terça-feira, 24 de agosto de 2010

O discípulo e a participação política


Deve o discípulo de Jesus Cristo participar da política? Sim ou não? Jesus disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). Ora, notório é que o Senhor reconheceu o poder civil. E que, como Seus discípulos, deveríamos ser respeitosos para com o mesmo, cumprindo nosso dever de pagar nossos impostos, por exemplo (Rm 13.6,7). O crente deve, conforme disse o Senhor Jesus, ser sal na terra e luz do mundo (Mt 5.13-16). Se é assim, não haverá nenhuma área da vida fora da influência do bem, que não possa ser influenciada pelos valores eternos do Reino de Deus. No âmbito do envolvimento dos cristãos na política, temos dois belos exemplos na história (vide Abraham Kuyper na Holanda e William Wilberforce na Inglaterra).

Estes homens eram autênticos discípulos de Cristo e foram determinantes em sua atuação (Kuyper como primeiro-ministro e Wilberforce como parlamentar) fazendo com que as leis dos homens estivessem mais próximas da vontade de Deus.

Sabemos que a classe política em nosso país é alvo da ojeriza de quase todos. Motivos não faltam. A cada momento pode espoucar um escândalo motivado na grande maioria das vezes por razões financeiras. A corrupção é notória. A sede de poder também.

Mas, e o discípulo de Jesus, se desejar, deve de fato ingressar nesta arena? Poderá ali influenciar com a ética divina o modus operandi político? Acreditamos que sim. Minha palavra é que se você amado irmão, postula algum cargo público, faça-o na força que Deus dá e tão somente debaixo da graça de Deus.

Apesar da corrupção, do roubo, do ganho por fora, da sede de poder, o crente que é verdadeiramente discípulo de Seu Mestre, verdadeiramente convertido a Cristo, poderá influenciar o meio político e permanecer incólume, sem ser contaminado pelos manjares do rei, assim como Daniel (Dn 1.8).

Creio em mudança para o Brasil. Em leis e ações que beneficiem o conjunto da sociedade. Creio na justiça do Reino de Deus. Mas esta benéfica influência nos negócios humanos, somente poderá concretizar-se se houverem candidatos a cargos públicos que sejam de fato servos do Deus Altíssimo. Verdadeiros representantes do Reino de Deus na terra. Não pode haver omissão dos verdadeiros discípulos de Cristo na vida pública do país porque Deus ordenou que Seus filhos iluminassem as trevas reinantes por meio de uma vida de compromisso total com Ele.

Portanto meu dileto irmão, se você tem um chamado indubitável para servir a Deus na vida pública, vá na confiança de que o Senhor o capacitará e o usará. Revista-se da armadura de Deus (Ef 6.10-20). E batalhe confiante pelos valores do Reino que não pode ser abalado, leiamos Hebreus 12.28: Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade.”

Em o Nome de Jesus, Amém!

sábado, 14 de agosto de 2010

O discípulo e a contribuição financeira


“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7).

Todos nós, discípulos do Senhor Jesus Cristo, estamos cansados de ouvir sobre os abusos que se cometem em determinadas igrejas no tocante à arrecadação monetária. Todos nós já ouvimos e continuamos a ouvir sobre a obrigatoriedade dos dízimos e ofertas. Todos sem exceção ouvimos sobre a relação de barganha, de troca, sobre a questão de ofertar. E, finalmente, todos já tiveram seus ouvidos importunados sobre a falsa doutrina das semente$$.

Ao analisarmos com mais acuracidade a Palavra de Deus, somente ela, notamos a falta de embasamento para tudo o que é feito hoje supostamente a mando do Senhor. A Bíblia fala de dízimos? Sim, certamente que sim. Fala de arrecadação de ofertas? Sim, igualmente. Porém, no Novo Testamento, nós, discípulos de Cristo, não somos de forma alguma obrigados a ter o procedimento que era ordenado aos crentes no Antigo Testamento. Antes da lei de Moisés, o dízimo já existia. Sua origem está perdida na antiguidade. Quando Moisés promulgou a lei, ordenou-lhe o Senhor de que houvesse um ordenamento quanto à arrecadação dos dízimos e ofertas para que houvesse mantimento para os levitas e sacerdotes, posto que serviriam no Tabernáculo e não receberiam terras para cultivar. O povo os sustentava, portanto.

Na Nova Aliança já não há nenhum ordenamento específico como existia na Velha Aliança. O que não significa que o crente não deva exercer esta mordomia financeira com afinco. Jesus ensina muitas coisas aos Seus discípulos, mas não ordena de forma alguma a arrecadação de dízimos. A única menção que Ele faz do dízimo tem uma conotação negativa, como exemplo do legalismo e falsa religiosidade dos fariseus (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12). Paulo, que dentre os autores do NT foi o que ofereceu a maior parte do conselho e orientação para a vida das comunidades cristãs que surgiam, nunca menciona o dízimo. Ele escreve sobre a contribuição para os pobres (1 Co 16.1-3; 2 Co 8 e 9; Ef 4.28) e para a igreja (1 Co 9). Paulo enfatiza a necessidade de contribuir financeiramente (1 Co 16.1-3; 2 Co 9.6; 8.1-5), mas de nenhuma forma estipula um percentual (o dízimo) que o cristão deva dar.

