sábado, 30 de julho de 2011

O discipulado radical dos anabatistas


Os anabatistas constituíam-se no ramo radical da Reforma Protestante do Séc. XVI. Diferentes dos luteranos, dos reformados (Calvino, Zwínglio) e dos anglicanos, os anabatistas optaram, por exemplo, pela completa separação da Igreja em relação ao Estado. A partir de Constantino, caminham de mãos dadas a autoridade eclesiástica e a autoridade civil de forma paralela. Opostos a isso, não aceitaram o ponto de vista da reforma luterana, por exemplo, que não fez essa distinção, mas deu continuidade à síntese constantiniana, praticada pelo catolicismo romano.

Tornaram-se mais radicais os anabatistas em relação às outras alternativas reformistas da época. Contrariamente aos católicos romanos e protestantes que falavam da reforma da igreja, eles atuavam mais em termos de restauração ou restituição. Encontravam o modelo para essa restauração no Jesus dos Evangelhos e na comunidade messiânica neotestamentária.

O discipulado entre os anabatistas portanto, é diferente e peculiar exatamente por causa de sua radicalidade em seu entendimento da vida cristã. Esforçaram-se por manter o testemunho de Cristo intacto, mesmo em meio aos apelos, ameaças e perseguições que sofreram para que abdicassem de sua visão singular. Quais as características então do discipulado entre eles? Passaremos agora a esta visão ímpar de discipulado extraída do excelente livro Contra a Corrente - Ensaios de Eclesiologia Radical de John Driver, Editora Cristã Unida.

1) Em primeiro lugar, o discipulado para os anabatistas implicava em uma valorização das palavras de Jesus. Em todas as épocas, os movimentos de renovação radical têm atribuído prioridade às palavras de Jesus. E, após descobri-las, a questão essencial não é tanto sobre quais são suas implicações éticas frente a outras alternativas, mas se vão ser obedecidas ou não.

2) Também esse tipo de discipulado implica conformidade com as atitudes internas de Jesus, tanto quanto obediência às suas palavras. A concepção radical de discipulado dos anabatistas compreende ter "em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus", que renunciou ao poder e assumiu a condição de servo (Fp 2.5-11). Tal conformidade com Cristo tem a ver com uma orientação global perante a vida.

3) Igualmente, o discipulado autêntico implica em que nos conformemos ao comportamento concreto de Jesus. Essa preocupação não era elemento exclusivo do ponto de vista anabatista. Eles a receberam de Erasmo (que era católico) e de Zwínglio, porém foram mais coerentes em sua aplicação global da vida. Com certa ingenuidade intencional, os anabatistas insistiam em agir como Jesus havia atuado. Isso incluía curar os doentes, fazer o bem aos outros, renunciar ao poder coercitivo nas relações sociais, recusar o juramento, servir ao próximo, amar os inimigos, etc. No século XVI, tanto católicos quanto protestantes insistiam em que a imitação de Jesus era impossível para os cristãos comuns; francamente, tentar fazê-lo era presunção. Entretanto, com recursos espirituais e morais de fato surpreendentes, os anabatistas puseram-se a imitar Jesus no próprio âmbito das relações sócio-políticas e econômicas concretas.

4) Finalmente, o discipulado radical implica em que a essência dos ensinamentos de Jesus deva ser levada muito a sério. Por exemplo, quando Jesus disse aos seus discípulos que têm de agir de maneira diferente daquela da sociedade em geral, disse-o em relação à sua forma de ganhar e gastar o dinheiro, em sua atitude perante as exigências das autoridades, quanto ao juramento de lealdade, o emprego da força coercitiva, as relações trabalhistas, as relações matrimoniais, etc. Enfim, o fato de atribuir valor autorizador aos ensinamentos de Jesus não deixa nenhuma área da vida à margem do senhorio de Jesus Cristo. A vida concreta de Jesus de Nazaré dá forma específica à conformidade e não-conformidade de que Paulo fala (Rm 8.29; 12.1,2). Para o discipulado do povo de Deus, o Jesus encarnado era a norma.

Concluindo, afirmamos, juntamente com John Driver e os anabatistas de que fazer discípulos é oferecer um modelo para ser imitado. Formar-se-ão autênticos discípulos quando se lhes oferecerem autênticos modelos para que os imitem. A imitação de Cristo, e portanto a imitação desses discípulos, parece ter sido a maneira neotestamentária de formar os seguidores de Cristo (1Co 4.16; 11.1; Hb 13.7). O modelo, porém, continua sendo um.

