sábado, 26 de dezembro de 2009

O embaraço e o pecado na vida do discípulo


Hebreus 12.1: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.”

Vamos discorrer sobre duas coisas que ocorrem em nossas vidas de seguidores de Jesus e que merecem uma atenção concentrada: embaraço e pecado.

O que seria o embaraço para o discípulo de Jesus? A versão que utilizamos a ACF - Almeida Corrigida e Fiel faz uso deste termo que na Almeida Revista e Atualizada (ARA) é peso, na Nova Versão Internacional (NVI) e na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) é usada a expressão tudo o que nos atrapalha, e na Almeida Séc. 21 usa-se tudo o que nos impede de prosseguir.

Estes exemplos podem nos ajudar a compreender o que o autor da epístola aos Hebreus quis nos dizer sobre as palavras em destaque. Sabemos que o pecado é o que nos separa de Deus. Quem anda em pecado não pode agradar ao Senhor que o salvou. O pecado está bem definido, cremos, em toda a Bíblia Sagrada. Sabemos que pecado é errar o alvo que Deus traçou para a nossa vida, é transgressão da lei de Deus, é iniquidade, é praticar coisas que são abomináveis aos olhos divinos. Mas, e quanto ao embaraço, ou peso? Na NVI, antecipando a expressão tudo o que nos atrapalha encontra-se o termo livremo-nos e na NTLH antecipando encontra-se a construção deixemos de lado. Na Almeida Séc. 21, antecipando tudo o que nos impede de prosseguir encontramos a palavra eliminar.

Isto posto, entendamos o seguinte: Embaraço ou peso na vida do discípulo é tudo o que o atrapalha ou o impede de prosseguir e deve ser deixado ou eliminado, assim como o pecado.

O embaraço ou peso, não é necessariamente um pecado que estejamos cometendo. Não significa que estejamos a transgredir a lei de Deus, ou a cometer algo abominável aos Seus olhos. Mas sim, algo que pode enredá-lo e deixar a sua carreira espiritual atrasada. Pode paralisá-lo em sua corrida rumo ao alvo Fp 3.13,14. Nesta passagem Paulo diz: …esquecendo-me das coisas que atrás ficam.” Estas “coisas” são exatamente os pesos, os embaraços e o pecado. O crente se envolve com aspectos desta vida que são um estorvo para sua caminhada com Cristo. Pode ser um envolvimento em demasia com sua família, ou profissão, ou estudos, ou seu hobby favorito. Até mesmo pode ser seu envolvimento ministerial, suas funções na Igreja, por paradoxal que seja isto, pode muito bem também constituir-se em embaraços para sua carreira cristã.

Devemos lembrar que, se somos discípulos ou seguidores de Jesus Cristo, devemos cuidar com nossa vida para que tudo o que façamos seja para a glória de Deus (1 Co 10.31). A advertência amorosa de Deus em Hebreus é para que sejamos prudentes, vigilantes e, sem desanimar, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta. É uma carreira árdua, mas é uma carreira gloriosa a do servo de Deus. O que Deus deseja é que estejamos como o soldado bem aprontado e sempre disposto a agradá-lo (2Tm 2.4).

Querido discípulo, faça estas considerações agora, quando estamos prestes a encerrar mais um ano. O Senhor te ajude para que você deixe todos os embaraços e o pecado em sua vida e inicie 2010 na perspectiva de uma carreira bem corrida segundo a vontade de Deus.

Que Deus abençoe você.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cuidando dos neo-discípulos antes do batismo


Existem hoje igrejas e ministérios que se notabilizam por descer às águas neo-discípulos de Jesus Cristo, sem antes submetê-los a uma profissão de fé para constatação de suas convicções.

Por causa disto, tem acontecido problemas com alguns destes que ainda não estavam bem certos de que era realmente isso que desejavam. Foram apenas convencidos e não verdadeiramente convertidos.

Quando lemos o livro de Atos, constatamos que tão logo alguém se convertia a Cristo era logo batizado. Isto se dava pelo fato de que a maioria dos conversos eram oriundos do Judaísmo e possuía um certo fundamento para compreender as demandas do Evangelho. A história da Igreja Cristã demonstra que, à medida que mais e mais gentios eram alcançados pela fé cristã, vai se tornando necessário um período de preparo e prova antes da ministração do batismo. Este período é denominado de “catecumenato”. Na língua grega, katechowmenos é um adjetivo com a função verbal de katechein (literalmente, instruir de viva voz e, no uso cristão, ensinar oralmente a fé). O termo passou para o latim como cathechumenus. Em sentido literal, “catecúmeno” é, portanto, aquele que ouve o ensinamento da fé. Em sentido técnico, o termo designa aquele que é candidato ao batismo e, por conseguinte, catecumenato é o período de instrução e de preparação para o seu recebimento.

No princípio do terceiro século, este período durava uns três anos. O catecúmeno recebia instrução acerca da doutrina cristã, e tratava de demonstrar firmeza de fé em sua vida diária. Por fim, pouco tempo antes de seu batismo, era examinado – às vezes em companhia de seus instrutores, ou padrinhos – e era admitido na categoria dos que estavam prontos para serem batizados.

Acredito firmemente que há um desleixo quase que generalizado com este aspecto tão importante da vida da Igreja que é a admissão de novos membros pela via do batismo. Havia nos dois primeiros séculos da vida da Igreja este zelo como vimos. Acredito que se fosse realmente cumprido este período probatório, (a duração deste período seria algo a ser considerado), faria com que fossem gerados discípulos de Jesus Cristo muito mais comprometidos, convictos de sua fé e que dessem muitos frutos para o Reino de Deus. No entanto, aqui e ali, prevalece a prática de se batizar logo os novos convertidos para que sejam de imediato acrescidos ao rol de membros da igreja. Isto é um erro porque está sendo priorizada a quantidade, o enchimento, o inchaço da igreja em detrimento da qualidade da fé daqueles que a abraçaram.

O acompanhamento da vida do novo convertido é fator importantíssimo. Igrejas há que apenas orientam ao novo crente para que começe a vir aos cultos de domingo, aos cultos de jovens, reuniões de oração, Escola Dominical, etc. Sua instrução, seu crescimento, seu acompanhamento até que chegue o dia do batismo, inexiste quase que completamente. É certo, que pela misericórdia de Deus, muitos hoje (inclusive eu), estão firmes e dando frutos para a glória do Senhor, mas há um contingente grande nas várias igrejas e denominações que são cristãos mal orientados, mal formados, sem convicção, com vícios e muitos até não possuem certeza de sua salvação.

