domingo, 5 de dezembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar – Parte 2


Estaremos no dia de hoje falando sobre outro inimigo do cristão – o grande dragão, Satanás, a antiga serpente, o diabo (Ap 12.9). Este inimigo que também podemos denominar de o Inimigo, certamente tem causado dois tipos de atitude para alguns discípulos de Jesus. Existem alguns que superestimam o diabo, dando a ele um status que absolutamente não possui. Em tudo enxergam a sua mão horrenda, em todos os negócios e aspectos de seu cotidiano. Entendem que Satanás está agindo e costumam esconjurá-lo com o famoso “sai em Nome de Jesus.” Costumam vê-lo atrás de cada palavra falada, atrás de cada música, ou de qualquer outra produção da mídia. Chegam a ficar paralisados de medo ao falar ou ouvirem sobre ele.

De outro lado, existem aqueles cristãos que chegam a negar a existência deste ser maligno. Que não aceitam que seja real, simplesmente por acharem que Deus não criaria tal ser. Dizem que na verdade é um personagem folclórico, ou pertencente às fábulas místicas judaicas. Ou aceitam até que exista, mas fazem pouco ao dizerem que o diabo não é tão mau assim. Que tudo que falam dele é mentira e que no fundo é um ser benévolo e deseja ajudar aos seres humanos.

Coloquemos as coisas em seu devido lugar. A Bíblia fala de forma categórica que Satanás existe, embora não tenha sido criado originariamente com um caráter malévolo, ele veio a se tornar mau por si próprio (vide Ez 28.12-19). No livro de Jó, considerado por muitos estudiosos o mais antigo livro da Bíblia, vemos Satanás ali como um ser livre e que tinha acesso a Deus e dialogava com ele (Jó 1.6-12; 2.1-7). Cremos na literalidade desta e de outras passagens bíblicas como por exemplo na tentação de Jesus onde é dito que Ele foi tentado em pessoa pelo próprio diabo (Mt 4 e Lc 4). Quanto ao seu caráter, lemos tanto em Jó como em toda a Bíblia de que é mau e ardiloso, levando os homens a pecarem contra seu Criador, fato este constatado de forma emblemática no episódio da queda no Jardim do Éden (Gn 3). Durante todo o AT procurou arrastar a nação de Israel para longe de Jeová, insuflando neles o desejo de adoração a outros “deuses”.

Aos que superestimam o Maligno, queremos colocar em alto e bom som de que a obra consumada de Jesus Cristo na cruz do Calvário, tirou todo o poder do diabo. Leiamos Cl 2.15: E despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (ARA). Também lemos em Hb 2.14: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”. Desta forma, não concordamos com os que vivem ou pregam que o diabo é muito poderoso e os crentes tem de se esconder dele. É certo, conforme a palavra de Paulo em 2Co 2.10,11 onde ele diz para não ignorarmos os ardis do diabo, a palavra em Ef 6, onde deveremos nos revestir da armadura de Deus contra as astutas ciladas do diabo, e a palavra de Pedro em 1Pe 5.8 para que vigiemos porque ele, o diabo anda em derredor, como leão que ruge e procurando alguém a quem possa tragar. Tudo isto nos lembra de que ele de fato ainda age neste mundo. Ainda ele é o príncipe deste mundo como disse Jesus (Jo 12.31; 14.30). Mas, sua decretação de derrota começou na cruz e brevemente “... o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm 16.20).

Todo discípulo de Jesus deve estar cônscio destas realidades. Temos uma luta real e constante contra o império das trevas. Satanás trabalha de acordo com os desejos de nossa natureza decaída. Ele atua de acordo com nossas fraquezas. E têm no mundo rebelde a Deus e sob seu domínio espiritual (1Jo 5.19) a ambiência ideal para levar os servos de Deus a fracassarem em sua vida de fé e obediência ao Senhor.

Entretanto, temos um Deus forte e cuidadoso, que não permitirá que sejamos tentados pelo diabo além dos limites que Ele mesmo lhe impôs. Quando pecou (Is 14; Ez 28), conforme nos diz Erwin Lutzer em A Serpente do Paraíso (Editora Vida), Lúcifer decretou sua própria derrota. Quando almejou assentar-se no trono de Deus, foi destruído estrategicamente. Criatura que é, jamais poderá ser igual Àquele que o criou. Sempre estaria sujeito à vontade do Todo-Poderoso. Também espiritualmente, na cruz do Calvário, foi derrotado por Cristo. Ali foi garantido de que parte da humanidade seria resgatada do império das trevas para o reino da luz. E, finalmente, o diabo será derrotado eternamente quando for lançado no lago de fogo (Ap 20.10). Ali contemplará eternamente sua insensatez em ter se levantado contra Deus.

Todo crente em Jesus têm o firme testemunho da Palavra de Deus sobre o lugar do diabo. Ainda atua no mundo sim e continuará a atuar juntamente com seus demônios bem como, por permissão divina, empossará seu representante na terra, o Anticristo. Infelizmente, o Inimigo têm logrado e logrará vitórias aqui e ali. Mas é uma batalha perdida para ele, visto que a eterna Palavra do Senhor decreta peremptoriamente sua derrota e de todos os que lhe seguem.

Tenhamos sabedoria, todos nós que servimos a Cristo nesta luta ferrenha contra principados e potestades do mal. Não vamos dar lugar ao diabo (Ef 4.27). Usemos as armas espirituais que o Senhor dispõe a nosso favor (Ef 6). Ofereçamo-lhes resistência e ele fugirá de nós (Tg 4.7; 1Pe 5.9). Sabemos pela revelação de Deus que o diabo reconhece a autoridade de Jesus a nós outorgada, desde que estejamos andando nos retos caminhos do Senhor, vide At 19.11-17.

Seja vitorioso nesta luta caro discípulo do Senhor. Observe somente o que diz a Bíblia neste assunto e não se incline a aceitar placidamente o que ouvir a respeito, venha de quem vier. Examine sempre as Escrituras.

Que Deus o abençoe grandemente. Na próxima semana discorreremos sobre o terceiro inimigo do discípulo de Cristo, a carne, ou seja, sua natureza decaída.

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