Com isto eu estou querendo dizer que erra o crente que assim o faz? Que dizima fielmente todos os meses? Não, em absoluto. Estou escrevendo para todo o discípulo para esclarecer que, na Nova Aliança, o sentido do dízimo se cumpre e, portanto, como estamos sob o âmbito da graça, somos desafiados a dar para mais, a ir além dos 10% a que fomos condicionados. Paulo nos diz que devemos dar tudo o que pudermos e em abundãncia (1 Co 16.2; 2 Co 9.7; 8.3,7). O que você acha disso? Veja o exemplo tremendo dos primeiros cristãos em Jerusalém. Eles fizeram isso e nada há ali que relate que “entregaram seus dízimos e ofertas” conforme hoje se pratica na maioria das igrejas cristãs (At 2.44,45; 4.32-37). O que havia ali entre os discípulos de Jerusalém é perfeitamente consoante com o que Paulo ensinou posteriormente.

Desnecessário dizer que as contribuições financeiras ajudam a sustentar a obra de Deus. E é isto um privilégio. Aluguel (caso a igreja não possua um lugar próprio para reunir-se), luz, água, telefone, salário do pastor, enfim, o sustento da obra se dá pelas arrecadações. Mas não é só isso, também há que se considerar a ajuda aos necessitados. Jesus e os discípulos tinham uma bolsa comum de onde se tirava ajuda aos necessitados. Paulo menciona, como já nos reportamos, a preocupação em ajudar aos que estivessem padecendo necessidades.

Gostaria de deixar esta oportuna palavra, meu amado irmão e discípulo de Jesus, para que houvesse uma necessária reflexão de sua parte. Somos discípulos de Cristo. Estamos sob o ordenamento da Nova Aliança sacramentada na cruz do Calvário. Nosso Deus é um Deus de graça, bondoso e fiel. Ele conhece os nossos corações. Ser sincero e liberal com Ele no tocante às contribuições, é o que devemos ponderar. 10% é o mínimo. E não há obrigatoriedade nisto. Porque o que o Senhor quer é a minha e a tua voluntariedade e generosidade de coração. Não tente barganhar com Deus:”Se eu dizimar fielmente, Deus tem que me abençoar.” Errado: Deus não é obrigado a nada. Pense nisso. O que Ele faz por você, O faz unicamente por Sua GRAÇA! Não pense que, por meio de suas ofertas, seu dízimo, você pode constranger Ele a fazer algo por ti. Isto é um engano que se ensina hoje em muitos lugares, infelizmente.

"E Deus é poderoso para fazer abundar

em vós toda graça, a fim de que tendo sempre,

em tudo, toda a suficiência, abundeis em

toda a boa obra"

(2 Co 9.8)


Tenha uma boa semana na Graça de Deus. Cuidado com os teólogos da prosperidade, amém!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O discípulo como imitador de Cristo


A palavra imitador é derivada de imitação significando, segundo o dicionário Aurélio "representação ou reprodução de uma coisa, fazendo-a semelhante a outra." Imitar é "fazer ou tentar fazer exatamente o que faz uma pessoa; tomar como modelo; reproduzir; repetir."

A vida do autêntico discípulo de Jesus Cristo, forçosamente se caracterizará pelo crescimento em piedade. Esta piedade é ensinada na Bíblia em seu aspecto geral, mas também é adquirida através da imitação da vida vivida por Jesus como relatada nos Evangelhos.

"Sede pois, imitadores de Deus, como filhos amados." Assim o apóstolo Paulo, grande servo de Deus, recomenda-nos em Ef 5.1. Mas igualmente, ele recomenda a imitação de sua vida porque ele imitava a Cristo: "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo" (1Co 11.1 e também 1Co 4.16; Fp 3.17; 4.9; 1Ts 1.6). Notemos a estatura espiritual deste homem de Deus. A exortação para imitá-lo procede inteiramente, sendo Paulo quem era, reconhecido em sua vida de piedade, de devoção ao Senhor, de andar com Deus, até pelos principados e potestades da maldade (vide At 19.15).

Também notamos da parte do escritor aos Hebreus, uma exortação para que seus leitores imitassem seus líderes: "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver" (Hb 13.7).

Tomás de Kempis (1379? 1380? - 1471), monge alemão, escreveu o livro Imitação de Cristo onde há várias exortações que estimulam a vida espiritual e a comunhão mais profundas com o Senhor. Em todos estes exemplos, o que devemos destacar é que temos que ter um modelo de piedade, um modelo de vida, um modelo de amor vivido na prática com o intuito de neste modelo nos espelharmos.

Este modelo está unicamente na Pessoa de Cristo. Na sua última noite com os discípulos antes de ser preso, Jesus lavou-lhes os pés, numa grandiosa lição de humildade. Depois disse: "Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14, 15).

Alguém já observou muito bem que um dos maiores problemas que afetam a fé cristã é o Evangelho não vivido. Ou, também poderíamos dizer, é outro evangelho que quase nada tem de Cristo, pois não o toma como modelo, não reproduz ou não repete suas atitudes. A maior necessidade hoje é de homens e mulheres, discípulos de Cristo, que Lhe sejam semelhantes, que O tomem como exemplo supremo para suas vidas.

Tenho com muitas dificuldades procurado este caminho de imitação de Cristo. Quero imitá-lo. Anseio viver como Ele viveu. Ele é o meu modelo. Preciso imitá-lo porque o discipulado se caracteriza exatamente em cada vez mais sermos como Ele. Em andarmos como Ele andou. O Espírito Santo trabalha continuamente para formar em cada um de nós a imagem de Cristo.

Tenha nesta semana o propósito de em tudo imitar a Cristo. O Espírito Santo lhe ajudará neste mister. Amém!


Gostaria de desculpar-me por ter ficado
por mais de uma semana sem postar, mas
perseveraremos em manter a regularidade
de um texto sempre aos finais de semana.
Obrigado por sua fidelidade em estar
conosco, fique na Paz do Senhor!





O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...