Se você que lê estas linhas é pastor, peço humildemente que considere o que está aqui escrito. Amamos a Igreja do Senhor e amamos aos irmãos e nosso desejo, como é também o desejo de Cristo, é de que haja um adequado procedimento quanto aos novos convertidos antes de que desçam às águas batismais. Para o bem deles e para o bem da Igreja.

Nunca esqueçamos que o batismo simboliza os atos redentores de Jesus Cristo: Imersão=morte; Submersão=sepultamento; Emersão=ressurreição. Até chegar a este dia tão rico e pleno de significado espiritual, o neo-discípulo precisa ser bem encaminhado para que de fato, ao descer às águas, tenha um testemunho autêntico e irrepreensível e uma convicção bem arraigada. Este testemunho e esta convicção só poderão ser bem aquilatados exatamente durante o período probatório.

Que Deus abençoe você ricamente em sua trajetória cristã.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A autoridade do discípulo em nome de Jesus


O crente em Jesus Cristo possui autoridade! Para alguns discípulos, isto soa de forma natural e saudável, para outros, é um fato desconhecido, e para outros tantos é considerado de forma extremista e presunçosa. É importante frisar, antes de tudo, que esta autoridade de fato foi conquistada para o crente quando da morte do Filho de Deus na cruz. Paulo diz em Colossenses 2.15 que Jesus despojou os principados e potestades e publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. E o escritor aos Hebreus no cap. 2 verso 14 afirma que pela morte de Cristo, o diabo, detentor do império da morte, foi aniquilado.

Todavia, é preciso condiderar adequadamente as instruções da Palavra de Deus sobre a atuação de Satanás e de seus demônios após a vitória de Jesus na cruz. Em primeiro lugar, o termo aniquilasse como está vertido na passagem de Hebreus em apreço, não está significando destruição total do diabo. O termo grego katargeo é formado por duas palavras: kata “abaixo de”, “por toda parte”, “de acordo com”, “com respeito a”, “ao longo”; e argeo “estar ocioso”, “inativo”, “demorar-se”, “atrasar”. Claramente então é percebido que a expressão não dá ideia de destruição total, mas de inoperância. Satanás foi aniquilado em seu poder, mas é óbvio, pela Palavra de Deus, de que ainda está atuante no mundo e, portanto, devemos estar precavidos contra sua ação maléfica.

Isto considerado, o que a Bíblia demonstra de maneira cabal é que estamos envolvidos em uma guerra de caráter espiritual, mesmo que queiramos ignorar isto. Todo discípulo de Jesus deve seriamente pensar sobre este fato, até porque se ele não faz esta consideração, já estará em grande desvantagem. Passagens como 2 Coríntios 2.10,11; 10.3-5, Efésios 6.11-13 nos advertem que há uma luta contínua do diabo e dos demônios contra os servos de Deus. E isto demonstra que podemos e devemos exercer nossa autoridade como crentes em Cristo.

Uma nota de equilíbrio é necessária nesta questão. Há muitos crentes, pastores ou não, presunçosos, que exercem esta autoridade sem considerar o que diz a Palavra de Deus. Naturalmente, demônios não devem ser entrevistados, demônios devem ser expulsos. Muitos querem demonstrar sua “autoridade” sobre as entidades do mal, entrevistando, questionando e nada disso está autorizado pela Palavra de Deus. Outros, fazem as chamadas orações de “determinação” para as curas de enfermidades ou resolução de problemas ou para que a benção de Deus venha sobre a pessoa: “Eu determino” que assim e assim aconteça, que esta doença seja curada agora, etc. Nestes casos, não se considera a vontade de Deus para a vida daquela pessoa. A soberania de Deus é deixada de lado em nome da autoridade pretensa de quem está orando, “o grande homem de Deus”, “o pastor ungido” e por aí vai.

Vamos ao que dizem as Escrituras: Jesus chamou aos seus discípulos em Mateus 10 e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos para os expulsarem e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. É fato portanto, que, extensivo a todos os servos de Deus não apenas aos doze apóstolos, somos ordenados e comissionados pelo Senhor Jesus para exercermos esta autoridade. Em Lucas 10.19 está escrito: Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” Em Marcos 16.17,18, o Jesus ressurreto praticamente repete quase as mesmas palavras: E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.”

Vê-se claramente que o poder e autoridade exercidos pelo cristão é um poder e uma autoridade delegados pelo Senhor. Se fosse minha autoridade, meu poder, sairia por aí e curaria a todos, a começar pela minha família, amigos, enfim. O que desejo deixar bem esclarecido é que o poder e a autoridade derivam de Deus. Ou seja, Ele tem o controle sobre isso. Não tenho autoridade por mim mesmo. É interessante notar o que Jesus respondeu a Pôncio Pilatos como está registrado no evangelho de João 19.10,11, Jesus estava em silêncio diante de Pilatos e este falou que tinha poder tanto para O crucificar como para O soltar. Ao que Jesus então respondeu: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado.” Assim, fica terminantemente estabelecido que não só o poder é derivado de Deus como devemos exercê-lo sob sua soberana vontade.

Eu e você, discípulos do Senhor Jesus Cristo, temos autoridade espiritual. Mas que essa autoridade seja exercida como Deus quer e não presunçosamente. E que sejamos como o apóstolo Paulo em Atos 19.11-16 onde é descrito o que o Senhor fazia através da vida deste grande servo de Deus e como aqueles judeus presunçosos tentaram expulsar o demônio de um homem, invocando o nome de Jesus para isso. Porém, Lucas, o autor de Atos, deixa bem registrada as palavras do demônio: “Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo, mas vós, quem sois?” Aqueles sete judeus tiveram que bater em retirada, envergonhados, nus e feridos pelo endemoninhado. Aprendemos por este episódio que nossa vida deve estar em conformidade com as ordenanças do Senhor, deve ser uma vida de inteira consagração a Deus, porque haverá o reconhecimento até do mundo espiritual de nossa autoridade sobre os espíritos malignos. A vida santa em submissão às Escrituras, autentica a autoridade de qualquer crente em Cristo.

