sábado, 22 de janeiro de 2011

O discípulo e a aplicação diária da cruz - QUEBRANTAMENTO


"Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17)

O rei Davi, mesmo que tenha pecado gravemente, buscou com diligência o perdão de seus pecados. Hoje, exatamente gostaríamos de falar de mais outro aspecto da aplicação diária da cruz - o quebrantamento.

Uma das coisas mais lindas e mais tremendas que alguém pode esperar ver é um quebrantamento genuíno de coração diante de Deus. Quando assim procedemos, a represa das bençãos de Deus é liberada e poderemos grandemente nos alegrar diante d'Ele e Ele diante de nós. Sim, pois o Senhor se alegra sobremaneira com nossa atitude de retorno a Ele, de reconhecimento pleno de nossos pecados, de dar razão a Ele e à Sua Palavra quando somos notificados de nossos erros.

Davi desejava um coração inteiramente puro. Pedia a Deus uma operação mais profunda de Sua graça. Ainda no Salmo 51 lemos o seguinte: "Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.....Cria em mim ó Deus um coração puro, e renova em mim um espírito reto" (6,7,10).

O que todos nós, discípulos de Jesus Cristo, deveremos entender, é de que temos de manter uma atitude de arrependimento por toda nossa vida. Essa atitude precisamente chama-se quebrantamento. Nós podemos perder nossa experiência de santificação, se permanecermos inquebrantáveis, se não nos dobrarmos arrependidos perante o Senhor. Ele nos admoesta a nos humilharmos e a atitude única aceitável por Ele de nossa parte é justamente o quebrantamento de nosso coração.

Vivemos em absoluta dependência de Cristo agora e do Espírito Santo. Por isso, não há mais em mim nem em você a antiga atitude de tomarmos vingança em nossas mãos, por exemplo, quando somos ofendidos. No sentido do velho homem, queremos nos desforrar. Mas, viveremos em humildade e escondidos em Deus, na dependência absoluta e incondicional d'Ele. Existe um antigo provérbio hindu que afirma: "Podemos andar sobre a areia o resto da vida, que ela nunca reagirá."

Interessante notarmos que os vocábulos humildade e humano provém da mesma palavra latina humus, que significa a mesma terra escura sobre a qual andamos. Muito mais do que ocupar-se com o pecado, no sentido de penitência e contrição, a humildade é a própria essência da santidade. Humildade é destronar o ego e entronizar a Cristo. Este é tudo e o ego nada. Não significa meramente uma sucessão de atos humildes, mas é a expressão do espírito quebrantado. Entendemos pois que, o espírito de humildade, o espírito de quebrantamento, significa a ausência de um espírito de desforra e autodefesa. E nisto, nosso grande exemplo é o próprio Senhor Jesus, porque sofreu nas mãos de pecadores e não abriu sua boca, não reagiu, mas conservou-se humilde e confiante no Pai (1 Pe 2.19-24).

Deus pode nos quebrantar através da humilhação que nos prova e vexa. E quando isto acontece, ou aceitamos e nos quebrantamos ou nos endurecemos. Se aceitarmos ser quebrantados - em nossa vontade própria, em nossas ambições, ideias, visões, e sermos desprezados pelas pessoas e tidos por indignos e abandonados, somente aí então o Espírito Santo nos tomará e usará para a glória de Deus. E é com Jesus que aprenderemos, na senda do discipulado, esse espírito de humildade.

Não basta confessarmos nossos pecados a Deus, mas para realmente resolvermos o problema da reincidência no pecado, deveremos ter um genuíno quebrantamento de espírito. Nossa rendição a Deus é a nossa mais alta prioridade. Esta atitude é a única que realmente abre a porta da graça de Deus para nós, a única que nos mantém firmes agradando a Ele.

Quando Deus nos fizer passar por provas e aflições teremos três opções: ou rebelamo-nos e resistimos, ou perdemos a esperança, ou nos quebrantamos. Quando nos quebrantamos, Cristo é revelado em nós. Quebrantamento é obra de Deus e nossa também. Deverá ser esta a atitude correta portanto para uma vida de santidade e poder reais.

Na semana vindoura falaremos sobre mais um aspecto na aplicação diária da cruz - a intercessão.

Que o Senhor da glória ricamente te abençoe.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O discípulo e a aplicação diária da cruz - SACRIFÍCIO


Em nossa reflexão anterior, vimos que a vida com Cristo, o caminho do discipulado com Ele, envolve disciplina e controle de nosso corpo mediante o Espírito e também não permitindo que o corpo assuma a direção de nossa vida. Mas agora, deveremos entender igualmente que a aplicação diária da cruz requer sacrifício - ou seja, este corpo disciplinado deve ser usado sacrificialmente visando o bem de outros.

Caminhar com o Cordeiro de Deus envolve realmente sacrifício. Viveremos sacrificialmente em dois níveis: 1) Entregando o que temos sacrificialmente e 2) Vivendo sacrificialmente. Podemos e devemos sacrificar aquilo que temos e aquilo que somos. Isto porque, a verdadeira vida cristã, o verdadeiro discipulado cristão é vida de sacrifício. Chamados somos para sacrificar o que possuímos e também o que somos. Muito mais do que dinheiro, isto custa tempo, esforço, conforto e segurança. Há uma necessidade imperiosa de que todo genuíno discípulo de Cristo aprenda a doar-se completamente, sem reservas, em prol de outrem. Não devemos mais poupar-nos mas sim, quebrantar-nos para que Jesus Cristo que habita em nós seja então revelado plenamente.

