sábado, 26 de setembro de 2009

A santidade e a solidão


É maravilhosa a vida com Jesus! Ele sempre está ao nosso lado, mesmo em momentos em que pecamos e quebramos esta maravilhosa comunhão. A companhia d'Ele é uma constante em nossa vida por meio do Espírito Santo. Disto sabemos.

Porém, muitas vezes, o verdadeiro seguidor de Jesus se vê sozinho. Ou seja, solitário de companhias humanas. A solidão, como disse o grande A.W. Tozer, parece ser o preço que o santo deve pagar pela sua santidade. Os grandes homens de Deus no Antigo Testamento seguiam por caminhos diferentes da maioria dos homens de sua época e por isso estavam sozinhos, ainda que rodeados de muitas pessoas.

Enoque, por exemplo, viveu num nível de santidade tal que Deus teve de tomá-lo para si, o mundo de então não era digno de um homem como aquele.

De Abraão, notamos no relato de sua vida em Gênesis, até onde nós sabemos, que Deus jamais se dirigiu a ele quando em companhia de outras pessoas. Era a sós, em momentos memoráveis como aquele narrado no cap. 15 que Abraão se deleitava na doce Presença do El Shadai.

Moisés também teve esta experiência do Inefável, estando a sós com Yaweh no monte Sinai 40 dias e 40 noites (Êx 24.18).

Os demais profetas eram diferentes uns dos outros, mas tiveram em comum sua solidão de entes humanos que era na realidade uma solidão forçada. Porquê? Porque, embora amassem ao seu povo e se gloriassem na religião de seus pais, sua lealdade ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó e seu zelo pelo bem-estar da nação de Israel os afastou da multidão, lançando-os em longos períodos de isolamento.

Todavia, a mais reveladora visão provém d'Aquele a quem Moisés e todos os demais profetas escreveram, que seguiu solitário para a cruz e, embora rodeado de seus discípulos e pelas multidões, sua profunda solidão não foi mitigada.

O verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, que entrou na presença divina numa experiência interior real, não conseguirá encontrar muitos que o compreendam. Ainda que desfrute de companheirismo na vida comum da comunidade cristã, um verdadeiro companheirismo espiritual será difícil de encontrar. Sendo peregrino, em sua jornada não encontrará muitos, que, como ele, anseiam em lançar-se aos pés do Mestre.

Essa solidão faz com que aprenda, ministrado que é pelo Espírito do Senhor no recôndito de seu templo interior, o que não aprenderia, ainda que rodeado da multidão. Ele aprende que Jesus Cristo é a real razão de sua existência e fonte de sua incomensurável alegria.

Embora tenhamos falado neste espaço sobre a importância de desenvolvimento de relacionamentos para o crescimento do discípulo de Cristo, e de que o discipulado autêntico não possa prescindir de vivermos em comunidade para que ministremos uns aos outros, estamos falando nesta instância de outra dimensão de nossa vida com Deus que é o cultivo de nosso relacionamento com Ele, de uma verdadeira vida de santidade e que isto pode sim, muitas vezes, fazer com que caminhemos pela senda da incompreensão e do abandono de "amigos" e "irmãos".

Afinal, foi assim que se sucedeu com o nosso Senhor. Lembremo-nos sempre: Não podemos levar a nossa cruz acompanhados. Embora possamos estar rodeados por uma grande multidão, a nossa cruz nos pertence. Ela, a carregaremos sozinhos. Outro não a levará por nós.

A solidão do crente nasce do seu andar com Deus em um mundo ímpio e esse caminhar pode afastá-lo da companhia de outros cristãos e do mundo não-regenerado.

Mas, firme é a palavra de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28.20). Fique firme nesta palavra irmão, em nome de Jesus, Amém!



Um comentário:

Danilo Fernandes disse...

A paz, irmão!

Outro dia vi o link do seu blog e vim conhecer. Parabéns pelo excelente trabalho virtual. Hoje me tornei seu seguidor. Aproveitando, quero convidar-lhe para conhecer o Genizah um blog de apologética cristã, notícias e humor. Contamos com um time de editores e colaboradores diversificado e inteligente.

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Um abração, do seu mais novo leitor,

Danilo Fernandes

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