sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Discípulo, entre no novo ano em plena comunhão com Jesus


Discípulo procure entrar no novo ano em comunhão plena com o Senhor Jesus Cristo. Isto é o básico, é o essencial que deve-se fazer. Todas as demais dimensões de nossa vida dependem de termos a paz e a comunhão com o Senhor atualizadas. Sobre isso não pode haver qualquer dúvida em nós. Nada deve interferir ou se interpor nisso. O pecado, conforme disse o profeta Isaías, é o que faz a separação entre nós e o nosso Deus (Is 59.2). Portanto, devo, como diz o apóstolo Paulo, operar a minha salvação com temor e tremor (Fp 2.12) a fim de evitar o pecado e a consequente separação entre mim e meu Senhor.

Caro discípulo de Cristo, isto é fundamental para você. Não troque sua paz com Deus pela satisfação da carne. Não negocie sua salvação com as coisas efêmeras dessa vida. Não aceite as propostas tentadoras de Satanás, como ele mesmo fez com Jesus (Mt 4, Lc 4). E nós lemos como gloriosamente, o Senhor Jesus venceu todas as tentações resistindo somente com a Palavra de Deus. Fica a lição para todos nós.

Sabemos pela Bíblia e pelo testemunho interior do Espírito Santo de que Jesus não tarda em voltar. Logo, devemos atentar muito bem para as exortações que Cristo nos deixou concernentes à Sua Segunda Vinda. O que Ele mais expressamente nos recomendou, é de que vigiássemos, ou seja, estivéssemos atentos, despertos: "Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor" (Mt 24.42); "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir" (Mt 25.13); "Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo" (Mc 13.33); "Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que vindo de improviso, não vos ache dormindo. E as coisas que vos digo, digo-as a todos. Vigiai" (Mc 13.35-37).

Cada vez mais a iniquidade tem aumentado no coração humano. A Palavra de Deus se cumpre e o tempo se acelera. Deus vai cumprir cabalmente Sua Palavra. Ele trará juízo ao mundo. Ele não deixará de julgar e punir o pecado. O apóstolo Pedro diz em sua segunda epístola: "Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão" e em seguida ele adverte-nos: "Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?" (2Pe 3.10-12).

Fica evidente que necessário se faz o cuidado em nossa relação pessoal com o Senhor. Uma vida de piedade verdadeira. Uma vida de santidade real e não fingida. Por isso, nosso discipulado deve ser algo dinâmico, deve ser mesmo o nosso estilo de vida, posto que somos aprendizes de Jesus Cristo. Somos seus seguidores. Somos cristãos "pequenos cristos" e deveremos imitá-lo sempre. O livro "Imitação de Cristo" de Thomas Kempis defende um discipulado radical exatamente pelo fato de imitarmos a Cristo em tudo.

Comunhão com Deus se dá no dia a dia. E não é uma utopia, é perfeitamente possível. O Senhor mesmo garante-nos o resultado (Rm 8.12-15; Gl 5.22-25). O Espírito Santo precisamente fez em nós Sua habitação e, sendo assim, nos habilita a viver de uma maneira que agrada ao Senhor.

Meu desejo e minha oração é que você renove sua comunhão com Cristo para 2012 e que aprofunde sua vida nEle. Em conhecer a Deus cada vez mais através de uma vida de submissão à Sua Palavra. Tenha certeza que muitos frutos você produzirá para a glória do Senhor.

Então, um feliz 2012 para ti. Em Cristo Jesus!



domingo, 27 de novembro de 2011

Discípulo, libere perdão pela graça de Deus!


Imitar a Cristo significa liberar perdão aos nossos ofensores. Sempre.

Ser discípulo de Jesus Cristo significa perdoar continuamente. Significa não guardar rancores. Significa também jogar fora todo ressentimento que teima em se incrustar em nossa alma. Pela graça de Deus, podemos sim perdoar completamente ao nosso ofensor.

Não é, evidentemente uma tarefa fácil. Nós não somos divinos. Somos seres decaídos. Criados à imagem e semelhança de Deus, mas afetados pelo impacto da Queda, temos uma dificuldade natural para perdoar quem nos tenha ofendido. Porém, agora como nova criatura em Cristo Jesus (2Co 5.17) o Espírito Santo passou a morar permanentemente em mim e posso, pelo poder que há nEle e pela graça de Deus, sobrepujar a inclinação do pecado que teima em querer fazer com que eu resguarde a mágoa em meu interior. Não sou obrigado a guardar o ressentimento, agora há poder em mim para perdoar. Isso é graça de Deus!

O discípulo de Jesus tem em seu Mestre o maior exemplo de como perdoar. Pedro indagou ao Senhor sobre até quantas vezes deveria perdoar o ofensor, se até sete vezes. Ele perguntou dessa forma porque as tradições dos rabinos falavam em perdoar até três vezes e ele intentou ser generoso ao indagar o Mestre. Porém, a resposta de Jesus dizendo que não sete mas até setenta vezes sete indicava que o espírito de perdão ia para muito além dos mesquinhos cálculos humanos. Dessa forma, demonstra-se que o discípulo de Jesus deve ter largueza de coração, generosidade, liberalidade para com quem lhe ofende.

Eu disse acima discípulo de Jesus. Cristãos! Não estou escrevendo para não-cristãos. Não é opcional a liberalidade em perdoar para o seguidor de Cristo Jesus. É seu dever. O crente deve perdoar ao seu ofensor. Isto é possível, reafirmamos, somente pela graça de Deus que já está implantada no coração dele.

Não podemos ser como o homem da parábola que o Senhor Jesus contou (Mt 18.23-35), logo após a indagação de Pedro sobre quantas vezes deveria-se perdoar. Aquele homem possuía uma dívida muito grande perante o seu senhor e não tinha como pagar. Foi acossado por seu senhor e, prostrando-se, implorou-lhe por si e por sua família, pois esta seria vendida juntamente com tudo o que possuía para pagar o enorme débito. Aquele homem movido de íntima compaixão, lhe perdoou. Todavia, ao sair da presença dele, o servo perdoado, encontrou seu companheiro que lhe devia uma quantia, muito menor. Passou a apertá-lo, sufocá-lo, para que pagasse imediatamente o valor. Este seu amigo fez a mesma coisa que aquele homem havia feito com seu senhor, prostrou-se e lhe rogou que lhe perdoasse. Mas o servo perdoado prender o pobre devedor até que ele lhe pagasse. As testemunhas desse ato foram ao senhor daquele servo e tudo lhe relataram e este, movido de grande furor, mandou chamá-lo e disse-lhe: "Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia." E Jesus conclui, deixando bem definido para todos nós qual deve ser nossa atitude: "Assim vos fará, também meu Pai celestial, se do CORAÇÃO não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas."

Fiz questão de colocar em maiúsculas a palavra CORAÇÃO porque é dele, donde procedem as fontes da vida, segundo Salomão em Provérbios (4.23), que deve proceder o genuíno perdão. Um coração que não seja transformado pela graça de Deus realmente não consegue liberar este perdão verdadeiro e necessário. E Deus Pai espera que nossa atitude seja dessa forma, de perdoar continuamente, porque Ele mesmo nos perdoou um débito muito maior quando recebemos a Cristo em nossa vida. Fomos perdoados, eu e você, pela inigualável graça do Senhor!

Na oração que o Senhor Jesus nos ensinou (Mt 6.9-13) Ele diz no verso 12: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Não é preciso uma profunda exegese textual para entendermos claramente o que isso significa, ou seja, que confessamos a Deus nossas faltas, nossos pecados, mas já deveremos ter perdoado a alguém que tenha de alguma forma nos ofendido. Ofendemos a Deus, nosso Criador, Senhor do Universo, por muito mais, e somos perdoados, porque não deveríamos perdoar algo que é infinitamente menor em gravidade, ou seja, as faltas de nossos semelhantes?

Portanto, caro discípulo de Jesus, caminhe nessa vereda gloriosa do perdão, lembrando sempre que muito mais nos perdoou o Senhor. Jesus Cristo pagou o preço dos nossos pecados, somente Ele poderia ter realizado isso na cruz do Calvário a fim de obtermos o perdão e o favor do Pai.

Que glorioso é o perdão. Quão maravilhosa a graça de Deus em perdoar. Nós podemos AGORA perdoar nossos ofensores porque a capacidade já nos foi concedida.

Amado irmão e discípulo, hoje mesmo examine seu coração, peça a Deus para sondá-lo, e se você pelo Espírito de Deus constatar que ainda não perdoou a alguém, não importa o tempo decorrido, faça isso já, sem mais demora. Procure a pessoa. Se não for possível, por questão de distância ou outro fator, ore a Deus e diga que está perdoando a mesma. Se a ofensa lhe foi demasiado pesada, saiba que Deus concede graça, pelo Seu Espírito para você liberar o perdão e ficar em paz. Lembre-se das palavras de Jesus na cruz em relação aos que o maltratavam e crucificavam: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34a).

Receba essa palavra e que o Senhor de toda graça opere no fundo de seu coração, para a glória dEle, amém!

domingo, 13 de novembro de 2011

Discípulo, fique irado, mas cuide para não pecar


Afinal, em que consiste a ira? Segundo Tim LaHaye, é o sentimento de desprazer, hostilidade, indignação ou exasperação extrema para com alguém ou alguma coisa; raiva; cólera; fúria. Outro autor, David Kornfield define ira como o desejo ardente de corrigir, atacar ou destruir algo (ou alguém) que nos incomoda ou ameaça.