Sejamos obedientes então à Palavra de Deus. Ela é a nossa única regra de fé e prática também na questão de nossa autoridade espiritual. Cuidado com aqueles que exercem uma pretensa autoridade, será que suas vidas estão em conformidade com a vontade do Senhor de toda a terra?

Que Deus abençoe você com toda sorte de bençãos, conforme Sua boa, agradável e perfeita vontade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Embora discípulos, podemos ainda pecar


Sim, e é bom que de uma vez para sempre vivamos com esta consciência para que possamos escapar incólumes das tentações que de um jeito ou de outro vamos sendo alvo.

A intenção primordial do Inimigo é de que caiamos. Não uma, mas vezes seguidas. E ele se empenhará nisto e tudo fará em prol disto. E não poupa munição em se tratando de manter um seguidor de Cristo caído, prostrado, inoperante, acabrunhado, totalmente anulado em sua fé e em sua vida pró-Evangelho.

Pecamos porque, embora redimidos, nosso coração é por natureza mau. Foi o próprio Jesus quem declarou esta verdade (Mt 15 e Mc 7). E, com toda franqueza, não podemos admitir que não sejamos assim porque desde criança, o ser humano inclina-se para a maldade (Pv 22.15). As palavras do apóstolo Paulo em Romanos 7 reforçam o argumento: "Porque eu sei que em mim, isto é na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo" (vs. 18-21).

Em nossa cotidiana caminhada com o Senhor Jesus, necessário é que o busquemos, que estejamos sempre em obediência à Sua Palavra. Ele disse: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26.41). Seguindo a Jesus bem de perto, podemos com a ajuda do Espírito Santo, prosseguir numa vida de vitória contra a carne (Rm 8). O discipulado genuíno não nega as fraquezas, não faz vista grossa aos seus erros, não vive tentando negar o óbvio.

Na verdade, o discipulado caracteriza-se como sendo genuíno, quando o discípulo conscientiza-se a cada momento de que seu dever é aprender a ser como Jesus é. Se não for assim, se não acontece desta forma, não há discipulado cristão genuíno, porque sua realização plena se dá quando me proponho a aprender a ser como Jesus, sob a direção do Espírito Santo.

Irmãos, todos nós temos dificuldades em nossa vida cristã. Creio que é possível vitória em todas as lutas porque o Senhor não permite que sejamos tentados além do que podemos suportar (1Co 10.13). O propósito de Deus em permitir tentações, do mundo, da carne e do diabo, é para que as vençamos e cresçamos assim em santidade. Tiago nos diz assim: "Meus irmãos, considerai motivo de grande alegria o fato de passardes por várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz perseverança; e a perseverança deve ter ação perfeita, para que sejais aperfeiçoados e completos, sem lhes faltar coisa alguma" (Tg 1.2-4, Almeida Séc. 21).

Cuidemos portanto com nossa vida de santificação, sabedores que temos uma natureza pecaminosa, fraca e que podemos sim, mesmo seguidores do Senhor, ser atraídos e seduzidos pelo nosso próprio desejo, ou, nossa própria cobiça ou concupiscência (Tg 1.13-16). Os meios da graça ainda são a oração e a leitura e meditação nas Escrituras.

Que o Senhor te abençoe hoje e sempre, amém.

sábado, 28 de novembro de 2009

Cristãos amorosamente fraternos


"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão,
é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao
qual viu, como pode amar a Deus a quem não
viu? E dele temos este mandamento: que quem
ama a Deus, ame também a seu irmão."

1 João 4.20, 21

O amor fraternal na Igreja de Cristo deve ser altamente enfatizado. Isto porque, Jesus Cristo juntamente com os doze discípulos, priorizou esta verdade. Iniciando com os primeiros discípulos e chegando a nós hoje, a ordem do Senhor é uma só, que nos amemos uns aos outros, ouçamos as próprias palavras Dele: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (Jo 13.34, 35).

Como então alguém chega a ser reconhecido como discípulo de Cristo? Exatamente desta forma, amando a seu irmão em Cristo Jesus. O Senhor deixou claríssimo este ponto. Não há porque fazermos de forma diversa ao que Jesus ordenou. Devemos amar ao nosso irmão, igualmente seguidor de Jesus, igualmente discípulo como nós também o somos.

Eu confesso que tenho dificuldades para amar a meu irmão em algumas oportunidades. Quando este irmão me ofende, me hostiliza, me menospreza, me discrimina (sim, isto acontece na Igreja também, infelizmente!). Ou, quando eu mesmo assim faço, também tenho consciência de que ele terá dificuldades comigo. O que fazer então? A solução passa em estarmos obedientes ao que as Escrituras dizem para vivermos em harmonia com nosso semelhante, apesar de sermos quem somos, com nossas tendências pecaminosas.

O apóstolo Paulo, em Ef 4.2 diz-nos que devemos andar com toda humildade e mansidão, com longanimidade e suportando-nos uns aos outros em amor. Em Cl 3.13, ele fala da mesma maneira, para que suportemo-nos e perdoemo-nos mutuamente e revestindo-nos do amor que é, ele diz, o vínculo da perfeição.

O apóstolo Pedro em sua primeira epístola 1.22 ensina-nos que nossas almas são purificadas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido. E ele ordena: "Amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro." E em 3.8,9 ele ainda exorta a termos todos um mesmo sentimento, sendo compassivos, amando aos irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis e não tornando mal por mal ou injúria por injúria, mas bendizendo. E em sua segunda epístola, 1.5-7, falando sobre a prática das virtudes cristãs, cita o amor fraternal como uma dessas virtudes a serem cultivadas.

O apóstolo Tiago em sua epístola cap 4 verso 11 adverte para que não falemos mal uns dos outros.

O apóstolo João, além dos versículos em epígrafe, demonstra amplamente em sua primeira epístola, como devemos de fato amar ao nosso irmão, e que se isso não ocorre, ou seja, se o odiamos, ele é categórico em afirmar que estamos em trevas e estamos cegos, 2.10, quem não ama a seu irmão permanece na morte, 3.14 e é homicida, v. 15. Se não amamos ao nosso irmão e ainda dizemos que conhecemos a Deus, somos mentirosos, diz João em 2.4.

