sábado, 25 de junho de 2011

Para não deixar emagrecer nossas almas......




Salmo 106.14,15: "Mas deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza às suas almas."

O povo de Israel que saiu do Egito, que fora liberto com mão forte e braço estendido por Deus, cedo esqueceu as obras do Senhor (Sl 106.13). Cometeram iniquidade, andaram perversamente (v.6). Este povo esqueceu das muitas misericórdias do bom Deus e também não entenderam plenamente Suas maravilhas realizadas no Egito, pelo contrário, provocaram-no no Mar Vermelho (v.7).

Após o grande livramento, após passarem a pé enxuto pelo leito do mar e verem os egípcios mortos na praia (Êx 14.30), cantaram e creram no Senhor (Sl 106.12), mas como os versículos que encabeçam este texto, foram seduzidos por sua própria cobiça (Tg 1.14,15). Deus ouviu as murmurações e viu as rebeliões dos israelitas, de tentarem voltar ao Egito e atendeu-lhes os pedidos reiterados por comida e por água. Mas isso fez definhar-lhes a alma (Sl 106.15 na versão Almeida Revista e Corrigida).

O que nós, discípulos de Cristo Jesus, podemos aprender com tudo isso? O primeiro fato que quero destacar é de que não somos diferentes dos israelitas. Também recebemos bençãos de Deus, livramentos maravilhosos, demonstrações generosas de Seu favor para conosco, então nos alegramos e O louvamos para em seguida nos perdermos em murmurações, insatisfações e pecados de toda ordem.

A relação com Deus deveria ter o condão de ser algo sublime e maravilhoso para todos que assim o desejassem. Deveria produzir alegrias indizíveis, mesmo que percebessemos que o Senhor não atende exatamente nossos pedidos errôneos em oração.

O Senhor queria que Seu povo no deserto, aprendesse a viver confiante n'Ele. Queria que Seu povo aceitasse de bom grado as provações para que Seu poder, Seu cuidado fosse enfatizado uma vez mais. Queria educar o povo para aprender lições preciosíssimas, povo este acostumado com a servidão no Egito, mas agora liberto e que deveria aprender a viver a liberdade sob a amorosa disciplina de Deus.

Os discípulos de Jesus Cristo, eu e você não somos diferentes dos descendentes de Abraão. Nesta vida, que podemos considerar uma jornada pelo deserto, com muitas tentações como tiveram os israelitas (o bezerro de ouro, Êx 32 e Baal-Peor, Nm 25), estamos pois em perigos de toda ordem que podem nos afastar do Senhor. E muitas vezes, Ele atende nossos pedidos inadequados ou permite determinadas situações sobre nós, que aparentemente podem nos favorecer, gerando uma alegria de momento, mas nossas almas também definharão, como ocorreu com os filhos de Israel.

O apóstolo Paulo deixa bem claro em 1Co 10.1-13 para nós o exemplo negativo dos rebeldes israelitas no deserto. Todo discípulo de Jesus deveria cuidar para não "emagrecer sua alma", ou seja, não permitir que a presença do Espírito de Deus fique minguada dentro de si, a graça de Deus esteja sendo minada por uma vida iníqua. É neste momento que tenho problemas para aceitar a opinião de alguns amados irmãos que afirmam "uma vez salvo, salvo para sempre". Não acredito nisso, pois a Palavra de Deus é pródiga em nos alertar sobre os perigos na vida cristã e que, caso descuidemos, poderemos até perder nossa salvação.

Mas o discípulo de Jesus conta com um poderoso aliado. O Espírito Santo. O capítulo 8 de Romanos é uma espetacular demonstração do que podemos ganhar se procurarmos diligentemente andar em Espírito e viver também em Espírito (Rm 8.13,14; Gl 5.25). E o Espírito de Deus testifica fortemente em nosso interior de que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Recebemos o espírito de adoção de filhos (Rm 8.15). Não somos mais escravos do pecado.

Discípulo de Jesus, saiba então que é forte a mão do Senhor sobre ti. Ele, através do precioso Espírito Santo que em nós habita, pode te fortalecer, te "imunizar" diante de tantas tentações que nos acometem na jornada e nos fazer chegar com segurança à Sua presença naquele grande dia. Poderemos então dizer como o salmista: "Bendito seja o Senhor Deus de Israel, de eternidade em eternidade, e todo o povo diga: Amém. Louvai ao Senhor" (Sl 106.48).

