal do homem? A resposta é: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre. Há uma suprema finalidade na existência humana e é a tremenda realidade de glorificar a Deus e alegrar-se na Sua santa Presença. A vida de muitos ditos cristãos não é exatamente abundante como Jesus prometeu (Jo 10.10) porque, ao optarem em entrar na porta larga e andarem no largo caminho, perdem tudo o que teriam se escolhessem a opção correta.

Por isso torna-se tão fundamental o discipulado do caminho estreito, após ter entrado o discípulo pela porta igualmente estreita. Esse é o caminho que leva à verdadeira vida. E nisso, não existe meio-termo. Não existe negociata ou barganha com Deus. Não existe atalho.

Ser discípulo não é fácil. Porque andar em um caminho apertado também é difícil. É com dificuldade que se passa por uma porta estreita, diminuta e agora deve-se manter no caminho proposto sem jamais cair na tentação de transferir-se para um caminho mais largo, logo, confortável e com muitos atrativos, com uma paisagem agradável aos olhos, mas que ao final conduzirá a um destino irremediável.

Considere seriamente sua vida com Jesus, faça um profundo exame (2Co 13.5). Estás sendo um real discípulo dEle? Ou tu pensas que és discípulo, que és Seu aprendiz, mas te desviastes do bom e difícil caminho estreito para saciares teus apetites no aparentemente bom e fácil caminho largo do mundo?

Devemos permanecer na fé que de uma vez por todas nos foi dada (Jd 3). Aqueles que escolhem viver nessa fé bíblica, verdadeira e sem mistura de qualquer espécie, sabe o que o Senhor Jesus disse em João 16.33, de que teríamos aflições no mundo e também o que o apóstolo Paulo escreveu em 2 Timóteo 3.12 de que todos os discípulos de Cristo, que querem viver de uma maneira piedosa, que porfiam em viver de maneira santa, que agrada a Deus, certamente sofrerão perseguições.

Esse é o caminho estreito do discipulado da porta estreita. Considere isso nessa segunda semana de 2012 que está se iniciando para que o Nome do Senhor seja glorificado em sua vida.

Que o Senhor da glória te abençoe muitíssimo.

O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...