Mas a ira pode sempre ser considerada um pecado? Ficar irado significa que pequei contra Deus? Às vezes sim, é pecado. Em outras vezes, não, seria apenas o extravasamento de uma emoção. Se você ficar irado , enraivecido, amado discípulo, todavia precisa ter cuidado para não pecar. Vamos tentar entender.

Primeiramente, devemos compreender de uma vez por todas de que a ira é uma emoção! Ou seja, se é emoção, deve ser expressada adequadamente e nisto nenhuma condenação há. Não é pecado. Passará a ser pecado, quando permitirmos que a ira nos leve à uma direção errada. Os resultados certamente serão maus. Por isso o salmista recomenda: "Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente isso acabará mal" (Sl 37.8 - ARA). Podemos nos irar justificadamente quando vemos a ocorrência da injustiça diante de nossos olhos. Imagine você, discípulo de Jesus, passando em uma rua e ao dobrar a esquina, presencia um homem espancando sem dó uma criança ou uma pessoa idosa. Qual seria sua reação? Normalmente todos ficamos irados, como o nosso Senhor Jesus Cristo ficou ao contemplar a comercialização sem nenhum pudor que aqueles muitos cambistas faziam na casa de Deus (Mt 21.12,13; Mc 11.15-17; Jo 2.13-17). Sendo assim, a ira pode e deve ser corretamente expressada.

Foi por isso que o apóstolo Paulo disse conforme a versão de Almeida Séc. 21: "Quando sentirdes raiva, não pequeis; e não conserveis a vossa raiva até o pôr do sol; nem deis lugar ao Diabo." (Ef 4.26,27). O texto da Nova Tradução na Linguagem de Hoje clarifica ainda mais: "Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva. Não deem ao Diabo oportunidade para tentar vocês." 

Amado discípulo, você deve expressar sua raiva e deve fazer isso quando for inteiramente apropriado. Não é  verdade que o cristão é bonzinho, é santinho e por isso jamais fica bravo. Mas a intenção aqui é demonstrar que essa emoção chamada de ira deve estar sob o controle do Espírito Santo, quero dizer, você deve andar em Espírito (Gl 5.16). A ira está exatamente constando como uma das obras da carne neste mesmo capítulo de Gálatas, está em um grupo de pecados que estão relacionados à ira tais como inimizades, porfias (rivalidades), emulações (ciúmes), pelejas, dissensões (discórdias) e heresias ou partidarismos (v. 20). De fato, podemos dizer que é tênue a linha que separa a expressão da ira de forma natural diante de injustiças cometidas contra nós ou contra os outros, daquela outra que expressa a natureza pecaminosa de todos nós, discípulos de Jesus.

A ira que o discípulo de Jesus Cristo deve manifestar quando for apropriado ou necessário, também se refere naquelas coisas que deixariam o próprio Deus irado. Voltamos ao episódio dos cambistas no templo. Eles haviam tornado o lugar de oração e adoração ao Deus único num mercado, negociando os animais que seriam utilizados nos sacrifícios dos judeus. Isto causou uma reação irada em Jesus. Nós também podemos sentir a mesma coisa quando as coisas de Deus são aviltadas pelos homens, principalmente entre aqueles que dizem ser discípulos de Cristo como vemos tantas vezes ao nosso redor.

O discípulo de Cristo deve ter suas emoções sob o controle pleno do Espírito de Deus. Se assim não for, ele expressará sua ira de forma errônea, ou seja, pecaminosa. Além disso, também causará um problema para os seus semelhantes, como no caso de pessoas iracundas, que ficam iradas, raivosas, por motivos muitas vezes fúteis, e ferem com palavras as outras pessoas ou, em muitos casos, partem para a agressão física que pode chegar ao extremo de um ferimento grave ou até homicídio.

Na caminhada de nosso discipulado, certamente pecamos muito contra o Senhor, expressando a ira ou raiva de forma inadequada, como eu mesmo que vos escrevo. Teremos de ter o zelo, o cuidado, de andar em Espírito como a Palavra de Deus nos ordena, evitando a todo custo, com a graça de Deus, a manifestação desse sentimento de forma pecaminosa. Possamos dar mais atenção às santas recomendações do Senhor sobre isso e estaremos continuamente Lhe agradando. Transcrevo mais alguns textos bíblicos para que você, caro discípulo, entenda a seriedade desse assunto. Todos são da versão Almeida Séc. 21: 

"Quem se irrita com facilidade comete erros, mas o homem discreto é paciente."
"Quem demora a irritar-se é grande em entendimento, mas o precipitado exalta a loucura."
"A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura provoca a ira."
"O homem que se irrita com facilidade provoca conflitos mas o paciente apazigua brigas."
"Quem tem paciência é melhor que o guerreiro; quem tem domínio próprio é melhor que aquele que conquista uma cidade."
"O início do desentendimento é como a vasão de águas represadas; por isso desista da questão antes que haja briga."   
"A sensatez do homem o torna paciente, e sua virtude está em esquecer as ofensas."
"O homem genioso tem de sofrer o castigo, pois, se o livrares, terás de fazê-lo várias vezes."
"Não faças amizade com uma pessoa briguenta, nem andes com alguém que logo se enfurece."

"O homem irado provoca desavenças, e o furioso aumenta as transgressões."

(Pv 14.17,29;22;15.1,18;17.14;19.11,19;22.24;22.29)

Todos estes são textos em Provérbios. Existem muitos outros neste livro e na Bíblia inteira. Mas deixarei registrado aqui, para todo discípulo de Jesus Cristo, Suas palavras que pronunciou no Sermão do Monte, que é uma seríssima advertência: "Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão será passível de julgamento; quem o chamar de insensato, será réu diante do tribunal; e quem o chamar de tolo, será réu do fogo do inferno" (Mt 5.22).

Cuidemos cada um de nós de como lidamos com essa emoção chamada ira. Ela deve estar absolutamente debaixo do controle do Espírito Santo. Isto é de capital importância em nosso caminho de discipulado. Afinal, nosso Mestre deseja que assim o façamos. Dele deveremos aprender a mansidão e a humildade (Mt 11.28-30). Que seja assim portanto, amém!


sábado, 29 de outubro de 2011

Discípulo, dê um descanso ao seu stress


Vivemos dias em que o stress se tornou comum. Mas o que é o stress? Constitui-se em uma resposta às pressões que desequilibram nossas vidas. O dicionário o define como qualquer força exercida sobre um corpo (ou entidade) que tende a comprimir ou alterar a sua forma.

Especialmente nas grandes cidades, a vida que levamos de forma corrida, acarreta muito stress. Todavia, não devemos considerar que o stress seja sempre nos seja prejudicial. Na verdade, estaremos sempre respondendo a uma pressão aguda, preparando-nos para atacar ou fugir. Em si mesmo o stress não pode ser considerado destrutivo. A pressão que estamos sujeitos, os desafios, nos motivam, nos estimulam, nos ajudam a produzir. O discípulo de Jesus Cristo precisa estar consciente disso de forma ampla.

O homem está sujeito a desafios e mudanças. Tudo isso nos pressiona e gera stress. Todavia, deve haver a consideração que Deus usa isso para nos fazer crescer. Não podemos entrar na via da inevitabilidade do stress. Tanto Jesus como os doze discípulos tiveram muitos momentos estressantes. Conosco nos dias de hoje não é diferente.

Portanto, dileto e amado discípulo de Jesus considere o que disse o nosso amado Mestre: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) verte assim essa passagem: "Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo" (Jo 16.33).

Dar descanso ao nosso stress significa então entender claramente que passamos por situações de pressão que geram stress, que nem sempre nos são prejudiciais, entretanto, se a situação passar a um nível agudo, tenhamos fé em Jesus porque estando unidos a Ele, teremos a graça necessária diante de aflições e sofrimentos que nos sobrevenham.

"Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou" (Rm 8.37). O discípulo de Cristo não precisa temer se uma situação fugir ao seu controle, se as pressões são intensas sobre ele. Por estar unido ao seu Senhor e Redentor, ele pode superar todas as situações estressantes pelas quais atravessar e sair mais amadurecido de todas elas.

Discípulo, creia no Senhor e enfrente com coragem todas as pressões porque Ele já venceu por você o mundo e portanto não temos nada a temer diante do stress de todo dia. Não se deixe abater. Coragem. Em o Nome de Jesus, amém!

domingo, 23 de outubro de 2011

Discipulado é transformação de caráter


Todo discípulo de Jesus Cristo está em uma jornada espiritual de crescimento. Ele sabe que enquanto vive nessa terra, tem por obrigação a busca desse crescimento e a consequente transformação conforme a semelhança de Cristo. Discipulado, em sua plena acepção significa nada menos do que isso - TRANSFORMAÇÃO DE CARÁTER!

Há cristãos que compreendem o discipulado como meramente um treinamento para ganhar almas para Jesus. Outros, entendem o discipulado como serviço social (servir sopão a moradores de rua, por ex.). Nada disso entretanto constitui-se na essência plena do discipulado autêntico, embora possam estar presentes. O que se busca é a transformação de caráter porque somos pecadores e após conhecermos a Jesus Cristo, obtendo a salvação de nossos pecados, precisamos em seguida entrar no processo santificatório e crescer em Jesus. Vai ocorrer a mudança interior gradativa, a substituição de nosso caráter afetado pelo pecado e a implementação de um caráter novo semelhante ao de Cristo Jesus.