Que esta seja nossa postura, que esta seja nossa adequada posição diante do Senhor. Não tenha uma alma "magra", mas sim, robustecida pela obediência ao Senhor em todo o nosso viver. Que Ele abençoe você dessa forma, amém!

sábado, 18 de junho de 2011

Real culto ao Senhor, como você discípulo o concebe?


Após quase cinco meses, volto a escrever neste blog. Ausente daqui, porém muito presente no OBSERVATÓRIO TEOLÓGICO - www.observateologia.blogspot.com como você mesmo poderá conferir.

Gostaria de ressaltar que continuarei a escrever neste espaço sempre uma vez por semana e que os textos terão como foco o discipulado em Jesus.

Amado discípulo em Cristo, como você concebe o que seja um real culto para o Senhor? Como você acha que Deus recebe nossa adoração e nosso louvor? Outra coisa: Isto está limitado somente a um momento específico, ou refere-se ao todo da vida do cristão?

Vou tomar como exemplo para nossa breve reflexão a igreja primitiva como retratada em Atos. Ali, o culto ao Senhor era algo constante. Era algo que havia sido incorporado ao cotidiano. Eles adoravam a Deus, o cultuavam em qualquer lugar. No templo e nas casas, adoravam ao Senhor com singeleza de coração (At 2.46). Estavam unidos em um só propósito (4.32).

O apóstolo Paulo em Romanos 12.1 ensina que devemos prestar a Deus um culto racional. Ou seja, devemos usar plenamente nossas faculdades mentais de forma lúcida para cultuar ao Senhor de todas as coisas. Somos imagem e semelhança de nosso Criador e somos as únicas criaturas de Deus que podem por isso prestar verdadeiramente um culto racional àquele que nos criou e nos redimiu em Cristo.

Hoje, percebo com tristeza que muitos estão trocando o verdadeiro culto a Deus, conforme vemos nas Escrituras, onde exaltamos a Majestade divina, onde recordamos Seus atributos e O louvamos por isso, por um aspecto mercantilizado, monetarizado. Adoramos e cultuamos a Deus com todo o nosso ser. Isso inclui tudo o que somos e temos. Jesus disse claramente sobre isso, citando as Escrituras do AT: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento" (Mc 12.30). Portanto, cultuar ao Senhor envolve o todo de nossa vida. Pode-se afirmar que é mesmo um estilo de vida.

Repudiamos com veemência a tendência que de forma avassaladora investe contra todo o sincero discípulo do Senhor que ouve de que se ele não for fiel ao Senhor em seus dízimos e suas ofertas, por exemplo, ele não terá as bençãos de Deus. Discordo dessa afirmação. Dízimos e ofertas, no contexto da igreja primitiva, não era por obrigatoriedade. Ninguém era constrangido, ninguém era obrigado a dizimar e ofertar. Vemos que, de forma voluntária e amorosa, muitos vendiam suas propriedades e iam aos pés dos apóstolos e depositavam os valores (At 4.34-37). Não ouviam o discurso falso de nossos dias de que se assim não o fizessem, estariam apartados das bençãos divinas.

Falo isso porque precisamos reaprender com o NT que cultuamos a Deus com a totalidade de nossa vida e isso naturalmente inclui a mordomia de nossos bens. Por amor ao Senhor, tão somente. Não porque um pastor ensinou ou pregou que deve ser assim senão....Deus não irá me abençoar. Sinceramente, ou eu creio no Deus de toda graça, ou creio no Deus monetarizado que está sendo hoje apregoado aos quatro ventos.

Essa é a minha palavra para você, caro discípulo de Cristo. Acredite que o Senhor recebe a sua adoração, o seu culto, quando você o faz de forma sincera e em amor. Creia que você é livre em Jesus para adorá-lo e que de forma alguma é coagido para que faça essa adoração. O culto prestado ao Senhor expressa a gratidão por Sua obra em nossas vidas. O adoramos e o amamos porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19).

Todos os dias, todas as horas e em qualquer situação, adorarei aquele que por mim morreu e ressuscitou. Sem a preocupação de que tem de ser em um local específico para isso. No âmbito do AT era assim. O templo de Jerusalém, o lugar indicado para a adoração ao Pai. No NT já não estamos sujeitos a lugares especiais. Também, o nosso cultuar a Deus não está mediado por valores monetários. Deus conhece o nosso coração. Ele, somente Ele sabe se O estamos adorando, se O estamos cultuando com sinceridade plena, ou usamos de falsidade como fizeram Ananias e Safira (At 5.1-11).

Que a Graça plena do Senhor seja contigo em todo o tempo. Amém!