Portanto irmãos, somos amplamente admoestados para que pratiquemos o amor fraternal porque é um imperativo do Senhor. É evidente que em nosso caminho de discipulado, tropeçaremos neste aspecto tão importante, mas não devemos desanimar porque o Espírito Santo, conforme Fp 1.6 certamente completará sua boa obra em nós.

Finalizamos esta breve palavra citando ainda o apóstolo João: "Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor." (1Jo 4.8).

Que todos nós, sem exceção, possamos andar assim à semelhança de Deus. Fique no amor de Deus. Pratique o amor de Deus. Viva o amor de Deus. Amém.





domingo, 22 de novembro de 2009

Discípulo como Deus quer e não como eu quero


Passamos algumas semanas neste espaço a destacar as marcas de um discípulo autêntico conforme nos afiança a Palavra de Deus. Espero que de alguma forma você possa ter sido edificado com nossas reflexões.

Apesar de arrolarmos sete características, sete marcas, cremos que haveria muito mais a expormos, mas o Espírito Santo mesmo inspirará a outros servos de Deus para que tragam à lume outras expressões que caracterizam um seguidor de Jesus Cristo.

O discipulado cristão segue uma dinâmica que lhe é peculiar, isto porque nenhum de nós que nos identificamos com O Senhor Jesus podemos seguir-lhe segundo nossas próprias normas. É um absurdo e altamente improvável que, se você faz isso, ainda não tenha entendido o sentido do discipulado: "E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo" como disse o Senhor em Lc 14.27.

Portanto, hoje, mais do que nunca, precisamos seguir a Jesus de uma maneira adequada, que expresse realmente a obediência e o apreço devidos à Palavra de Deus. Há muitos que se dizem cristãos, crentes, discípulos, seguidores mas que fazem da sua vida cristã exatamente isto: Sua vida cristã. Ou seja, a vida que vivem ainda é deles e não de Cristo conforme Paulo expressou em Gálatas 2.20: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Isto significa de maneira clara que, se vivemos, vivemos em Cristo. Não temos mais que obedecer aos valores da vida antiga em que vivíamos.

Deus é tolerante e continuará a aguardar até que entendamos pelo Seu Espírito que, para agradá-lo, é necessário humildade no reconhecer a dependência e a entrega total a Ele.

Hoje deixo a você, servo de Cristo, esta palavra que primeiramente falou a mim e desejo que igualmente fale com você.

"Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo,
é liberto do Senhor. e da mesma maneira também o
que é chamado sendo livre, servo é de Cristo.
Fostes comprados por bom preço; não vos façais
servos dos homens."

1 Coríntios 7.22,23

Que Deus te abençoe ricamente, a Paz do Senhor para você!

sábado, 14 de novembro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Liberdade (7)


Muito prezada em todo ocidente, a liberdade é a sétima marca do discípulo autêntico de Jesus Cristo que passaremos a discorrer agora. O apóstolo Paulo afirma em 2 Coríntios 3.17: "Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." Como templo do Espírito Santo, o crente em Jesus possui um privilégio grandioso pelo fato sublime de ser morada do Espírito de Deus, possui liberdade plena em sua vida. Esta liberdade é um sentimento de paz e de segurança por saber de que ele, discípulo de Jesus, não é e não pode ser tiranizado nem por sua natureza pecaminosa, nem por outras pessoas ou o sistema de mundo que o rodeia, nem por Satanás, seu grande inimigo.

É uma marca distintiva do cristão porque éramos de fato escravos do pecado e de Satanás, que como diz o escritor aos Hebreus cap. 2 versos 14 e 15, estávamos sujeitos à servidão por medo da morte, sendo o diabo o que tinha o império da morte. Por isso, nos infundia terror e nos escravizava, portanto. Mas o divino libertador, Jesus Cristo, conforme Lucas 4.19, nos libertou, aleluia.

De maneira que, hoje, conforme mais uma vez, Paulo, em Gálatas 5.13 afirma, fomos chamados à liberdade, mas devemos nos precaver para que não usemos desta liberdade para dar ocasião à carne e esta preciosa dádiva se torne então em libertinagem. Ainda o mesmo apóstolo nos exorta de maneira magistral em 1 Coríntios 7.21-23 de que por meio de Jesus, fomos chamados para sermos libertos, o contexto em que foi escrita esta epístola era o do Império Romano onde havia a instituição da escravidão, então Paulo informa que, mesmo sendo escravo, todavia o crente era livre no Senhor, e o que era chamado pelo Senhor, sendo livre, tornava-se servo de Cristo.

O verso 23 é vertido desta maneira na Almeida Corrigida Fiel: "Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens." Desta maneira, creio que todo discípulo de Jesus, deve meditar muito nesta passagem porque não devemos nos deixar enredar e ser escravizados por opiniões de homens, mesmo homens que podem ser nossos líderes na Igreja, porque o nosso compromisso antes de tudo, é com Jesus Cristo e Sua Palavra. Há muitos hoje nas igrejas que estão acorrentados a opiniões, muitas delas não condizentes com a verdadeira Palavra de Deus, e assim a liberdade que temos em Cristo fica aviltada por causa deste lamentável estado de coisas.

Que você possa então pensar na preciosidade de sua liberdade em Cristo. Com a palavra mais uma vez, o apóstolo dos gentios: "Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm 6.22).

Agora, fomos chamados e libertados por Deus, e vivendo esta vida plena de liberdade produzimos o fruto do Espírito: amor, alegria paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé mansidão e domínio próprio (Gl 5.22) . Somente o autêntico discípulo de Jesus produz este fruto exatamente porque está sob a liberdade que Deus mesmo por meio de Cristo lhe proporcionou.

Meu irmão, minha irmã, tenha uma vida plena na liberdade do Espírito Santo. Não se acorrente a ideologias humanas, até às suas próprias. Se você é um autêntico discípulo de Cristo, saiba que é um liberto, não mais escravo. Deus te abençoe e tenha uma ótima semana na liberdade dos filhos de Deus.

domingo, 8 de novembro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Louvor e Ação de Graças (6)


O louvor e as ações de graça são marcas do discípulo que trataremos como uma só nesta ocasião. O texto inspirado de Hb 13.15 diz: "Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome."