É muito fácil termos uma conformidade exterior de acordo com a igreja ou comunidade de cristãos aos quais pertencemos. Nos ensinam que devemos, exteriormente, andar ou fazer tais e quais coisas para então sermos tidos como realmente crentes, além de sermos assim aceitos pelo grupo. Mas, falando em termos de discipulado verdadeiro, isso não consiste em ser discípulo de Cristo. O verdadeiro discipulado está muito além de mera conformidade externa. É algo mais profundo e que imprime a marca de Cristo em nosso coração. Nosso caráter nunca será igual ao de Jesus, se nosso seguir a Ele seja confundido com um conjunto de regras a serem religiosamente seguidas (Is 29.13; Mt 15.8,9; Mc 7.9).

Nosso evangelismo será muito mais efetivo porque muitas pessoas questionam o comportamento de muitos cristãos, visto que em nada são diferentes das pessoas do mundo. Essas pessoas perguntam: "No que eu serei convertido?" Então, se o discipulado for realmente constituído de transformação interior, de sermos semelhantes a Jesus no caráter e nas atitudes, conforme preconiza a Palavra de Deus, se as pessoas do mundo verem os cristãos como realmente diferentes em caráter, aceitarão a mensagem do Evangelho mais facilmente, porque perceberão que ele funciona nas vidas, que realmente há poder em seu conteúdo (Rm 1.16).

É urgente que reconheçamos a importância de entender essa verdade. Transformação de nosso caráter segundo o caráter de Cristo. Nisto consiste a essência do autêntico discipulado. Esta é a vontade de Deus para as nossas vidas. E nada tem a ver com religiosidades, igrejismos ou modismos gospel. Tudo isso, na verdade, conspira contra a essência do que devemos ser em Cristo.

Meditemos nas palavras do apóstolo Paulo: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação de vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 12.1,2).

Sejamos todos discípulos autênticos de Cristo, que possuem um caráter autenticamente transformado. Para a glória de Deus Pai, amém!

domingo, 16 de outubro de 2011

Os três possíveis níveis de discipulado


Quando falamos sobre o discipulado, devemos procurar compreender que existem níveis onde o discipulado acontece e onde ele se consuma. Existem três níveis ou dimensões de discipulado, o que ocorre no nível da grande multidão ou grande grupo, o que ocorre dentro de pequenos grupos, e o nível individual. Vamos tentar entender a cada um deles. Informo que não quero dogmatizar sobre o assunto, mas esse é um entendimento pessoal, fique bem claro.

Nível da grande multidão ou grande grupo - Refere-se ao fato de quando cremos em Jesus e passamos então a frequentar uma igreja. Estamos ali inseridos entre aquelas pessoas. Recebemos a pregação da Palavra de Deus, somos ministrados, louvamos ao Senhor com toda a congregação reunida, participamos da Ceia do Senhor, contribuímos financeiramente, oramos juntamente com os irmãos, enfim, estamos de alguma maneira recebendo de Deus, de Sua graça, sobre a nossa vida. Estamos sendo ministrados, estamos em fraternidade. Mas, infelizmente, esse nível não comporta tudo o que Deus tencionou para o nosso pleno crescimento e amadurecimento. Não deixa de ser uma espécie de discipulado sim, mas muito geral e superficial.

Nível de pequenos grupos - Aqui já ocorre uma mudança e tanto! Estamos no interior de um pequeno grupo. Onde ocorre uma abertura muito maior em termos de comunhão entre os membros do Corpo de Cristo e onde a informalidade é uma característica muito importante. No grande grupo, nos cultos ou celebrações com toda a igreja reunida, essa informalidade é muito pequena. Ali ouvimos com atenção a pregação do pastor e somos edificados. Mas sabemos que um único sermão não supre todas as necessidades espirituais dos discípulos de Cristo. Assim, as reuniões de pequenos grupos proporcionam a ambiência ideal para que possamos ter, por assim dizer, um tratamento mais individualizado. Ali somos ministrados mais eficazmente. Ali podemos falar, não nos limitamos a somente ouvir, como ocorre na dimensão do grande grupo. A koinonia a comunhão entre os membros do grupo é mais intensa, a proximidade facilita o processo e assim ocorrerá a mutualidade entre os membros do grupo pequeno, a dinâmica do "uns aos outros" acontece como consequência natural (algumas passagens que demonstram essa dinâmica, Rm 12.10; 15.7; Cl 3.16; 1 Ts 4.18; Hb 3.13). Aqui, portanto, o discipulado ocorre em um nível mais satisfatório por causa da proximidade entre as pessoas.

Nível individual - Esse é o desejável porque é o que realmente proporcionará o discipulado ideal. Mas igualmente, esse nível em relação aos demais é o que mais dificuldades trará para sua plena realização. Isto porque ele demanda tempo. E tempo hoje em dia tornou-se material escasso. Afinal, trabalho, estudos e estar com a família consomem boa parte do tempo disponível e o que resta é aproveitado para repor energias em sua maior parte. Assim, um trabalho de discipulado individualizado, ou seja, um a um, poderá sofrer, mas não tem de ser necessariamente assim, se os discípulos de Jesus considerarem a importância de um discipulado que possa acontecer em toda a sua amplitude.

Andar com alguém para aprender a ser como Jesus de Nazaré é realmente muito custoso. Não é um trabalho para ser feito como se fosse um encontro casual. É compromisso verdadeiro. Essa dimensão individual é, ao meu ver, ideal e superior à grande reunião congregacional, é óbvio, mas também está acima da reunião de pequenos grupos.

A Palavra de Deus demonstra essa dimensão de individualidade para um discipulado mais efetivo. Veja o caso de Moisés e Josué. Também Elias e Eliseu. E o apóstolo Paulo e seus vários discípulos individuais, tais como Timóteo, Tito, Silas e Lucas.

O Senhor Jesus atuou na dimensão dos três níveis de grupos. Para a grande multidão (Mc 2.13), para o pequeno grupo (Mc 3.13,14) e para o indivíduo (Lc 5.27,28). Verdade que vemos Jesus a ministrar nas passagens do NT muito mais vezes aos doze, porém não nos esqueçamos que dentre estes, haviam três mais chegados (Pedro, Tiago e João) e dentre esses vemos João, que estava sempre bem próximo a Jesus e Pedro ao qual Jesus ministrou individualmente muitas vezes. Portanto, cremos firmemente que o discipulado de forma plenamente individualizada é aquele que proporciona a condição sine qua nom para que sejamos revestidos do novo homem, criados segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.24).

É necessário usar a criatividade para que o tempo seja usado com sabedoria a fim de que ocorra esse tipo de discipulado que é muito salutar a todos os que estão nele envolvidos. É preciso também discernimento porque nem todos compreendem ou estão dispostos a submeterem-se a este modelo mais profundo, por assim dizer. Caminhar juntos, demonstrando virtudes mas também defeitos, demonstra amplamente de que somos vasos quebradiços de barro. Nenhum de nós é super-herói da fé, mas todos somos carentes da graça de Deus pelo fato de todos sermos pecadores.

Muitos mitos se desfazem nesse tipo de discipulado. Às vezes, temos a tendência de elevar aqueles que nos ministram, quer seja do púlpito ou até através da mídia e lhe damos uma dimensão de que realmente não são possuidores. O discipulado individualizado coloca essas coisas em seus devidos lugares. Como somos, apareceremos. Não há lugar para subterfúgios de qualquer espécie. O Espírito de Deus quer nos ministrar em nossa inteireza e não de maneira superficial. Precisamos considerar isso seriamente.

Que Deus abençoe você meu amado condiscípulo, e que todos nós sejamos semelhantes a Jesus Cristo, porque essa é afinal a vontade do Pai para nós. E isso pode acontecer por meio de um modelo de discipulado mais profundo como acabamos de expor. Amém!

domingo, 9 de outubro de 2011

Discipulado em um mundo em mudança


Não restam dúvidas de que as transformações pelas quais o mundo tem experimentado nessas últimas décadas, influenciam também o trabalho da Igreja, notadamente o discipulado. A ordem de Jesus para irmos, e fazermos discípulos dentre todas as etnias (Mt 28.19,20), ainda permanece. Logo, o discipulado a ser exercido deve considerar essas mudanças porque uma nova cultura emergiu dessas transformações, está aí e não pode ser negada em hipótese alguma.

O mundo mudou muito, principalmente nesses anos iniciais do século 21. Por isso, a igreja por meio de sua liderança juntamente com todos os discípulos de Jesus, precisa reavaliar constantemente o peso dessas transformações sobre o discipulado porque certamente este precisará passar por adequações necessárias.

Não se pode negar a repercussão dessa transformação na paisagem cultural ao nosso redor. Por isso, entender o que se passa deve ser a primeira reação de todos os que, sinceramente, pretendem cumprir o ide de nosso Senhor e assim, realizar um discipulado efetivo e de resultados permanentes.

Existem hoje ao nosso redor, por causa dessas mudanças, pessoas com dificuldades para confiar nas outras, intolerância em grau extremo ou, um tipo de tolerância que nada mais é que indulgência com o pecado. Igualmente, existe um questionamento sobre se realmente existe a chamada verdade absoluta, ou se o Evangelho é realmente "a verdade". Há toda uma sorte de problemas em famílias, com rejeições, traumas, problemas com uso de drogas. A Igreja tem de ministrar para esta geração, ela tem de aceitar as pessoas da maneira em que se encontram e efetivar um discipulado que lhes facilite a transformação pelo Espírito Santo à medida em que vão crescendo em seu relacionamento com Deus.

