sábado, 14 de agosto de 2010

O discípulo e a contribuição financeira


“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7).

Todos nós, discípulos do Senhor Jesus Cristo, estamos cansados de ouvir sobre os abusos que se cometem em determinadas igrejas no tocante à arrecadação monetária. Todos nós já ouvimos e continuamos a ouvir sobre a obrigatoriedade dos dízimos e ofertas. Todos sem exceção ouvimos sobre a relação de barganha, de troca, sobre a questão de ofertar. E, finalmente, todos já tiveram seus ouvidos importunados sobre a falsa doutrina das semente$$.

Ao analisarmos com mais acuracidade a Palavra de Deus, somente ela, notamos a falta de embasamento para tudo o que é feito hoje supostamente a mando do Senhor. A Bíblia fala de dízimos? Sim, certamente que sim. Fala de arrecadação de ofertas? Sim, igualmente. Porém, no Novo Testamento, nós, discípulos de Cristo, não somos de forma alguma obrigados a ter o procedimento que era ordenado aos crentes no Antigo Testamento. Antes da lei de Moisés, o dízimo já existia. Sua origem está perdida na antiguidade. Quando Moisés promulgou a lei, ordenou-lhe o Senhor de que houvesse um ordenamento quanto à arrecadação dos dízimos e ofertas para que houvesse mantimento para os levitas e sacerdotes, posto que serviriam no Tabernáculo e não receberiam terras para cultivar. O povo os sustentava, portanto.

Na Nova Aliança já não há nenhum ordenamento específico como existia na Velha Aliança. O que não significa que o crente não deva exercer esta mordomia financeira com afinco. Jesus ensina muitas coisas aos Seus discípulos, mas não ordena de forma alguma a arrecadação de dízimos. A única menção que Ele faz do dízimo tem uma conotação negativa, como exemplo do legalismo e falsa religiosidade dos fariseus (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12). Paulo, que dentre os autores do NT foi o que ofereceu a maior parte do conselho e orientação para a vida das comunidades cristãs que surgiam, nunca menciona o dízimo. Ele escreve sobre a contribuição para os pobres (1 Co 16.1-3; 2 Co 8 e 9; Ef 4.28) e para a igreja (1 Co 9). Paulo enfatiza a necessidade de contribuir financeiramente (1 Co 16.1-3; 2 Co 9.6; 8.1-5), mas de nenhuma forma estipula um percentual (o dízimo) que o cristão deva dar.

Com isto eu estou querendo dizer que erra o crente que assim o faz? Que dizima fielmente todos os meses? Não, em absoluto. Estou escrevendo para todo o discípulo para esclarecer que, na Nova Aliança, o sentido do dízimo se cumpre e, portanto, como estamos sob o âmbito da graça, somos desafiados a dar para mais, a ir além dos 10% a que fomos condicionados. Paulo nos diz que devemos dar tudo o que pudermos e em abundãncia (1 Co 16.2; 2 Co 9.7; 8.3,7). O que você acha disso? Veja o exemplo tremendo dos primeiros cristãos em Jerusalém. Eles fizeram isso e nada há ali que relate que “entregaram seus dízimos e ofertas” conforme hoje se pratica na maioria das igrejas cristãs (At 2.44,45; 4.32-37). O que havia ali entre os discípulos de Jerusalém é perfeitamente consoante com o que Paulo ensinou posteriormente.

Desnecessário dizer que as contribuições financeiras ajudam a sustentar a obra de Deus. E é isto um privilégio. Aluguel (caso a igreja não possua um lugar próprio para reunir-se), luz, água, telefone, salário do pastor, enfim, o sustento da obra se dá pelas arrecadações. Mas não é só isso, também há que se considerar a ajuda aos necessitados. Jesus e os discípulos tinham uma bolsa comum de onde se tirava ajuda aos necessitados. Paulo menciona, como já nos reportamos, a preocupação em ajudar aos que estivessem padecendo necessidades.

Gostaria de deixar esta oportuna palavra, meu amado irmão e discípulo de Jesus, para que houvesse uma necessária reflexão de sua parte. Somos discípulos de Cristo. Estamos sob o ordenamento da Nova Aliança sacramentada na cruz do Calvário. Nosso Deus é um Deus de graça, bondoso e fiel. Ele conhece os nossos corações. Ser sincero e liberal com Ele no tocante às contribuições, é o que devemos ponderar. 10% é o mínimo. E não há obrigatoriedade nisto. Porque o que o Senhor quer é a minha e a tua voluntariedade e generosidade de coração. Não tente barganhar com Deus:”Se eu dizimar fielmente, Deus tem que me abençoar.” Errado: Deus não é obrigado a nada. Pense nisso. O que Ele faz por você, O faz unicamente por Sua GRAÇA! Não pense que, por meio de suas ofertas, seu dízimo, você pode constranger Ele a fazer algo por ti. Isto é um engano que se ensina hoje em muitos lugares, infelizmente.

"E Deus é poderoso para fazer abundar

em vós toda graça, a fim de que tendo sempre,

em tudo, toda a suficiência, abundeis em

toda a boa obra"

(2 Co 9.8)


Tenha uma boa semana na Graça de Deus. Cuidado com os teólogos da prosperidade, amém!

2 comentários:

DÃO caricaturas disse...

meu querido, o interessante, é que acabei de comentar em uma das postagens acima. e agora me deparei com essa, e concordo plenamente em que não devemos barganhar com DEUS.
muitos líderes,usam o versículo de ml 3;10.o problema é que algumas pessoas tem,confundido a palavra (COBRANÇA)com faser prova de DEUS.Deus aceita que seus servos façam prova deLE,mas colocá-lo na parede é um absurdo....

Observatório Teológico disse...

Que bom Dão que sua compreensão é desta forma, de fato alguns pensam que Deus é seu servo, seu escravo. Que ridículo. Mas Ele não se deixa escarnecer. Um abraço, fique na PAZ!

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