Por causa do sacrifício perfeito de Jesus pelos nossos pecados, temos a obrigação e o privilégio de oferecer o sacrifício de louvor, de agradecimento, de nossos lábios a Deus. As ações de graça ou a gratidão assim como o o louvor fazem parte inseparável da vida do discípulo de Cristo sendo reconhecida também como uma de suas marcas distintivas.

Jesus ensinou-nos, na oração modelo do Pai Nosso (Mt 6.9-13) de que devemos abrir a porta da vida de oração com louvor: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade." E Ele fechou a porta de oração com louvor: "Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém." Isto porque, tanto ao entrarmos como ao saírmos de nosso lugar de oração estaremos focando unicamente a Deus.

Este ensinamento de Jesus sobre o louvor e a gratidão aponta para duas verdades inabaláveis. Em primeiro lugar, o louvor é a resposta à grandeza de Deus e em segundo lugar a gratidão ou ação de graças é a resposta à bondade de Deus. Ambos, louvor e gratidão estão intrinsecamente relacionados. Como discípulo de Jesus Cristo e à semelhança d'Ele, devo expressar plenamente em toda minha vida e em tudo o que eu fizer, o louvor e as ações de graças devidas a Deus.

O Senhor Jesus afirmou que devemos ser como crianças para herdarmos o Reino de Deus. E quando entrava triunfalmente em Jerusalém cf Mt 21.16, Ele disse, fazendo eco com Sl 8.2 que da boca das crianças é que vinha o perfeito louvor. Portanto, nós, numa vida de humildade, de entrega, de total submissão ao nosso Pai Celestial, como crianças que confiam plenamente em seu pai, poderemos expressar este perfeito louvor que será aceitável a Deus.

O discípulo de Jesus sempre deverá ter um coração grato. Por tudo que Ele realizou por nós e continua a realizar em nós. Não é possível ser seguidor de Jesus e ser um ingrato, um mal-agradecido. Isto demonstra que não reconhecemos o que Ele tem feito em nossa vida. Note os dez leprosos que foram curados (Lc 17.11-19), somente um voltou a Jesus para glorificar a Deus, expressando desta forma sua gratidão pela saúde restaurada.

Assim, que possamos ser como Davi, que disse no Salmo 50.23: "Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará." O livro de Salmos é uma demonstração contínua de louvor e ação de graças a Deus que o Espírito Santo inspirou para que vivamos integralmente nesta dimensão em todo nosso viver porque verdadeiramente Deus é digno de louvor.

Apocalipse 5.12,13: "Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto,de receber o poder, e riq uezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra,e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre."

Que você possa considerar isso em seu coração discípulo de Cristo, Amém!

sábado, 31 de outubro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Serviço (5)


Jesus Cristo viveu uma vida de inteiro serviço a Deus conforme nos afiançam as Escrituras. No livro do profeta Isaías, o capítulo 53 é conhecido como a passagem do Servo Sofredor. O seguidor sincero de Jesus há de compreender que seu Mestre e Senhor foi um servo na plena acepção da palavra.

Sendo desta forma, todo discípulo de Cristo, tomando-lhe como exemplo supremo, deverá da mesma maneira evidenciar esta marca identificadora em sua vida. Filipenses 2.7 sem meias-palavras afirma categoricamente que Ele tomou a forma de servo. A magistral passagem do lava-pés em João 13 declara o caráter de serviço que Cristo assumiu plenamente e com toda humildade. E é nesta passagem que Ele deixa o ensinamento de que assim como Ele, sendo Senhor e Mestre, efetuou a lavagem do pés dos discípulos (incluindo Judas Iscariotes), também da mesma maneira deveríamos ter igual intenção e serviço uns com os outros.

Em Filipenses 2.4 Paulo ensina que não devemos cuidar apenas de nossos próprios interesses, mas de igual modo, deveríamos cuidar dos interesses dos outros. Desta forma, fica bem claro de que um legítimo seguidor de Cristo é um servo, alguém que foi chamado pelo Senhor para imitá-lo, procurando de todas as formas o bem estar de seu próximo.

Este serviço em favor de outrem é movido pelo amor, porque pode ser que alguém seja um servo mas sua motivação é farisaica, no sentido de que espera o aplauso dos outros, é um serviço prestado inteiramente por esforços humanos. Seu fim é a glorificação do próprio indivíduo.

Sejamos servos por amor. Esta marca de um discípulo autêntico gera a humildade em nosso ser porque visamos o bem dos outros em detrimento até, muitas vezes, de nosso conforto próprio.

Foi desta forma que Jesus andou entre nós e é assim que Seus discípulos devem andar. Não há outra maneira porque somos seus seguidores e, portanto, imitadores.

Amado servo de Deus, que Ele abençoe sua vida nesta semana e você possa ser inteiramente servo por amor assim como Ele te serviu, morrendo na cruz do Calvário por ti. Amém.

sábado, 24 de outubro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Esperança (4)


Esperança. Sem ela não poderíamos viver. A firme confiança em Deus e o futuro glorioso que Ele reservou aos que Lhe são fiéis, faz com que todo discípulo fiel de Jesus viva exultantemente. Esta marca no cristão está atrelada à alegria porque vai gerar esta e mantê-la em meio às adversidades naturais de nossa existência.

Contemplamos todos os dias inúmeras situações de sofrimento, dor, morte, que grassam entre os homens, mas, apesar disto tudo, há esperança em Deus. É singular esta esperança porque está fundamentada nas promessas de Deus para os que fielmente servem-No. O discípulo de Cristo desprovido de esperança em verdade não conhece Aquele que por ele morreu e ressuscitou. Seu olhar está voltado somente para a transitoriedade desta vida.

O que pode manter-nos firmes e inabaláveis em meio a todas as manifestações antiDeus e antivida que hoje vislumbramos avassaladoramente? Esperança. Em Deus e em Sua Palavra e Suas promessas. Em Jesus Cristo e Sua obra consumada na cruz. Fé, alegria e esperança caminham juntas, estando inexoravelmente unidas. Porque, se tenho fé no que Deus prometeu sendo Ele perfeitamente poderoso para cumprí-las, como consequência estarei vivendo em esperança e a alegria do Espírito Santo inundará minha alma. Isto faz toda a diferença, destaca-nos dentre todos os demais e muitos poderão indagar o porque desta nossa esperança (1Pe 3.15).