A década de 60 foi crucial para o início dessa mudança no mundo. A liberalização nos costumes e a rebeldia contra toda autoridade, inclusive e acima de tudo, a autoridade de Deus e de Sua Palavra, criaram o ambiente para tudo o que vemos hoje. Mas o Senhor nunca deixou de ficar sem testemunho (At 14.17) e hoje mais do que nunca temos a oportunidade de ministrar à nossa geração todo o conselho de Deus por meio do Evangelho (At 20.27).

Por isso, devemos nos esforçar por um discipulado autêntico. Não é o caso de falarmos às pessoas o que elas desejam ouvir. Podemos sim ter um ambiente agradável em nossas comunidades, uma boa música cristã, uso de multimeios, tudo isso para criar uma ambiência atrativa para aqueles que não conhecem a Jesus. Mas nunca, jamais, os conteúdos do Evangelho devem ser mudados para agradar ao homem pós-moderno. Como estamos em uma sociedade-supermercado, onde existem muitas opções, assim acontece no meio religioso, principalmente o meio religioso evangélico, com sua multiplicidade de igrejas e ministérios. Mas todos devem permanecer na pureza e simplicidade da pregação genuinamente cristã. Mudar isso significará aderir à filosofia cultural em derredor e o Evangelho será uma mensagem diluída, sem nenhum poder de transformação.

Vamos então discipular e se deixar ser discipulados na integralidade do que a Bíblia preconiza. As palavras de Deus nos bastam. Suas promessas nos confortam. Sua exortação nos corrige a rota. Andar com Jesus, aprender com Ele na comunhão dos santos, é uma experiência rica e transformadora. Essa transformação muda nossa vida para melhor e nos tira do fosso que a experiência pós-moderna pode nos arrastar.

Viver como discípulos autênticos num ambiente favorável para que isso seja facilitado, é nossa maior necessidade nesse mundo em transformação. As pessoas pós-modernas ligam nossa mensagem ao mensageiro, ou seja, deve haver um mínimo de coerência entre o que pregamos e o que vivenciamos. Também quero destacar que devemos ter uma postura de humildade porque a arrogância decididamente, não combina com os pretensos seguidores de Jesus. Ele ainda nos convida para sermos mansos e humildes de coração assim como Ele mesmo é (Mt 11.29).

Se assim agirmos, se nossa pregação e consequente discipulado tiver as marcas reais de Jesus Cristo, o Evangelho continuará a ser, como de fato o é, a mensagem que salva, liberta, esclarece, limpa, satisfaz e eleva o ser humano à sua dignidade original. O Inimigo tenciona destruir isso e enganosamente apregoa através do discurso pós-moderno de que o homem só se realizará se fizer tudo o que desejar sem nenhuma espécie de restrição. Isso já tem se provado no decorrer dessas últimas quatro décadas de que é um engano altamente destrutivo e que tem trazido o caos para nossa civilização como um todo.

Sejamos discípulos autênticos. E ministremos autenticamente para gerar novos discípulos igualmente. Para glória de Jesus Cristo. Amém!

domingo, 2 de outubro de 2011

O que o discípulo de Jesus pode aprender com as orações da Bíblia - 5


Com a reflexão de hoje, estarei encerrando esse singelo estudo sobre a oração. Hoje falarei do quinto aspecto que deve constar na oração de todo o discípulo de Jesus, que é a adoração. Falei sobre a intercessão, a petição, as ações de graça, a confissão e encerramos o ciclo hoje com a adoração.

No livro de Neemias, encontramos um modelo de oração de adoração que nos constrange a fazer da mesma maneira. Aquele povo regressara do exílio em Babilônia e agora, sob a direção do servo de Deus, Neemias, ouvira a leitura da Lei por Esdras e participara da celebração da Festa dos Tabernáculos, no sétimo mês, durante a primeira semana do mês (Ne 8). Quinze dias depois (Ne 9.1), ajuntara-se o povo com jejum e saco e traziam terra sobre si, denotando a condição de penitência, de contrição, diante do Senhor. Estavam de pé na presença de Deus, separados de todos os estrangeiros, fizeram confissão de seus pecados e das iniquidades de seus pais em arrependimento e humilhação. Leram no livro da Lei em uma parte do dia e na outra fizeram confissão e ADORARAM ao Senhor seu Deus. Leiamos: "E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do Senhor seu Deus uma quarta parte do dia; e na outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus" (Ne 9.3).

O texto diz claramente: "...e adoraram ao Senhor seu Deus." Isso se dá em seguida quando um grupo de levitas disse: "Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; e bendigam o teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda benção e louvor" (v.5b).

Os israelitas então não estavam desapercebidos, mas desde o cap. 8 do livro de Neemias, nós lemos que o mês sétimo, que é o mês de Tisri, no calendário judaico, desde o primeiro dia desse mês, o povo estava reunido e contrito diante do Senhor. Como foi dito, ouviram a leitura da Lei por Esdras, o escriba, celebraram a Festa dos Tabernáculos com grande alegria e agora, ainda no mesmo mês, foram novamente reunidos para confissão de pecados, leitura da Lei e agora iriam adorar ao Senhor.

Neemias 9.6: "Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora." Esses oito levitas (v.5) reconhecem que só o Senhor é Deus (1 Re 18.39). Reconhecem que somente Ele é o Criador de todas as coisas, nos céus, na terra e nos mares (Is 40.26,28; 41.20; 43.15; 45.12; Ap 10.6). Também reconhecem que Deus é adorado pelas cortes celestiais (Is 6.1-4; Ap 4.1-11; 5.7-14; 7.9-12; 11.15-19; 19.1-10).

O que aprendemos então disso? Como nós, discípulos de Jesus Cristo, podemos entender dessas passagens?

A grande lição que subjaz em todos os textos citados: SOMENTE O SENHOR É DIGNO DE SER LOUVADO E ADORADO!

Como seguidores de Jesus, sempre e sempre deveremos nos prostar para reverenciar e adorar Àquele que tudo fez por nós. Em nossa vida de oração, a adoração, o louvor, devem ser uma constante. Também, no contexto total de nossa existência, deveremos ser adoradores. Os vários textos do livro de Apocalipse citados mostram como os seres celestiais e os remidos louvavam ao Senhor, adorando-O por Quem Ele é e pelos seus feitos. Diante de Sua Augusta Presença, nossa postura deve ser de plena adoração.

Exemplos para nós dessa condição total de adoradores encontramos no homem ao qual sua filha havia morrido (Mt 9.18), na mulher cananéia (Mt 15.25). Ambos adoraram a Jesus. Vemos a mulher que andava encurvada, o qual Jesus curou instantaneamente e em seguida glorifica a Deus (Lc 13.10-13). Vemos como o ex-cego de nascença adora a Jesus após tomar conhecimento de que estava diante do próprio (Jo 9.35-38). E até mesmo os demônios adoram a Cristo, reconhecendo prontamente Quem Ele era, o Filho do Deus Altíssimo (Mc 5.1-9).

Nossas orações devem estar impregnadas de adoração. Confessamos sim nossos pecados, intercedemos pelas necessidades, fazemos nossas petições, agradecemos pelas bençãos dispensadas, mas devemos adorar a Deus, porque Quem Ele é.

O livro de Salmos pode ser usado por todo servo de Deus para adorá-Lo, porque os salmistas expressavam com muita profundidade sua devoção ao Senhor. Eles convidam: "Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos, ajoelhemos diante do Senhor que nos criou" (Sl 95.6).

Portanto, adoração sempre, em todo tempo. Orando e adorando. Adorando e orando. Porque o Senhor é digno. Porque Ele quer ser adorando, Ele recebe nossa adoração. Adoremos ao que nos criou e nos redimiu, hoje, em nossa vida terrena, e para sempre, quando nos reunirmos juntamente com todos os remidos de todas as épocas e lugares e toda a corte celestial (Hb 12.22,23). Lembremo-nos e proclamemos continuamente o que Paulo disse em Rm 11.36: "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." E também em 1Tm 1.17: "Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém."

Que o Senhor, que é digno de toda a nossa adoração, possa te abençoar nessa semana. Que você possa adorá-Lo ao orar e no todo de seu cotidiano. Amém!

domingo, 25 de setembro de 2011

O que o discípulo de Jesus pode aprender com as orações da Bíblia - 4


Amados irmãos, discípulos de Jesus, voltamos nessa semana à continuidade de nosso estudo bíblico sobre a oração. Já abordamos a intercessão, a petição e as ações de graça. Hoje, estamos apresentando o quarto aspecto, a confissão. Alguns textos que embasam a prática de confessar a Deus os nossos pecados, Pv 28.13: "O que encobre suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia." Lm 3.39: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados." E as palavras de Jesus no Sermão do Monte: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (Mt 6.12), também, Lc 11.4a: "E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve".

A oração que o profeta Daniel fez, confessando os pecados de seu povo, está em Daniel 9.1-19. Ali, exilado em Babilônia, reconhece através dos escritos do profeta Jeremias (Dn 9.2), de que o tempo das desolações de Jerusalém, ou, o tempo do exílio dos judeus em Babilônia, estava chegando ao fim. Sendo assim, passa a orar a Deus, e esta é uma típica oração de confissão de pecados. E é interessante notar, que Daniel se inclui juntamente com todo o seu povo, dizendo: "Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos" (9.5). Muito embora não leiamos no livro de Daniel, de que ele tenha cometido algum pecado (embora, é claro, fosse pecador como todos nós) é digno de nota a solidariedade dele com seu povo, pois este havia pecado contra o Senhor e por isso fora exilado para Babilônia e lá estava já há setenta anos. É tão grande essa identificação de Daniel, sua postura de "colocar-se na brecha" que ele busca ao Senhor com "oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza" (v.3). Daniel se humilha profundamente na presença de Deus. Está contrito e submisso. E confessa especificamente os pecados, pecados esses em que se identificara junto com seu povo

Nessa oração confessatória, aprendemos, que além de reconhecimento dos pecados, deve haver também o reconhecimento do caráter do Deus a quem estamos nos confessando. Daniel reconhece isso, e diz: "A ti, ó Senhor, pertence a justiça"; "Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia, e o perdão"; "...porque justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez"; "Porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias"; "Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa" (vv. 7, 9, 14, 18b; 19a).

