sábado, 19 de junho de 2010

Paulo e o discipulado: Algumas lições (3)


Finalizando estas reflexões sobre a vida de Paulo e o que podemos dele aprender para nossa vida como seguidores de Jesus Cristo, queremos desta feita falar de Paulo atuando no pastoreio e no ensino. Vimos anteriormente que Paulo foi submisso a ser discipulado por Barnabé e aprendemos também como Paulo destacou-se em cumprir o ide de Jesus, ao lançar-se com denodo à obra missionária.

Se há um outro aspecto brilhante da vida de Paulo, isto sem dúvida encontra-se em seu coração de pastor/mestre. Não se contentou somente em ir e ganhar almas para o Reino de Deus. Não somente ganhou como pastoreou. Ele retornou às localidades onde tinha feito discípulos para Cristo para confirmá-los na fé (At 15.36; 16.4,5). Quando encontrava-se em Corinto (At 18.11), e em Éfeso (At 19.1-10), Paulo entregou-se à obra pastoral com plena dedicação. Aquelas igrejas precisavam ser alicerçadas na fé cristã e Paulo a elas dedicou mais tempo. Em Corinto ficou por 1 ano e meio e em Éfeso, dois anos. Aprendemos que, nenhum cristão ou nenhuma igreja deve ficar sem a devida ministração pastoral. Um tempo de qualidade foi dedicado a estas igrejas, muito embora Paulo tivesse um ministério eminentemente apostólico, pois era um plantador de igrejas (Rm 15.18-28).

Porém Paulo igualmente se destacava pelo dom de ensino que fartamente demonstrou. Seu ensino aos novos convertidos, era calcado inteiramente na Palavra de Deus. Ele ministrava aos seus conversos a Torá, o A.T., posto que, obviamente, o Novo Testamento ainda não existia como tal. Romanos 15.4 atesta claramente o que Paulo ensinava: Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.”

Todavia, o ministério de Paulo não seria completo se ele não tivesse a direção do Espírito Santo para escrever suas 13 epístolas (cartas). Alguns autores consideram que seriam 14, se incluírmos aí a epístola aos Hebreus. Porém, como é polêmico afirmar que Paulo foi seu autor, pois a evidência não é segura, ficamos com sua autoria para as treze mencionadas. Isto por si só eleva extraordinariamente a dimensão do ministério paulino. Ele escreveu desde muito cedo em seu ministério. A epístola aos Gálatas é considerada a primeira das epístolas de Paulo, seguida pelas duas aos Tessalonicenses (alguns estudiosos consideram 1 aos Tessalonicenses como sendo a mais antiga). Em seguida vem 1 aos Coríntios, e 2 aos Coríntios algum tempo depois seguida da magistral epístola aos Romanos. Em data bem posterior, quase ao final da carreira do grande apóstolo, temos as epístolas de Filemon, Colossenses, Efésios, Filipenses (essas quatro conhecidas como epístolas da prisão) e as denominadas epístolas pastorais de 1 a Timóteo, Tito e 2 a Timóteo (esta seguramente foi sua última epístola, escrita perto do final de sua vida, conforme 4.6-9).

Paulo em suas epístolas procurou orientar pastoralmente em relação aos problemas surgidos nas igrejas, com muitas instruções de natureza ética, mas também houve uma aplicabilidade excelente no tocante ao desenvolvimento teológico da fé cristã. Praticamente todas as cartas contém ensinamentos teológicos de alto nível, destacando-se neste rol as epístolas aos Romanos e aos Efésios. Paulo foi um erudito mestre da fé cristã e o desenvolvimento da nova fé, oriunda do Judaísmo, pôde se alicerçar e solidificar através dos escritos paulinos e assim, testificar amplamente tanto a judeus como a gentios de que Jesus Cristo era de fato o Messias prometido, conforme claramente falava o AT. A grandeza de seu ministério como mestre, ou doutor, deve ser inspirador a todos nós para que busquemos também conhecer mais profundamente as Escrituras Sagradas como Paulo as conhecia. Ele foi um rabino altamente erudito. Educado ao pés de outro grande rabino, Gamaliel. Também falava vários idiomas. Mas acima de tudo, foi instrumento poderoso do Espírito Santo. Se não estivesse sob sua direção, de nada valeriam estes conhecimentos, ressaltamos. Até porque, ele mesmo declarou assim: Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11,12). Ou seja, a revelação de Deus estava em sua vida, aliada ao preparo que anteriormente já tinha tido, muito embora considerasse …por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (Fp 3.8).

Para nós, discípulos de Jesus, que vivemos nesta época tão conturbada, onde os sinais de Seu breve retorno se avolumam, necessário se faz atentar para a vida de Paulo em todas as dimensões que foram aqui abordadas: 1) Sua chamada e discipulado; 2) Seu envolvimento em missões e seu apostolado; 3) Sua obra como pastor e como mestre da Palavra. Nosso discipulado pode em muito crescer em qualidade, ao olharmos para o belo testemunho da vida do apóstolo dos gentios.

Que o Senhor da Glória possa, em Seu amor, ajudá-lo a um dimensionamento maior na fé. Que seu discipulado seja acrescido da virtude do Espírito Santo. Que Seu poder esteja sobejamente em sua vida. Que seu coração se encha do insondável e grande amor de Deus.

Com um sincero Shalom a todos,

Cicero

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