Sendo assim, minha oração é para que todos que seguimos a Jesus Cristo possamos estar plenos desta maravilhosa esperança. O mundo precisa do Evangelho de Cristo porque é uma mensagem real que suscita esperança nos corações de todos os que creem.

"Alegrai-vos na esperança" (Rm 1212a) porque a esperança juntamente com a fé e também o amor (1Co 13.13) é o que permanece e o que distingue de fato um cristão verdadeiro.

Tenha uma semana plena de bençãos e que a abundante esperança do Senhor inunde o seu coração.

sábado, 17 de outubro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Mansidão (3)


Falaremos nesta oportunidade sobre a terceira marca ou característica que atesta um legítimo seguidor de Jesus Cristo, a mansidão. Jesus disse em Mateus 11:29: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas."

Como uma das sublimes características da personalidade do Senhor Jesus, a mansidão é definida como uma atitude interior, do coração, enquanto a gentileza se expressa antes por meio de ações externas. A mansidão é parte componente do fruto do Espírito conforme Gl 5.23 e é produzido somente por meio do Espírito Santo. Portanto, é um estado de espírito de alguém que tem controle e domínio sobre o seu temperamento e atitudes.

Os mansos não se ressentem com a adversidade. Entendem que tudo concorre para o bem (Rm 8.28) e assim, tudo aceitam como parte do propósito amoroso de Deus para suas vidas pelo que também aceitam as injúrias dos homens. O apóstolo Pedro em sua primeira epístola cap. 3 atesta que devemos sim cultivar a mansidão e não pagar mal por mal ou injúria por injúria a exemplo de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Esta marca na vida do discípulo de Cristo é uma das que mais confirmam sua condição de aprendiz do divino Mestre pois Jesus fala enfaticamente, "aprendei de mim." O apóstolo Paulo, recomendando ao seu jovem obreiro Timóteo, disse que se deve repreender ao irmão que erra com mansidão (2 Tm 2.25) e também ter este mesmo espírito quando estamos tratando uns com os outros (Ef 4.2).

Portanto, devemos considerar com toda diligência, em nosso caminhar com Jesus Cristo, se realmente estamos aprendendo com Ele a mansidão. Ela é fundamental em nossos relacionamentos e é fundamental como parte de nosso testemunho. A mansidão é marca distintiva do cristão.

Minha oração é para que você aprenda a ser manso. Como Jesus. Devemos imitá-lo em tudo. Como você tem reagido em face das injúrias? Você tem tido uma postura digna de um seguidor do humilde carpinteiro de Nazaré?

Medite nesta marca nesta semana, veja o que diz a sua Bíblia a respeito e que Deus possa ajudá-lo nesse mister. Ele te ama e quer moldar seu caráter para que vez mais possa ser como Jesus.

Fique na paz do Senhor!

domingo, 11 de outubro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Integridade Pessoal (2)


Queremos discorrer sobre a segunda marca para um discipulado autêntico, a integridade pessoal.

Ser íntegro significa ser inteiro, correto, reto, completo, incorruptível, perfeito, sincero. O discípulo de Jesus deve, mesmo em meio à sua falibilidade e finitude, apresentar esta salutar característica porque emana do próprio Deus. O Senhor Jesus exorta em Sua Palavra: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”(Mt 5.48). Uma condição essencial para que sejamos reais seguidores de Jesus, de poder estar e ficar em Sua presença, porque o Salmo 15, versão de Almeida Revista e Atualizada diz no verso 3 que o que vive com integridade e pratica a justiça e de coração fala a verdade, habitará no tabernáculo do Senhor e morará em Seu santo monte, expressões que denotam estar na presença e em comunhão com o Senhor.

Por isso, reveste-se de fundamental importância na vida de um discípulo de Cristo, que ele seja sincero, que ele seja íntegro. Integridade que consiste em ter um fluxo de pensamentos saudáveis, cultivando aquilo que fala Filipenses 4.8: “Quanto ao mais irmãos, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Por sua vez, isto gerará a boa consciência no cristão evidenciada pelo apóstolo Paulo em 1 Tm 1.19: “Conservando a fé e a boa consciência, a qual, alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.”

Integridade também no que concerne aos nossos relacionamentos com opróximo, quer sejam cristãos ou não: “Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros;” “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe,fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade;” “Mas agora, despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes de vossa boca”(Ef 4.25,28; Cl 3.8).

Resumidamente então, a integridade passa por nossa vida interior – uma mente pura voltada inteiramente para o Senhor, procurando sempre uma contínua corrente de pensamentos que agradem a Deus e integridade também em todo nosso relacionamento com o próximo - as corretas atitudes para com nosso semelhante que evidenciem nossa condição de imitadores de Cristo, tratando portanto a todos como nós mesmos gostaríamos de ser tratados (Mt 7.12).

Discípulo de Jesus lembre-se que fomos chamados para em tudo glorificar ao nosso Senhor (1 Co 10.31). É de fato imprescindível que cuidemos de nossa integridade pessoal, porque a Palavra de Deus fala claramente de nossa corrupção interior (Jr 17..9, Mt 15.18-20). Ter a marca da integridade pessoal, portanto, torna-se fator primordial para ser um discípulo autêntico. Que Deus abençoe você neste dia que nos fez o Senhor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Marcas de um Discípulo Autêntico: Testemunho (1)


Gostaríamos de falar sobre o que pode distinguir um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Pensando sobre isso, acho que há uma característica fundamental que destaca-se em relação a outras mais. Essa característica, essa marca é o testemunho.

O testemunho é fundamental na medida em que compreendemos que testemunha é alguém que tem conhecimento de algo e demonstra-o. É alguém que testifica em uma causa. Note:

1) O discípulo de Jesus precisa conhecê-lo pessoalmente;
2) Sua vida deve demonstrar que é certo o que ele fala sobre Cristo;
3) Ele deve dizer tudo o que sabe acerca de Jesus Cristo que possa favorecer Sua causa.

Este último, o falar a favor de Jesus só alcançará efetividade na medida em que as outras duas sejam realidades tangíveis na vida do discípulo.