A oração de confissão de pecados, estando nós profundamente humilhados, contritos, em reconhecimento do caráter do Deus a Quem estamos confessando nossas iniquidades, é a grande lição da oração que faz Daniel e que foi registrada para que aprendamos a maneira correta de assim fazermos. Mencionei sobre a identificação, a solidariedade de Daniel com os pecados de sua nação, porque sem isso não seria uma oração de confissão, mas de apenas e tão somente de reconhecer a causa porque Israel fora para o exílio. Todavia, Daniel precisou identificar-se plenamente com os pecados de seus irmãos. É tão patente esta identificação que ele ora assim: "E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra" (v.6). Ele assume como plenamente seus também os pecados cometidos contra Deus e Sua vontade.

Menciono aqui também o profeta Isaías. No capítulo 6 de seu livro, ele tem uma visão magnífica da glória de Deus, mas ele confessa sua condição pecaminosa assim: "Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos" (v.5). Ele não titubeou em confessar sua pecaminosidade. E nem a pecaminosidade de seu próprio povo. Isso é fundamental em nossa relação com o Senhor. Como Ele é um Deus puro, santo, (v.3), de tal forma que o profeta Habacuque disse: "Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar" (Hc 1.13), como também lemos em Lv 19.1b: "Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (também em 1Pe 1.15,16), essa santidade do Senhor deve ser levada em alta consideração. Ele disse que temos de ser santos como ele é, logo, é imprescindível a prática de confissão de pecados ao orarmos porque podemos pecar tanto por comissão como também por omissão.

As palavras de Davi no salmo 51 constituem-se numa oração clássica de confissão. Ele pede para que o Senhor tenha misericórdia dele, para que apagasse suas transgressões, para que fosse lavado completamente de suas iniquidades, para que fosse purificado de seu pecado, (51.1,2). Davi reconhece suas iniquidades e a lembrança de seus pecados estava sempre diante dele (v.3). Também reconhece que pecara somente e antes de tudo contra o Senhor, que praticara o mal à sua vista, e que Deus seria justificado quando falasse a respeito e puro ao julgá-lo (v.4).

Davi também reconhece que era pecador desde o ventre de sua mãe, ou seja, que tinha uma natureza pecaminosa (v.5). Ele diz que Deus ama quando acolhemos somente a verdade em nosso íntimo, e que em nosso coração Deus faz com que reconheçamos a sabedoria disso (v.6). Ele pede ao Senhor que o purifique, que o lavasse porque somente assim ele, comparativamente, ficaria mais branco do que a neve (v.7). Davi anseia novamente por uma existência em jubilar-se e de alegrar-se, porque sentia-se como tendo os ossos esmagados que significa figurativamente a opressão que sentia por sua própria culpa (v.8). Ele pede que Deus não olhasse mais para os seus pecados e apagasse todas as suas transgressões (v.9) e que criasse nele um coração puro e lhe desse de forma renovada um espírito de retidão (v.10). Também, que Deus não o expulsasse de Sua presença, e nem retirasse dele o Espírito Santo, que lhe concedesse novamente a alegria da salvação e o sustentasse com um espírito obediente aos Seus mandamentos e à Sua vontade (vv. 11,12). Somente assim, Davi poderia então ensinar aos demais homens, os caminhos santos de Deus, para que assim se convertessem também ao Senhor (v.13).

Todo discípulo genuíno de nosso Senhor Jesus Cristo deve considerar o testemunho do Espírito Santo na Palavra de Deus no que concerne à importância da confissão de pecados. Não poderemos dizer que estamos em plena comunhão com Deus, se abrigarmos pecados em nossas vidas. Se não confessarmos ao Senhor, reconhecendo que pecamos contra Ele e procurando abandonar os mesmos para sermos abençoados (Pv 28.13).

Temos de aprender isso com urgência. Não podemos abrigar o pecado em nosso íntimo. Se queremos ser ouvidos por Deus em nossas orações, temos de Lhe confessar os nossos pecados. Davi fala sobre isso no Salmo 66.18: "Se eu tivesse guardado o pecado no coração, o Senhor não me teria ouvido" (Almeida Séc. 21).

Deus não desprezará todo aquele que, de coração quebrantado e contrito O buscar em arrependimento e confissão plena e sincera de suas iniquidades (Sl 51.17). Se O amamos, se queremos ser-Lhe obedientes, temos de ser transparentes em nossas orações.

Aprendamos o que diz o apóstolo João em sua primeira epístola: "Mas se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1.7-10).

O discipulado genuíno não prescinde da confissão dos pecados. Que tanto eu como você possamos ter comunhão, posto que andamos na luz, e o sangue de Jesus é poderoso o suficiente para nos purificar de todo pecado. Para isso, temos de praticar a confissão dos nossos pecados a Deus, porque só assim teremos comunhão entre nós mas principalmente e acima de tudo com o Senhor, nosso Redentor. Que Deus abençoe você, amém!

sábado, 17 de setembro de 2011

O que o discípulo de Jesus pode aprender com as orações da Bíblia - 3


Já tivemos a oportunidade nas duas semanas anteriores de falar sobre os dois primeiros aspectos da oração, a intercessão e a petição. Hoje meditaremos no terceiro aspecto, ação de graças. Para tanto, o texto que embasará nossa reflexão está em Êxodo 15.1-21. É o cântico de agradecimento de Moisés pelo livramento de Israel do domínio de Faraó e dos egípcios. No cap. 14 versos 29 a 31 lemos dessa forma: "Mas os filhos de Israel foram pelo meio do mar seco; e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda. Assim o Senhor salvou Israel naquele dia da mãos dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo."

Na sequência, cap. 15, Moisés e os filhos de Israel, com grande alegria e gratidão em seus corações por causa de tão grande livramento, passam a entoar um cântico. Os cinco primeiros versículos evidenciam bem de como se livraram do inimigo pela mão forte do Senhor: "Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, e falaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome. Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; e os seus escolhidos príncipes se afogaram-se no Mar Vermelho. Os abismos os cobriram; desceram às profundezas como pedra."

O Senhor fora glorificado com esse livramento que dera a Seu povo, exatamente como dissera (Êx 14.17,18). Moisés agora expressa de forma pessoal este hino de agradecimento que na verdade é uma oração de agradecimento. Ele descreve o livramento propriamente dito e passa depois a exaltar o poder de Deus, descrevendo o Senhor como Aquele que executa feitos portentosos em prol do povo que chamara e escolhera. E tal é a alegria, tal a gratidão, que Miriã, irmã de Moisés, juntamente com as mulheres, passa a cantar e louvar, com tamboris e com danças, o grande livramento que receberam (vv. 20,21).

Como discípulos de Jesus, aprendemos aqui o valor de expressar audivelmente nossa gratidão ao Senhor por tudo que nos tem proporcionado. Antes de mais nada lembramos que a salvação em Jesus, Sua morte na cruz do Calvário, é o antítipo da libertação que Israel teve da escravidão do Egito. Como Moisés, Miriã e todo o povo celebraram com esse cântico de ação de graças a obra de Deus em seu favor, assim somos nós, discípulos de Cristo igualmente, pela obra d'Ele a nosso favor, portanto, as ações de graça não podem estar ausentes em nossa vida de oração e em todo tempo.

O apóstolo Paulo ensina: "Perseverai em oração, velando nela com ação de graças" (Cl 4.2), ou seja, sempre constantes em nossa vida de oração, e com uma indubitável expressão de agradecimento no coração e nos lábios, por isso o salmista diz: "Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o e bendizei o seu nome" (Sl 100.4).

Há um paralelo maravilhoso entre as ações de graças de Israel pelo livramento que tiveram e dos discípulos do Cordeiro de Deus, leiamos: "E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus. E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, o Rei dos santos. Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos" (Ap 15.1-4).

Diante disso tudo, que possa haver então no seu e no meu coração e no todo de nossas vidas, gratidão por tudo o que o Senhor nos fez. Possamos Lhe agradecer antecipadamente também por tudo o que Ele fará conforme expresso em Sua Palavra profética. Obrigado então Senhor, por todas as coisas, porque tudo vem de Ti, amém!

domingo, 11 de setembro de 2011

O que o discípulo de Jesus pode aprender com as orações da Bíblia - 2



Semana passada falamos sobre a intercessão. Mencionei o texto de Gn 18 o qual informa que Abraão intercedeu  a Deus por Sodoma, caso houvesse ali houvesse algum justo (como era o caso de Ló). Hoje gostaria de falar sobre outro aspecto da oração, a petição. Para tanto, quero citar ainda o livro de Gênesis no cap. 24 onde lemos que Abraão chama seu servo mais velho da casa e, sob juramento, o envia à sua terra de nascimento para que dali, dentre sua parentela, suscitar uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24.1-67).