Não devemos encarar o discipulado como uma técnica para garantir o desenvolvimento saudável de uma comunhão de cristãos e nem como um programa que assegure o triunfo na vida cristã, por mais importantes que estes fatores sejam. Devemos ter bem clara em nossas mentes e corações de que seguir Jesus é um privilégio e um compromisso.

Seu sofrimento vicário foi o exemplo que nos legou (1Pe 2.21). Nossa vida de discipulado está enquadrada nessa dimensão. Não existem subterfúgios para isso.

O Senhor que te resgatou continuará contigo nessa caminhada. Creia somente. Que Deus te abençoe ricamente.

domingo, 24 de julho de 2011

Problemas do discipulado nos centros urbanos


Existe uma dificuldade nos dias de hoje nas grandes cidades do mundo para que um efetivo discipulado aconteça em toda sua plenitude. Isto porque, para muitos servos de Cristo, discípulos que desejam crescer e aprender mais e mais com seu Mestre e Senhor, ir aos cultos, estar com os irmãos celebrando a vida em Jesus é muitas vezes algo muito dificultoso. As distâncias a serem cobertas, engarrafamentos, horários apertados, stress, exigências do trabalho, cônjuges e filhos, estudos, enfim, há realmente uma série de demandas que podem se constituir barreiras para o discipulado dos filhos de Deus. A prática da Igreja na cidade não pode passar ao largo destas situações.

O discipulado requer proximidade. Requer relacionamentos. Exige que regularmente o discipulador possa estar com o discipulando para poder ministrar à sua vida os ensinos de Cristo. O discipulando precisa deste contato para aprender e crescer. Se o encontro ocorre de forma esporádica ou, infelizmente e com muito prejuízo para o discipulando, este não ocorrer, seu crescimento na fé cristã estará prejudicado. É preciso pensar e agir a respeito.

Mesmo que haja toda essa dificuldade em uma grande cidade de nosso país, urge que a liderança estabeleça meios e condições para que ocorra o discipulado. Discipulado não pode ser feito à distância. Não pode ser feito on-line, através do Facebook, MSN ou Twitter. Discipulado autêntico e com qualidade somente deverá ocorrer de forma presencial, em encontros para que ocorra a dinâmica do "uns aos outros" a mutualidade, como preconiza o NT (Rm 15.7; 1Co 12.25; 14.26; Ef 4.25; 5.19 algumas passagens para exemplo, existem inúmeras outras).

Estou falando de encontros individuais. Discípulo e discipulando. Mas não quero deixar de mencionar a grande importância dos grupos pequenos que também proporcionam esta dimensão de discipulado. Desde que este grupo não seja muito grande, de 12 a 15 pessoas no máximo e que haja uma ênfase no treinamento para que aprendam a ser efetivos discipuladores de outros discípulos e isso possa se reproduzir ad infinitum.

A igreja na cidade depende e muito do esforço de todos para que aconteça a experiência enriquecedora que é o discipulado. Ela é fundamental para que os conteúdos e as práticas da vida em Cristo sejam demonstrados e aplicados. Não posso conceber uma igreja que se reconhece cristã e não seja aplicada ao ministério do discipulado (ou ao ministério de ensino bíblico-teológico, ou ao ministério de diaconia e tantos outros igualmente).

Defendo que na medida do possível a igreja esteja perto, o mais perto possível de seus membros. Sei que às vezes torna-se difícil esta realidade porque o que acontece é de alguém converter-se hoje, onde está morando, a igreja é em seu bairro, não há dificuldade alguma para deslocar-se ao local de culto juntamente com sua família. Porém, por circunstâncias várias, este novo crente poderá mudar de residência ou ser transferido em seu trabalho e precisa mudar realmente de endereço e passa então a encontrar dificuldades para congregar onde fazia outrora. Isto em grandes cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro por exemplo é muito real.

O que fazer nesses casos? Dependendo da visão de seus líderes e das condições e direção do Senhor, aquela hipotética igreja poderá ter outras congregações em vários lugares da cidade. De forma que aquela família ficaria no mesmo ministério sem precisar deixá-lo. Mas, isto muitas vezes é impossível de se realizar. Nesse caso, aqueles cristãos deverão orar ao Senhor e Lhe pedir a direção para que, no novo lugar em que passarão a morar, estejam numa igreja onde poderão continuar em seu processo de crescimento por meio do discipulado.

O importante é que entendamos a importância desse ministério. De que, apesar das dificuldades nas grandes metrópoles as igrejas e os líderes usem sua criatividade para que efetivamente o processo ocorra. E isto sem prejuízo dos conteúdos bíblicos, obviamente.