Tanto no AT como no NT existe esta palavra, de que o servo de Deus na realidade é sua testemunha (Is 43.10; At 1.8).

Você já deve ter percebido que, se sou testemunha e se devo testemunhar, isto é, falar sobre Jesus Cristo então estamos falando de evangelização. O plano de Deus para todo crente, para todo discípulo de Jesus é de que sejamos suas testemunhas. Para isso o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos reunidos no cenáculo porque segundo Jesus falara em Atos 1.8, eles deveriam receber o poder para então testemunhar.

Portanto, ressalte-se de que ninguém pode dizer que é verdadeiro discípulo de Cristo Jesus se não testemunhar. E ninguém pode testemunhar eficazmente se sobre ele não tiver descido o poder do Espírito Santo.

Creio que, baseado nas evidências neotestamentárias, o fator que tornou aqueles primeiros crentes em Jesus bem sucedidos em seu testemunho foi a alta consideração para a orientação apostólica no que tange ao ministério do Espírito Santo. Isto está tão interrelacionado que Jesus falou em Mateus 10.19, 20 que, se porventura fossem levados perante as autoridades , não deveriam preocupar-se sobre o que falariam porque naquela mesma hora o Espírito Santo lhes concederia o que haveriam de falar, ou seja, de testemunhar.

Assim, o testemunho, reputo como o distintivo primordial em nossa vida cristã. Não estaríamos aqui se alguém não falasse de Jesus, se alguém não proclamasse, se alguém não testemunhasse.

Discípulo de Jesus, você e eu, façamos do testemunho nosso principal identificador. Conhecer a Cristo pessoalmente, demonstrar isto em sua vida cotidiana e falar para outros que não o conhecem é realmente prioritário. Lembremos do que disse Pedro em sua primeira epístola "...para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (2.9).

Então, que Deus abençoe você e o seu testemunho.







sábado, 3 de outubro de 2009

Pastoreio inconveniente para o discipulado autêntico


Conheço um discípulo de Cristo que procurava servir a Deus com fidelidade. Um dia por não vigiar e orar (Mt 26.41), começou novamente a obedecer às concupiscências por deixar o pecado reinar em seu corpo (Rm 6.12). Casado, cedeu aos apelos do pecado existentes no mundo virtual (1 Jo 5.19) e em uma sala de bate-papo conheceu outra pessoa e relacionou-se virtualmente com a mesma por aproximadamente dois meses. Foi atraído e seduzido pelo seu próprio desejo (Tg 1.14) e então este desejo tendo concebido, deu à luz o pecado e o pecado, sendo consumado, gerou sua morte espiritual.

Porém, Deus, que ama ao pecador não desejando que se perca mas que se arrependa (2 Pe 3.9), interviu na situação e este discípulo foi apanhado em seu pecado por sua esposa e confrontado com o mesmo à semelhança do rei Davi (2 Sm 12.1-7). E à semelhança de Davi, veio a arrepender-se (vs 13; Sl 51). O pastor foi informado à respeito pela esposa e o irmão confrontado também pelo pastor, confessou da mesma forma e pediu perdão, assim como pedira à sua companheira.

Nos dias subsequentes ao fato, houveram mais dois encontros daquele pastor com aquela ovelha para que ela fosse fortalecida, curada e ministrada (Ez 34.4).

Depois disto, nunca mais!

Sendo que o pastor não procurou mais a ovelha, nunca mais indagou à esposa como estavam as coisas, limitando-se a cumprimentá-los nos cultos de domingo (quando isto é possível, dada à grande quantidade de membros daquela congregação).

Não procura saber o estado das suas ovelhas (Pv 27.23). O lamentável episódio ocorrido com o irmão já fazem quase dois anos e, exceto nos dois encontros nas duas semanas subsequentes ao fato, não houve mais nenhuma manifestação daquele pastor para aquela ovelha. Pelo contrário, a ovelha até tentou aproximar-se, tentando um contato mais íntimo, mais pessoal, dando a entender que queria recomeçar, que tinha interesse em fazer a obra de Deus, que estava estudando a Bíblia, que tinha (e tem) planos em continuar a trabalhar pelo Reino , a ovelha tinha um trabalho na igreja, inclusive, mais foi e tem sido ignorado pois o que tem prevalecido é a superficialidade, e o desinteresse da parte do pastor pela sua vida. Soube até que a ovelha se propôs a ir à residência daquele líder, mas por algum motivo não foi possível, porém este não foi despertado pela procura que aquela ovelha fazia de seu denominado pastor.

Pode até ser, e não duvido, de que aquele pastor lembre de orar por aquela ovelha e pela esposa e filhos, mas isto é pastoreio com luvas de pelica! É não querer ter o cheiro de ovelhas em suas mãos e em suas roupas.

Esta história real, demonstra o quanto a obra de Deus na vida de alguém pode ser perturbada. Pelos seus próprios deslizes e pecados e por aqueles que, deveriam acompanhar, alimentar, sustentar, cuidar para que aqueles que caíram possam ser restaurados de fato (Gl 6.1-6).

É triste ter de constatar que existem pastores que agem desta maneira. Não se interessam pela vida de suas ovelhas como deveriam, se as veem nos cultos para eles é o que basta pois deduzem então de que tudo deve estar bem com elas e também acham que basta a palavra que pregam para acharem que aquela ovelha estará então ministrada em sua vida.

Nada mais enganoso. Na igreja de Cristo, os relacionamentos são fundamentais, como já dissemos aqui muitas vezes, para o crescimento mútuo. Não é o caso de a ovelha depender do pastor e isso se tornar uma situação de dependência extremada. Mas também não é o caso de o pastor se omitir quase que totalmente da vida daquele irmão que caiu e absolutamente não se interessar em ter uma conversa mais aprofundada com ele, pois cumprimentos, meros apertos de mão ou abraços não significam absolutamente mutualidade ou interação de vidas.

Falha o pastor que assim procede. Falha em seu papel de pai espiritual. E que não dê desculpas sem fundamento de que a igreja cresceu, são muitos os membros e ele não pode visitar. Porventura Deus não o chamou para isso (Jo 21.15-17) ?