O que me chama atenção nessa passagem tão sublime em Gênesis é a maneira como fielmente o servo de Abraão obedeceu ao mandado de seu senhor e como ele teve fé de pedir a Deus, fazendo uma prova com Ele e tendo como recompensa a resposta igualmente fiel do Senhor, leiamos: "Pela tarde, na hora em que as mulheres saíam para tirar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço de água, fora da cidade. E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, peço-te que me dês bom êxito hoje e trates com bondade o meu senhor Abraão. Estou aqui em pé, junto à fonte, e as filhas dos homens desta cidade estão saindo para tirar água. Faz que a moça a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro para que eu beba; e ela responder: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; seja aquela que designaste para o teu servo Isaque.  Assim saberei que trataste com bondade o meu senhor"  (Almeida Séc. 21).

Na continuidade, lemos que como o servo pediu, assim Deus lhe respondeu. Ou seja, o Senhor honra as petições que lhe fizermos de acordo com Sua vontade. Nesse caso, o servo estava a mando de Abraão e preocupou-se de exatamente seguir as prescrições dele, em deslocar-se até a Mesopotâmia (v.10) terra de seu nascimento e onde viviam seus parentes e dentre estes conseguir uma esposa para seu filho Isaque. E é nessa dimensão de ser fiel à missão que lhe fora confiada, é que o servo ora ao Senhor, pedindo-lhe que este lhe desse bom êxito na empreitada e diz a Deus do que realmente precisava naquele instante. Ele pediria água para beber mas não pediria para os camelos, ele pede a Deus que, se além da água para ele, a moça voluntariamente, sem ser solicitada, retirasse água também para os animais, o servo entenderia de que essa era a escolhida para Isaque.

Nos versos seguintes lemos que foi exatamente o que ocorreu. Rebeca era linda, virgem. O servo de Abraão para por um instante e fica absorto em seus pensamentos, para tentar entender se era ela mesma a que Deus lhe estava conduzindo para ser esposa de Isaque. Conversando com ela, vem a saber então de que era parente de Abraão da parte de seu irmão Naor e a convite dela e de Labão seu irmão, dirigiu-se até sua morada e o restante do relato confirma plenamente de que aquela moça era a resposta de Deus pois ao ser indagada diretamente se iria com aquele homem para casar-se com o filho de seu senhor, ela decidida e prontamente respondeu que iria.

Jesus disse em Lucas 11.9,10: "Por isso eu vos digo: Pedi, e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e a porta vos será aberta; pois todo o que pede, recebe; quem busca, acha; e ao que bate, a porta será aberta" (Almeida Séc. 21). A petição em toda oração dos discípulos do Senhor é algo fundamental. Deus deseja que lhe peçamos. Poderemos indagar: "Mas o Senhor não sabe de todas as coisas? Ele sabe do que preciso." É verdade, mas devemos lembrar também de que na famosa oração do Pai Nosso (Mt 6.9-13; Lc 11.2-4), Ele diz que devemos pedir pelo pão nosso de cada dia. Deus deseja que Lhe façamos petições. Pão aí não só referindo-se aos alimentos, mas também o mais que for necessário. Portanto, pedir a Deus coisas em oração é lícito. Mas desde que seja de acordo com Sua vontade, devemos ter sabedoria em nossas petições. O texto de 1 Jo 5.14 e 15 diz: "E esta é a confiança que temos nele: Se pedirmos alguma coisa segundo sua vontade, ele nos houve. Se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos o que lhe temos pedido." Por isso em Tiago 4.3 escrito está: "Pedis e não recebeis, porque pedis de modo errado, só para gastardes em vossos prazeres."

Portanto, todo aquele que é discípulo de Jesus Cristo, pode orar a Deus fazendo suas petições conforme a vontade do Senhor porque a Sua própria Palavra promete que seremos ouvidos como foi o servo de Abraão. E sabe também que se pedir de modo errado, o Senhor não lhe ouvirá conforme lemos em Tiago. Isso acontece porque o Senhor Deus muito nos ama e deseja nos fazer bem. Notório é que muitas vezes, a resposta de Deus às nossas petições é "não". Outras vezes, possa ser que esse negativa seja de caráter temporário, um "ainda não" porque como Ele tem planos superiores aos nossos próprios planos (Is 55.8,9), mais do que ninguém, Ele sabe a hora precisa em que deve nos atender, se for este o caso.

Nunca o Senhor deixará de nos atender quando Lhe pedimos que nos ajude a sermos mais consagrados, quando Lhe suplicamos por uma vida de maior comunhão com Ele, quando pedimos poder para viver de uma maneira que Lhe agrade. Essas petições são atendidas pelo Senhor porque estão de acordo com Sua vontade, Ele deseja a nossa santificação (1 Ts 4.3)!

Ainda nas próximas semanas, se o Senhor assim permitir, continuarei estes breves estudos. Que você discípulo de Cristo, tanto como eu, tenha de Deus mesmo a sabedoria para Lhe reportar seus pedidos, suas necessidades, sabendo que o Senhor é bom e que eterna é Sua misericórdia. Confiemos n'Ele em todo o tempo e apresentemo-Lhe nossos pedidos com redobrada confiança e temor, Ele nos ouve e nos responderá, conforme Sua vontade, porque muito nos ama. Que assim seja!


  




sábado, 3 de setembro de 2011

O que o discípulo de Jesus pode aprender com as orações da Bíblia - 1


O que nós, que seguimos a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, poderemos aprender com as orações que se encontram por todo o texto sagrado? Penso que em nossa vida de discipulado constante com Jesus, aprenderemos tanto o que consta nas Escrituras do AT como no NT porque o que está registrado na Bíblia é para nossa edificação, nosso proveito (Rm 15.4; 2Tm 3.16).

No que tange à oração, Jesus disse que deveríamos orar sempre. O evangelista Lucas registrou isto dessa maneira: "E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer" (Lc 18.1). Ele estava ministrando aos seus discípulos este ensinamento, logo, é extensivo a todos nós também discípulos d'Ele nesta geração.

Gostaria de reportar-me, iniciando esta série, sobre a oração de nosso pai da fé, Abraão. Em Gênesis 18, lemos que o Senhor aparece a Abraão e lhe comunica de que efetivamente ele e Sara em sua idade avançada seriam pais de um filho (1-16). Em seguida, Deus lhe anuncia de que destruiria Sodoma e Gomorra por causa do agravamento de seus pecados (17-22). A partir do verso 18, de forma linda, lemos sobre a conversa de Abraão e Deus (18-33). Aprendemos nestes versículos o valor da intercessão. Aprendemos de que o Senhor ouve sim e dá a devida consideração aos nossos clamores em prol de alguém ou de alguma questão.

No verso 22 lemos que aqueles homens viraram-se em direção à Sodoma. Abraão todavia permanece ali na presença de Deus. E Lhe indaga se acaso a cidade seria destruída com justos e ímpios juntamente (v.24). No verso seguinte, lemos como Abraão reconhece que o Deus que ele servia de fato era (e é) um Deus justo, e de que jamais mataria o justo com o ímpio.

O Senhor certamente agradou-se desse reconhecimento de Seu servo acerca de Seu caráter e passa a responder suas indagações. No verso 27, Abraão reconhece humildemente sua condição mortal, humana, falível, dizendo: "Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza". Nos versos 30, 31 e 32, Abraão continua a sua intercessão pedindo ainda com humildade por duas vezes para que Deus não se irasse e fala de seu atrevimento em dirigir-se ao Senhor em prol daquela causa.

Que lição maravilhosa. Deus, o Grande, Magnífico, Imortal e Soberano Senhor de toda a terra, assume forma humana, comparece na tenda de Seu servo, fala de que será pai em sua velhice, comunica sua decisão em destruir os pecadores impenitentes de Sodoma e Gomorra e usa de longanimidade ao ouvir a intercessão de Abraão em prol dos justos que houvessem nas cidades. Na verdade, ele pensava em seu sobrinho Ló que vivia em Sodoma com sua família. 

O Senhor ouve a nossa intercessão. Como discípulos de Jesus, devemos entender que ao orarmos, devemos interceder pelas pessoas, pelas vidas delas, quer sejam parentes, vizinhos, amigos e também as autoridades, como disse Paulo (1Tm 2.1-4). Nesta passagem, está escrito que é desejo de Deus que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade que é Jesus Cristo (Jo 14.6).

Quero então deixar este primeiro exemplo de uma oração na Bíblia. Oração intercessória. Oração humilde onde o servo reconhece a majestade de seu Senhor. Oração eficaz, posto que Deus salva Ló e sua família, atendendo assim a petição humilde e insistente de Seu servo. O apóstolo Pedro dá testemunho de que Ló era um homem justo e de seu consequente livramento (2Pe 2.7-9).

Que todos nós, seguidores do Nazareno, sejamos verdadeiros intercessores. Que mergulhemos ainda mais em nossa comunhão pessoal com o Senhor e confiemos em Seu caráter inigualável como Abraão fez e possamos lhe dirigir nossas orações intercessórias em prol de causas que O agradem como a salvação dos perdidos ou situações de livramento como foi no caso de Ló.

Continuaremos na próxima semana esta série e minha oração nesse momento é de que o Senhor amplie ainda mais o horizonte de sua vida de oração, para a glória de Seu Nome, amém!

  

domingo, 28 de agosto de 2011

Joio no meio do trigo - os que estão na igreja mas não são discípulos


Na parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30;36-43), Jesus nos deu um ensinamento claro de que coexistirão até o dia de Sua vinda tanto o joio - aqueles que tem aparência e modos de discípulos de Cristo, mas não o são, e o trigo - aqueles que realmente e efetivamente são verdadeiros discípulos.