Irmão querido, meu desejo com esta reflexão é levar você a pensar a respeito. Como está sua vida de discipulado, você hoje ministra e é ministrado por alguém? Mesmo em meio às dificuldades que ocorram na cidade onde você esteja morando hoje? Confie de que Deus deseja que você enfrente, supere dificuldades e continue a crescer e que ajude outros a crescerem também, por isso todos juntos (e não somente os líderes, os pastores) devem tudo fazer para que a semelhança com Cristo seja buscada por meio do discipulado.

Tenha uma excelente semana na graça de Deus, sempre procurando crescer à semelhança de Jesus Cristo, Amém!


sábado, 16 de julho de 2011

O imperativo do evangelismo para o discípulo de Jesus


Temos de cumprir, como discípulos de Jesus Cristo, o seu IDE! Faz parte do discipulado autêntico esta ordem como o próprio Cristo disse: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19).

Se não cumprirmos esta ordem expressa de nosso Senhor, como haverá mais discípulos? E, sendo pregada a mensagem, e alguém ouvindo e tornar-se discípulo como nós, deve ser acompanhando num santo discipulado para que também vá crescendo em Jesus, sendo ensinado a ele para que também cumpra este IDE e assim o processo se repita.

Gosto de pensar que foi a nós que Jesus Cristo comissionou e enviou. Não foi aos anjos. Esse ir e pregar aos que não conhecem a Deus, começou com o próprio Cristo. Em Sua encarnação, o processo começa a se desenvolver. Em seu glorioso e profícuo ministério, o Senhor pregou e ensinou como ninguém mais o Evangelho da salvação que tem como seu ápice sua morte e ressurreição. Note o que Ele disse ao iniciar o ministério: "E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1.14,15).

Naturalmente, para que haja discípulos, convém repetir É NECESSÁRIO PREGAR O EVANGELHO! Sendo assim, a tarefa de evangelismo é fundamental para alguém que se diz discípulo de Cristo. Discípulo gera discípulo por meio da pregação do Evangelho.

Tudo o que falei é óbvio. Mas a repetição, o reforço, tem o condão de fazer com que nos despertamos porque o ser humano se acomoda muitas vezes. Não estamos livres também, por ser seguidores de Cristo, desta acomodação. Sair de nossa zona de conforto é a vontade de Deus!

Quantas oportunidades perdemos de falar do amor de Deus por causa de nossa acomodação. Como estamos em uma sociedade que tem como um de seus valores a busca do entretenimento, devemos cuidar com tudo aquilo que nos afaste daquilo que sabemos que é a vontade de Deus para nós, e fazer outros discípulos é prioritário.

O imperativo do evangelismo é para todos. Sabemos que "evangelista" conforme Efésios 4.11 é um dom ministerial. O termo significa "o que anuncia as boas novas" e aparece por três vezes no NT (At 21.8; Ef 4.11; 2Tm 4.5). São servos de Deus capacitados pelo Espírito Santo para conduzir outras pessoas aos pés de Jesus, iniciando novas igrejas e conduzindo um trabalho pioneiro onde o Evangelho ainda não tenha sido pregado. Falamos do dom de evangelista. Mas relembremos que na Grande Comissão, TODOS OS DISCÍPULOS DE CRISTO FORAM INTIMADOS A PREGAR O EVANGELHO e não somente um grupo seleto (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; At 1.8).

No processo de discipulado, no crescimento em Jesus, aprendemos a ser como Ele. Jesus é o nosso modelo. Sendo assim, o evangelismo pessoal encontra um lugar de alto valor. Veja como o Senhor comissiona e envia os doze discípulos em Mt 10. Ele lhes CHAMA, e lhes confere PODER para expulsarem demônios e para curarem toda enfermidade e todo o mal. Leiamos os versos 7 e 8: "E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai."

Note que eles eram discípulos, seguidores do Senhor. Estavam aprendendo todos os dias com Ele, vendo como Ele procedia, como falava, como evangelizava. Então chega o momento de também irem e pregarem. De fazerem a obra, inclusive fazendo no poder do Espírito Santo, com sinais e maravilhas. Jesus disse em Marcos 16.17 e 18 que a pregação do Evangelho pressupõe demonstração do poder de Deus para confirmar a Palavra pregada. Ou seja, demônios manifestados e expulsos, enfermidades curadas e vidas restauradas.