Apascentar ovelhas. Isto falta na igreja de hoje muitas vezes. O discipulado autêntico necessita de que pastores autênticos não somente falem sobre isso mas que pratiquem isso. Se a igreja é grande, ele deve, além de dar o exemplo, ensinar aos seus co-pastores e obreiros que isso deve ser feito. Era assim que Jesus fazia com os doze apóstolos.

Meu irmão, é meu desejo em Cristo que se você está passando por situação semelhante, tenha paciência, não deixe de orar a Deus, medite na Palavra e ore pelo pastor e pela igreja.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo seja com todos, Amém!


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Não é vã sua esperança


Fico a pensar se em nossos momentos mais intensos de lutas espirituais, quando parece que todo o séquito infernal arrojou-se contra nós, se lembramos nesta hora de nossa grandiosa e memorável esperança que devemos ter em Cristo.

A nossa fé deve estar firmemente arraigada nas promessas da Palavra de Deus. E uma das promessas que considero a mais gloriosa, que desponta com brilho inigualável é a grande promessa do retorno de Jesus Cristo e de nossa reunião com ele.

Só a nossa lembrança desta promessa, já tem o poder de nos conceder gozo inigualável. Tive, em muitos momentos encontrado consolo e alívio ao passar a trazer à memória aquilo que me dá esperança (Lm 3.21). Claro que lembrarmos de que fomos salvos por Jesus, de que fomos regenerados, santificados, aceitos na família de Deus, tivemos nossos pecados perdoados, nos enche também de enorme alegria. Mas, o breve retorno de Jesus Cristo é o que verdadeiramente inunda nosso coração de uma felicidade sem igual.

Neste nosso mundo sujeito ao Príncipe das Trevas (1 Jo 5.19), onde a maldade cresce e crescerá a cada dia, os cristãos temos, um "segredo" que pessoas que não conhecem ao Príncipe da Paz (Is 9.6) ficam atônitas ao observar a maneira diferente que geralmente demonstramos de encarar a vida, de resolver os problemas, de enfrentar as adversidades.

Por isso também me alegro em lhe dizer, caro irmão, de que não é vã sua esperança! Alegra-te e regozija-te nisto: Jesus breve voltará, e nós estaremos para sempre com Ele (1 Ts 4.13-18).

Todavia, uma ressalva: não somos escapistas. A expectativa do retorno do Senhor, fará com que trabalhemos mais e mais pelo Seu Reino, procurando pregar a cada dia o Evangelho para que muitos tenham a oportunidade de ouvir e arrependerem-se de seus pecados.

Finalizando, convido-o a meditar em Rm 12.12: "Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração".

Que o Deus de toda esperança esteja contigo sempre, Amém!

sábado, 26 de setembro de 2009

A santidade e a solidão


É maravilhosa a vida com Jesus! Ele sempre está ao nosso lado, mesmo em momentos em que pecamos e quebramos esta maravilhosa comunhão. A companhia d'Ele é uma constante em nossa vida por meio do Espírito Santo. Disto sabemos.

Porém, muitas vezes, o verdadeiro seguidor de Jesus se vê sozinho. Ou seja, solitário de companhias humanas. A solidão, como disse o grande A.W. Tozer, parece ser o preço que o santo deve pagar pela sua santidade. Os grandes homens de Deus no Antigo Testamento seguiam por caminhos diferentes da maioria dos homens de sua época e por isso estavam sozinhos, ainda que rodeados de muitas pessoas.

Enoque, por exemplo, viveu num nível de santidade tal que Deus teve de tomá-lo para si, o mundo de então não era digno de um homem como aquele.

De Abraão, notamos no relato de sua vida em Gênesis, até onde nós sabemos, que Deus jamais se dirigiu a ele quando em companhia de outras pessoas. Era a sós, em momentos memoráveis como aquele narrado no cap. 15 que Abraão se deleitava na doce Presença do El Shadai.

Moisés também teve esta experiência do Inefável, estando a sós com Yaweh no monte Sinai 40 dias e 40 noites (Êx 24.18).

Os demais profetas eram diferentes uns dos outros, mas tiveram em comum sua solidão de entes humanos que era na realidade uma solidão forçada. Porquê? Porque, embora amassem ao seu povo e se gloriassem na religião de seus pais, sua lealdade ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó e seu zelo pelo bem-estar da nação de Israel os afastou da multidão, lançando-os em longos períodos de isolamento.

Todavia, a mais reveladora visão provém d'Aquele a quem Moisés e todos os demais profetas escreveram, que seguiu solitário para a cruz e, embora rodeado de seus discípulos e pelas multidões, sua profunda solidão não foi mitigada.

O verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, que entrou na presença divina numa experiência interior real, não conseguirá encontrar muitos que o compreendam. Ainda que desfrute de companheirismo na vida comum da comunidade cristã, um verdadeiro companheirismo espiritual será difícil de encontrar. Sendo peregrino, em sua jornada não encontrará muitos, que, como ele, anseiam em lançar-se aos pés do Mestre.

Essa solidão faz com que aprenda, ministrado que é pelo Espírito do Senhor no recôndito de seu templo interior, o que não aprenderia, ainda que rodeado da multidão. Ele aprende que Jesus Cristo é a real razão de sua existência e fonte de sua incomensurável alegria.

Embora tenhamos falado neste espaço sobre a importância de desenvolvimento de relacionamentos para o crescimento do discípulo de Cristo, e de que o discipulado autêntico não possa prescindir de vivermos em comunidade para que ministremos uns aos outros, estamos falando nesta instância de outra dimensão de nossa vida com Deus que é o cultivo de nosso relacionamento com Ele, de uma verdadeira vida de santidade e que isto pode sim, muitas vezes, fazer com que caminhemos pela senda da incompreensão e do abandono de "amigos" e "irmãos".

Afinal, foi assim que se sucedeu com o nosso Senhor. Lembremo-nos sempre: Não podemos levar a nossa cruz acompanhados. Embora possamos estar rodeados por uma grande multidão, a nossa cruz nos pertence. Ela, a carregaremos sozinhos. Outro não a levará por nós.

A solidão do crente nasce do seu andar com Deus em um mundo ímpio e esse caminhar pode afastá-lo da companhia de outros cristãos e do mundo não-regenerado.

Mas, firme é a palavra de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28.20). Fique firme nesta palavra irmão, em nome de Jesus, Amém!