Esta planta cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo e é uma erva daninha. São muito parecidas, a tal ponto de em algumas regiões produtoras de trigo, chamarem-na de "falso trigo". Se o trigo for colhido e processado junto com uma pequena quantidade de joio, comprometerá a qualidade do trigo. Esta erva daninha pode ser também venenosa.

Diante da vontade dos servos do pai de família de arrancar o joio que o inimigo havia semeado no meio do trigo, este disse que esperassem até a colheita para que então arrancassem primeiro o joio e o lançassem ao fogo e o trigo fosse recolhido aos celeiros. Se o pai de família permitisse arrancar o joio antes da colheita, arrancaria também o trigo e este era por demais precioso para que isso acontecesse.

Portanto, o joio, os falsos, os hipócritas, os mascarados, os dissimulados e/ou disfarçados, convivem muito bem no meio do trigo, os verdadeiros, puros, transparentes, leais a Cristo. Os que são joio, oram, pregam, ensinam, cantam, dizimam, ajudam os necessitados, enfim, em tudo são iguaizinhos ao que são trigo.

O pai de família disse que foi o inimigo quem plantou o joio. E com qual objetivo? De tornar inútil o verdadeiro trigo. De fazer com que este não frutificasse plenamente. De comprometer seu crescimento e desenvolvimento na vida cristã.

Existem muitos que são joio nas igrejas hoje. Infelizmente. Mas o milagre da graça de Deus ainda pode transformar o que é joio em trigo. Porque a época da colheita ainda não chegou e, portanto, a natureza do joio ainda pode receber este milagre divino. Ainda há tempo para isso. O que é triste é que sabemos por esta e outras passagens bíblicas de que os ímpios conviverão com os justos na Igreja do Senhor sem o mínimo sinal de arrependimento até o dia da colheita - o dia da volta de Jesus Cristo.

Os discípulos não entendendo o significado da parábola, indagaram a Jesus e este passa a explicar o sentido:

1) O que semeia a boa semente - O Filho do Homem (Mt 13.37);
2) O campo - O mundo (v.38);
3) A boa semente, o trigo - Os filhos do Reino (v.38);
4) O joio - Os filhos do maligno (v.38);
5) O inimigo que semeou o joio - O diabo (v.39);
6) A ceifa, a colheita - O fim do mundo, a volta de Jesus (v.39);
7) Os ceifeiros - Os anjos (v.39).

Portanto, sem nenhuma dúvida, posto que as palavras de Jesus são verdadeiras (Jo 8.40), entendemos que esta realidade se faz presente hoje entre nós. Em todas as congregações de cristãos ao redor do mundo, está posto um contingente de pessoas que não são discípulas de Jesus. Estão na igreja, mas na verdade não O seguem.

Judas Iscariotes, podemos ilustrar, é o paradigma desse tipo de gente. Foi escolhido pelo Senhor Jesus (Mt 10.4; Mc 3.19; Lc 6.16), participando pois do grupo seleto dos doze discípulos e sendo comissionado juntamente com os outros para ir e levar o Evangelho pelas aldeias. Recebeu poder para curar enfermos, limpar leprosos e ressuscitar mortos (Mt 10.1,7,8). Entretanto, Jesus disse acerca dele em João 6.70,71: "Respondeu-lhes Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo. E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze."

Eu pessoalmente creio que bem a princípio, Judas estava na condição de trigo. Era filho do Reino. Mas, à medida que o tempo foi passando, ele não foi abrindo mais e mais seu coração para as palavras e ensinamentos do Mestre, mas foi cedendo às sugestões do diabo em seu íntimo, que estimulava sua cobiça própria e ingressou na condição de joio. E assim ficou até ao final. Acredito também de que se verdadeiramente se arrependesse de suas intenções na mesa ao tomar a Ceia junto com Jesus e os outros discípulos ou aos pés da cruz, no momento crucial do flagelo do Senhor, ele encontraria lugar de arrependimento, seria certamente perdoado.

Creio que hoje o Senhor está trabalhando por meio de Seu Espírito nos corações de todos os que são joio dentro da Igreja. Isto está notório nas exortações ao arrependimento que lemos nas cartas às sete igrejas em Apocalipse. Leiamos:

"Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres" (Ap 2.5).

"Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca" (2.16).

"E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu" (2.21).

"Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" (3.3).

"Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso e arrepende-te" (3.19).

Diante de toda essa advertência sobre o joio, e sobre o zelo do Senhor no seio de Sua Igreja, entendemos que o discipulado em Jesus é sumamente importante, porque sendo bem conduzido, bem amparado nas Escrituras, com amor e disposição, pode fazer com que crentes trigo permaneçam assim e frutifiquem muito e jamais passem à categoria de crentes joio. Que pela graça de Deus assim, haja uma enorme quantidade de trigo para ser colhido naquele grande Dia e muito pouco joio. Porque este já está e continuará presente, foi o que Cristo nos ensinou.

Que Ele te abençoe nessa semana. Que você seja crente trigo. Se chegares a entender que de fato estás na categoria de joio, aceite o chamado do Senhor para o arrependimento. Ainda há tempo. Que assim seja. Amém!



domingo, 21 de agosto de 2011

O discipulado que não impõe um jugo


"Agora, por que quereis colocar Deus à prova, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar?"

(Atos 15.10 - Almeida Séc. 21)


O discipulado que não impõe um jugo é aquele que respeita a individualidade do ser humano. O discipulado que não impõe um jugo, é aquele que considera as pessoas em sua cultura própria, de origem. O discipulado que não impõe um jugo, é aquele que não faz apologia de doutrinas humanas. O discipulado que não impõe um jugo honra ao Senhor exatamente porque não promove ideologias humanas em detrimento da pureza da Palavra de Deus para o crescimento sadio do discípulo de Jesus Cristo.

A igreja de Jerusalém retratada em Atos 15, convocou uma reunião para tratar do problema que havia surgido pelo fato de que, na igreja situada em Antioquia, alguns da seita dos fariseus, que haviam crido (v.5), oriundos de Jerusalém, estavam ensinando àqueles irmãos de origem gentia de que se eles não se circuncidassem segundo a lei de Moisés, não poderiam ser salvos.

Isto imediatamente provocou a reação adversa de Paulo e Barnabé, posto que não aceitaram esta imposição sobre os irmãos gentios. Assim, resolveram eles juntamente com os chegados da Judéia, irem até a igreja em Jerusalém para discutirem a questão. E, sob a direção do Espírito Santo, tendo a coordenação do apóstolo Tiago, irmão do Senhor, líder da igreja, chegaram a um entendimento equilibrado e sábio do problema. Tiago então se pronuncia: "Por isso, penso que não se deve perturbar os que dentre os gentios se convertem a Deus, mas escrever a eles que se abstenham das contaminações dos ídolos, da imoralidade, da carne de animais sufocados e do sangue" (At 15.19,20).

Após a palavra do apóstolo Pedro, explicando que Deus não fez distinção alguma entre eles, judeus de origem e os gentios, ao conceder-lhes o dom do Espírito Santo e a purificação de seus corações (15.7-9), exorta a não colocarem um jugo nos crentes gentios e afirma categoricamente que eles, judeus, haviam sido salvos pela graça de Deus, assim como igualmente os gentios (9-11). Passa em seguida a palavra para Barnabé e Paulo que relatam quantos milagres, feitos extraordinários e sinais Deus operara por meio deles quando pregavam o Evangelho entre os gentios (12). E, finalmente, é a vez do líder da igreja em Jerusalém, Tiago, que cita a palavra de Pedro e reporta-se às palavras do profeta Amós (16-18; Am 9.11,12) para em seguida recomendar que se escrevesse uma carta aos cristãos gentios de Antioquia, tranquilizando-os de uma vez por todas sobre essa questão.

Estabelece-se aqui então para as igrejas de todas as épocas e etnias a sua desobrigação de obedecerem a mandamentos humanos. O próprio Senhor Jesus, no cap. 15 de Mateus e também no cap. 7 de Marcos, repreende aos fariseus porque teimavam em guardar ciosamente mandamentos humanos em detrimento da própria Palavra de Deus. Eles continuamente invalidavam os mandamentos divinos para obedecerem às tradições e preceitos puramente humanos.

Assim, um discipulado que se caracterizar em impor opiniões sobre usos e costumes, não respeitando as peculiaridades das pessoas, está fadado ao fracasso. Tornar-se-á algo insuportável, enfadonho. A liberdade que temos em Jesus e a consequente alegria que isto gera em nossos corações, é substituída pela tristeza em carregar um fardo pesado de imposições humanas.

Fomos chamados para seguir a Jesus Cristo. Não fomos chamados para guardar mandamentos humanos. Que se maquilam de mandamentos divinos, mas são desmascarados pela opressão gerada sobre as pessoas assim como aconteceu aos cristãos da igreja em Antioquia.

Creio firmemente, respaldado pelo testemunho bíblico, de que é possível um discipulado saudável. Que priorize acima de tudo o conselho de Deus para gerar o crescimento desejável na vida de cada um. O apóstolo Paulo declarou, ao despedir-se dos presbíteros em Éfeso, seus discípulos, que nunca deixara de lhes anunciar todo o conselho, ou desígnio, ou propósito de Deus para as vidas deles (At 20.27).

Esse é o verdadeiro discipulado que deveríamos praticar. O discipulado pela Palavra de Deus. E que não subjuga as pessoas a ordenamentos e preceitos humanos, mas prioriza o ensino dos conteúdos bíblicos, dos princípios de Deus, que realmente geram crescimento em Cristo e crescimento de qualidade.