De sorte que, amado discípulo de Jesus, não podemos ser omissos. Não podemos permanecer na acomodação existencial de todos os dias. Eu tenho decidido sair de minha zona de conforto. Sei que não estou cumprindo este imperativo de evangelismo como deveria ser. Mas quero ser um discípulo fiel e obedecer a Cristo. Somos cooperadores em Sua obra (1Co 3.9). Jamais nos esqueçamos desse fato.

Todo discípulo é como seu Mestre. Que ama as almas dos homens e anseia vê-los rendidos a Deus. Todo discípulo busca as almas, vai ao encontro delas para ministrá-las a palavra da salvação. Todo discípulo atenta para o que está escrito em Romanos 10.15b: "Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho da paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas."

Sejamos então obedientes ao mandato de nosso Mestre e Senhor e não desperdicemos mais tempo com coisas irrelevantes (como é próprio desse nosso tempo, tantas coisas contribuem para nossa distração). Preguemos a tempo e fora de tempo (2Tm 4.2) e façamos a obra de um evangelista (2 Tm 4.5), estas são recomendações de Paulo a seu jovem discípulo Timóteo, ao qual devemos bem atentar.

Que Deus abençoe você meu irmão e condiscípulo de Cristo. Quero cumprir o imperativo de Jesus. Espero em Deus que você faça o mesmo. São ordens de nosso amado Senhor. Não vamos mais desapontá-lo. Sejamos discípulos fiéis, que assim seja!






sábado, 9 de julho de 2011

O desafio do discípulo em permanecer santo


É grande o desafio na vida de todo aquele que se posiciona ao lado de Deus, que crê no Evangelho e que anseia em agradar ao Senhor mediante uma vida santa. Porque o importante mesmo não é como começamos nossa vida com Cristo, mas sim sua continuidade e seu final. Este processo demanda a parte que Deus opera em nós, mas também a parte que nós temos que fazer, leiamos o que diz o apóstolo Paulo: "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.12,13).

O discipulado é um processo de crescimento em santidade. O discipulado em Jesus continuamente nos desafia a começarmos santos, continuarmos santos e permanecer santos. O discipulado exige tal postura porque devemos ser santos como Ele é santo (1 Pe 1.16). Nada menos do que isso. Por isso torna-se um desafio diário, porque temos de lutar contra o poder de atração da terra, do mundo, os apelos da carne, as tentações de Satanás.

A Bíblia claramente nos demonstra quais são nossos reais inimigos, aqueles que conspiram contra a vida de santidade em Deus. Nossos inimigos não são pessoas de carne e osso (Ef 6.12). De forma alguma deveremos pensar assim, embora as pessoas sejam instrumentalizadas contra nós.

A carne, a nossa natureza corrompida pelo pecado, a nossa concupiscência, está bem demonstrada em Tg 1.13-15: "Ninguém sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado e o pecado sendo consumado, gera a morte."

O mundo e seus atrativos, encontramos em 1 Jo 2.15-17: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."

O diabo e suas tentações, com o detalhe de que ele instrumentaliza a carne e o mundo contra nós encontramos o exemplo clássico na tentação que Jesus Cristo sofreu no deserto da Judéia após 40 dias de jejum (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13). Também podemos nos reportar à tentação sofrida por Eva, juntamente com Adão em Gn 3.6: "E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos; e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela."

Amado discípulo do Senhor, permanecer santo é nosso maior desafio. Estes inimigos do cristão arduamente estão a lhe acometer todos os dias objetivando sua derrocada espiritual. Não temos desculpas para não entender as abundantes advertências divinas para vigiarmos continuamente contra todos eles. Muitas vezes, há coisas em nossa vida que não chegam a constituir-se pecado. Mas podem ser um peso, um embaraço para o prosseguimento em nossa carreira santa (Hb 12.1).

Para permanecer santo, o crente conta com o inestimável auxílio do Espírito Santo. Na epístola aos Romanos no capítulo 8, o apóstolo Paulo dedica a ensinar-nos sobre esta verdade, o trabalho do Espírito em nós. Jesus mesmo disse que o Consolador viria e estaria conosco para sempre (Jo 14.16). Somente andando e vivendo em Espírito, pode o discípulo de Jesus ser vitorioso. Somente assim poderá andar em santidade.

A vida de oração do discípulo nada será se não for pelo Espírito Santo, porque é Ele quem nos auxilia a orar (Rm 8.26,27).

A vida de leitura e meditação nas Escrituras também nada será se não for potencializada pelo Espírito Santo (Jo 14.26).

Lembremo-nos igualmente da armadura que temos à nossa disposição conforme Ef 6.10-18. São uma realidade na vida de cada cristão as astutas ciladas que o Maligno coloca em seu caminho de santificação. Mas este texto demonstra que há recursos espirituais à nossa disposição. Deus não deixou-nos sozinhos neste embate, temos seu poderoso e forte auxílio.