Irmão amado, seja discípulo fiel do Senhor e dê o devido lugar à Bíblia em seu crescimento. Cuidado com aqueles que querem lhe impor um jugo, uma prisão. Aceite somente o que vem de Deus, conforme Sua sacrossanta e eterna Palavra. Cuidado para, estando já em Cristo, tornar a se meter em jugo de servidão. Por isso é que Paulo escreveu aos crentes da Galácia, que passaram pelo mesmo problema, leiamos: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão" (Gl 5.1).

Que você tenha uma semana abençoada n'Ele. Amém!

sábado, 13 de agosto de 2011

A boa semente, o fruto e o bom solo do coração do discípulo


Segundo a parábola contada por Jesus em Mateus 13 e Marcos 4, a parábola do semeador, existem quatro tipos de solo onde a semente cai: o solo à beira do caminho; o solo rochoso; o solo entre os espinhos e, finalmente, o bom solo, a boa terra onde, após ter caído, a semente brota, germina e produz seus frutos conforme sua espécie.

O coração de um genuíno discípulo de Jesus tem de ser necessariamente boa terra. Onde a Palavra de Deus, que é a boa semente, caiu, brotou e está e estará produzindo muitos frutos. Pode ser que inicialmente produza trinta por um , ou ainda, sessenta por um, mas Jesus disse que pode chegar a cem por um (Mt 13.8; Mc 4.8). Ou seja, produção máxima de frutos. Se você é discípulo verdadeiro de Jesus Cristo, então a semente da Palavra de Deus, a boa semente, caiu em solo fértil, porque tenho certeza, conforme as santas palavras do Senhor, de que você está sim produzindo frutos.

Agora, observe que há três progressões na produção de frutos, trinta, sessenta e cem por um. Há uma graduação nessa questão de produzir frutos em nossa vida. Isto porque, sendo cada um de nós diferentes uns dos outros, temos variados níveis de relacionamento com Jesus e isto comporta uma diferenciação na produção de frutos. Alguns mais, outros menos. Mas todos produzem. Todos os discípulos de Jesus tem a capacidade inata de produzir fruto. E se a capacidade de alguém produzir ainda é pequena, pode aumentar ainda mais.

"Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta" (Mt 13.23).

É claro que quero produzir cem. Mas me alegro, porque já produzo sessenta. Ou, trinta. O que quero ressaltar é que, como discípulo de Jesus, como alguém que entregou a vida ao Senhor Jesus Cristo, eu tenho em o princípio da produção de frutos. Tanto é assim que o Evangelho de João, capítulo 15, versos 1 a 6, Jesus dá testemunho disso, confirmando os textos de Mateus e Marcos, mas adverte também que só poderei produzir fruto se estiver enxertado na videira, que é Jesus, se não for assim, nenhum fruto será produzido.

E o que destacamos ainda nessa passagem de João, é que o Senhor deseja limpar-nos para que mais fruto seja produzido ainda. Assim, se você começou com trinta, pode passar a sessenta e chegar a cem exclusivamente pelo trabalho contínuo do Senhor e do Espírito Santo em sua vida.

A boa semente da Palavra de Deus já foi acolhida no bom solo de seu coração amado discípulo. Agora, você deve permitir que a produção aumente ainda mais e possa chegar à produção máxima de fruto.

Todavia, atente muito bem para a advertência de Jesus de que, se algum de nós, seus seguidores e imitadores, não estivermos realmente nEle, poderemos ser lançados fora, como uma vara seca porque não produziu fruto. Estando em Jesus, necessariamente haverá produção de fruto, seja trinta, sessenta ou cem por um. Não estando em Jesus, só resta o desolamento e a perdição final.

João 15.16: "Não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda."

Assim é a vida do discípulo de Jesus. Ele produz fruto. Isto é operado pela graça de Deus. Isto se dá se estivermos realmente em Jesus. Isto glorifica ao Pai. Esta produção é crescente, não é estacionária.

Minha oração nesse dia é de que todos nós possamos aumentar sempre nossa frutificação. Este é o desejo de Deus. Todo discípulo de Jesus, que porventura esteja lendo essas linhas, desde já está advertido quanto a essa verdade. Porque ela nada mais é do que a vontade de Deus para sua vida.

Que o Senhor da vinha, o lavrador, possa fazer com que eu e você, as varas, produzamos muitos frutos, desde que estejamos enxertados devidamente na videira verdadeira que é Cristo Jesus, amém e amém!



domingo, 7 de agosto de 2011

O pastor e sua responsabilidade para com o discipulado


De quem é a responsabilidade de conscientização e ação no tocante ao discipulado na igreja? De ninguém mais a não ser o pastor. É ele, semelhantemente a Jesus, quem deve planejar e colocar em prática o discipulado na igreja o qual é o responsável. Ele deve ensinar sobre o assunto à luz da Bíblia para toda a congregação, deve treinar discipuladores e ele mesmo deve discipular alguém.

Sabemos que dependendo do tamanho da igreja, essa tarefa para o pastor pode ser mais facilitada ou não. O que não se pode aceitar é uma congregação que não possua um processo discipulatório. Um pastor que não se interesse pelo crescimento em Cristo de seus irmãos, que não os procure, que não se importe com isso, que fique apenas nas teorizações, não é um pastor que apascenta o rebanho de Cristo com conhecimento e com inteligência. (Jr 3.15).

Com o advento das assim chamadas mega-igrejas, o que acontece muitas vezes é que o discípulo de Jesus é somente mais uma gota naquele oceano. Ou seja, valoriza-se em muitas dessas igrejas a sua performance a cada domingo nas chamadas celebrações, a música, o culto-show e assim perde-se e muito o valor do real contato entre os irmãos e um ambiente para que um genuíno discipulado possa ocorrer.

Esse desvio de atenção para a importância do discipulado, é típica de muitos que vivem folgazões com seus confortos e privilégios, principalmente no meio urbano. Muitos só desejam estar na igreja aos domingos, sem ter mais nenhum compromisso em outros dias da semana e que dirá se lhe for pedido que participe de um processo de discipulado, quer como discipulador ou como discipulando.

Ainda bem que há exceções a esta tendência. A revista Cristianismo Hoje, uma publicação bimensal, em sua reportagem de capa Discipulado - caminho seguro para o crescimento demonstra o exemplo da Assembléia de Deus da Ilha do Governador no Rio de Janeiro onde o pastor, Elizeu Menezes, implantou com sucesso um modelo de discipulado onde um cristão mais antigo "adota" um cristão mais novo na fé e procura acompanhá-lo em seu crescimento em Cristo, mantendo sempre o contato, estimulando-o a ir aos cultos para aprender mais. Com isso, os seis mil membros distribuídos entre o templo central e dezoito congregações tem sido melhor conduzidos.

Outro exemplo vem da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida. O pastor John McAlister adotou um modelo de discipulado onde cada atividade da igreja é elaborada e planejada com o fim de formar e treinar novos discípulos em Jesus. Ele explica que em sua igreja o discipulado não é um curso à parte, mas a ênfase de tudo aquilo que eles fazem como igreja.

Portanto, vemos que é perfeitamente possível e obrigatório que o pastor da congregação, buscando a direção de Deus, usando a criatividade de acordo com a realidade de sua igreja e sob bases estritamente bíblicas, implante, caso não haja ou seja ineficiente, um sistema de discipulado para seu rebanho.

Irmãos, não estou querendo dizer que discipulado seja somente disponível para neo-conversos. TODOS são partícipes dos benefícios de um discipulado bíblico porque TODOS estamos crescendo e aprendendo cada dia a sermos parecidos com Jesus Cristo.

Eventos não são discipulado. Igrejas há que concentram tudo nas programações, mantendo os crentes ocupados e envolvidos e isto não resulta em um crescimento semelhante a Jesus. O discipulado autêntico busca formar vidas. Para discipular, imprescindível é que alguém seja discípulo.

Há igrejas que se tornaram um mero ajuntamento de pessoas onde não existe a preocupação genuína pela vida do outro. Isso já vem de púlpito. Pastores que não pastoreiam. Que não visitam a ovelha, que sequer lhes telefonam para saber como estão. Como poderá haver a transfusão de vida que há em Jesus Cristo se não há esse genuíno interesse em discipular meu irmão?

Sendo assim, se você está em uma igreja onde não há um discipulado real, calcado na realidade e que seja bíblico, ou seja, um discipulado que transmita ao outro a vida em Jesus para que vá crescendo saudavelmente, procure outro lugar onde isso aconteça. Não se limite a ficar em uma congregação onde há tudo menos a real preocupação de uns pelos outros, principalmente quando isso começa do exemplo pastoral, que não procura e não pastoreia ou discipula de fato suas ovelhas.

Para que alguém seja um discipulador, repetindo, ele deve ser um discípulo. Este está inteirado da verdade do Evangelho. Segue em obediência a Jesus. Têm o caráter moldado por causa dessa caminhada diária. Este sim, pode ter muito sucesso, melhor, ser uma benção para aquele ou aqueles aos quais está discipulando.

Que todos possamos viver estes padrões e assim ajudar na obra de crescimento e edificação da igreja de Jesus. Se você é pastor e não se enquadra nos padrões para ser um verdadeiro discipulador, urgentíssima é sua necessidade de mudança, posto que você está como modelo dos fiéis. Ainda dá tempo de consertar as coisas, o Senhor que o chamou é misericordioso.

Que o Senhor da glória seja com Sua Igreja e com seu rebanho, amém!

O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...