Gostaria então de encerrar dizendo que não é uma opção ter uma vida de santidade, mas é nossa obrigação. Se não o fizermos, desonraremos Aquele que nos chamou, Aquele que nos remiu em Seu precioso sangue.

Você começou santo, continue santo, permaneça santo. Este é o desafio do discipulado. E creia no que está escrito em Fp 1.6: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo."

O desafio de Deus, por meio de Seu Santo Espírito é aperfeiçoar-nos cada dia mais até o dia da vinda de nosso Senhor!

O nosso desafio é corresponder nesse aperfeiçoamento, fazendo tudo o que Ele nos disser (Jo 2.5).

Aceite este desafio. Seu discipulado deve ser autêntico. Você deve ter um andar santo. Que o Senhor continue a Lhe guiar continuamente nesta árdua mas gloriosa via da santidade.

sábado, 2 de julho de 2011

Discipulado combina com proximidade, com intimidade


Estava refletindo sobre a Marcha para Jesus que ocorreu hoje pela manhã em minha cidade. Uma multidão de pessoas que somou aos milhares desfilou debaixo de uma chuva fina para afirmar o senhorio de Jesus Cristo em suas vidas. Pensei que o discipulado, o andar com Cristo, deve ser algo diferente do que vi pela manhã. Diferente no que tange a quantidade, números. Cristo prima pela qualidade em detrimento da quantidade quando trata conosco.

Para um real discipulado, onde possamos realmente a cada dia ser transformados segundo à imagem de Jesus Cristo, necessário é que esqueçamos a ideia de quantidade. A qualidade no relacionamento com Deus é a pérola desejada. Não adiantaria horas e horas consumidas na oração, se esta não se pauta por objetividade. Orar segundo a Bíblia, orar segundo o padrão bíblico e não um desfile interminável de petições que demonstram o egocentrismo de nosso coração.

Da mesma maneira a leitura bíblica será marcada pela qualidade quando lemos, meditamos sem pressa e pedimos a iluminação do Espírito Santo, que Ele nos esclareça e aplique em nossa vida a passagem que está sendo reflexionada para suscitar a devida transformação de que tanto precisamos. Uma atividade de leitura que se preocupa tão somente em ler a Bíblia toda, para depois triunfalmente exclamarmos: "Li a Bíblia toda em três meses" (.....seria possível? rsrsrs). Acredito que estará a alegria de um recorde (ler o AT e o NT todo em tão pouco tempo) mas pouco efeito espiritual, pouco proveito porque priorizou-se a quantidade e não a qualidade na atividade proposta.

Nós, discípulos do Senhor Jesus nesse tempo em que se dá tanto valor à instantaniedade, ao fast-food, à rapidez nas conexões na web, não deveríamos parar e entender de uma vez por todas que nossa vida de discipulado sofre por causa do espírito dessa época? Tudo é num estalar de dedos, tudo deve ser para ontem. A descartabilidade em tudo e a rapidez, esta são as tendências.

Não obteremos assim um caminhar de qualidade, não estaremos sendo realmente transformados pelo Espírito Santo à imagem de Cristo se adotarmos o modus operandi deste tempo. Vi a multidão e entendi que ali não havia real proximidade, embora estivessem aglomerados em uma praça e depois saíssem em uma passeata pelas ruas. Não se pode dizer que havia real intimidade entre aquelas pessoas, embora todos professassem o nome de Cristo, estavam afinal marchando para Jesus.........

O discipulado é uma realidade bem diferente. Caminhar realmente com nosso Mestre requer que pensemos que Ele não está preocupado com a quantidade. Ele requer qualidade em nossa vida de fé com Ele.

Creio que cabe bem aqui a recomendação do apóstolo Paulo em Rm 12.2: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito" (Bíblia de Jerusalém).

Realmente há coisas na vida do ser humano que devem ser feitas de forma mais apressada. Mas o que realmente é essencial para nós (e no que estamos tratando falo obviamente de intimidade com Deus), não devemos ser marcados pelo espírito de nosso tempo, mas caminhar de forma totalmente diferente com Jesus.

Discípulo, marche para Jesus, mas acima de tudo, caminhe com Ele de forma íntima e saudável. Tomemos cuidado com aquilo que o mundo preza, o discípulo caminha na contramão sempre no que tange à sua vida íntima com o Senhor.

Tenha um excelente final de semana marcado pela presença de Deus.



O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...