O profeta Isaías fala assim: "E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia" (Is 58.10). O mundo clama por socorro. Estamos diante das inúmeras calamidades que açoitam os seres humanos. Muitos olham de um lado e de outro e não encontram uma palavra de consolo, um ombro solidário, uma mão amiga, um suprimento de necessidade material. Onde estarão os cristãos, onde estarão os genuínos seguidores de Cristo, que abrirão mão de suas comodidades, de seus privilégios e darão de si mesmos em resposta ao clamor dos aflitos? Se dizemos que pregamos o Evangelho da cruz, onde estão aqueles que vivem sob a marca da cruz que é o sacrifício pessoal, sacrifício de amor, em favor de outros?

Aqui está, amado discípulo de Jesus, um dos aspectos de nossa vida com Ele que mais nos identifica como Seus seguidores: o amor sacrificial. Como Ele próprio, que não poupou-se para consumar a salvação por nós na cruz do Calvário, temos agora este princípio operante em nossa vida com Ele, de procurarmos nos abrir para outros, de nos entregarmos por outros.

A.W. Tozer escreveu certa vez uma reflexão sob o título: "A cruz é uma coisa radical." Realmente. A cruz de Cristo nos constrange a viver de uma maneira radicalmente sacrificial. É inconcebível que diante dessa cruz, estejamos indiferentes. Que não enxerguemos com o olhar de amor, o sofrimento do próximo. Que nos mantenhamos encastelados em nossa religiosidade vã e mesquinha e não saiamos ao encontro do faminto, do sujo, do despojado, do maltratado, do rejeitado.

Esta é por sinal a única vida verdadeira que agrada a Deus. Vida de sacrifício. Vida de amor. Vida de generosidade plena. Jesus disse assim: "Na verdade, na verdade, vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" (Jo 12.24,25). Sendo assim, todo discípulo de Cristo, eu e você, deveremos seriamente considerar as implicações dessas palavras do nosso Mestre. Se amarmos nossa vida, de fato a perderemos. Todavia, se a "odiarmos" ou seja, se vivermos em amor sacrificial, considerando seriamente a vida de nosso próximo, não fechando nosso coração, mas amando-o verdadeiramente, seremos então, como disse o Senhor Jesus, como o grão de trigo que ao cair na terra, morre. Quando assim acontece, produzirá muito fruto. Assim é conosco.

Que nestes dias você possa refletir sobre isso e aplicá-lo à sua vida. Na próxima semana falaremos sobre o terceiro aspecto da aplicação diária da cruz - o quebrantamento.

Que o Senhor Deus te enriqueça sobremaneira com toda sorte de benção espiritual em Jesus Cristo. Amém.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O discípulo e a aplicação diária da cruz - DISCIPLINA


Postamos uma série de mensagens neste espaço sob o título - "Contra quem o discípulo deve lutar" onde falávamos da luta do crente contra seus três inimigos, o mundo, a carne e o diabo. Em 11 de dezembro de 2010, escrevíamos o último desta série exatamente falando sobre a carne. E discorríamos de que há provisão na luta conta este inimigo e esta provisão consiste em nos apropriarmos dos benefícios da morte de Jesus Cristo na cruz do Calvário. E é sobre isso que que queremos abordar a partir de hoje.

A disciplina na vida do discípulo de Cristo é notificada nas Escrituras. É algo desejável, assim como o atleta que de tudo se abstém visando alcançar seu prêmio (1Co 9.24,25), ou, o soldado que tudo faz para agradar ao seu comandante (2Tm 2.3-5). Após, ter sido salvo e santificado, necessária é a disciplina na vida de todo cristão. Não podemos viver a vida que o Senhor tenciona para nós sem nos abstermos daquilo que Lhe desagrada. E a aplicação diária dos efeitos da morte de Cristo no Calvário estão disponíveis para todo aquele que almeja crescer na comunhão com o Senhor.

Entendamos que o velho homem está morto. Cristo tomou toda nossa pecaminosidade, nossos pecados e transgressões e levou-a ao Calvário. Porém, cabe a cada um de nós aceitar esta verdade, de que unidos a Cristo, morremos, e confiar plenamente que o Espírito Santo tornará isto real em nossa experiência diária. Poderemos assim seguir em frente e fazer aquilo que a Bíblia ensina a realizarmos: "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6.11).

Na santificação, nossa natureza humana não é erradicada. Mas sim, ocorre a purificação do pecado em nossa vida. Ocorre uma mudança de relação. Isto é o efetivo efeito do que Cristo realizou na cruz. Vemos um exemplo desta obra de Deus em nossas vidas quando Jesus libertou o endemoninhado gadareno (Mc 5). Ninguém poderia domá-lo, era feroz e agressivo devido à presença de demônios que habitavam seu corpo. Não conseguiam prendê-lo e era temido por todos. Quando Jesus o libertou, ficou assentado calmamente aos pés do Senhor. Quando relacionado com o diabo, era uma pessoa agressiva, indomável, incontrolável e perigosa. Tendo sido curado e libertado daquela escabrosa situação de relacionamento com Satanás e agora relacionado com Cristo, torna-se dócil, inofensiva e sossegada. Este homem continuou a mesma pessoa, mas ocorrera uma mudança de relacionamento que proporcionou-lhe sua completa libertação e purificação. Ocorre assim conosco também em nossa vida cristã.

Precisamos crescer em nossa vida com Cristo. Tendo ocorrido a regeneração, fomos santificados pelo sangue de Jesus, fomos libertados do jugo do diabo e agora deveremos viver a vida cristã, a vida de discipulado autêntico negando-nos a nós mesmos a cada dia, para que de fato, torne-se efetiva a obra da cruz. A palavra de Lc 9.23 é bem apropriada para este momento: "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a cada dia a sua cruz, e siga-me." Esta é a disciplina que deveremos ter. O apóstolo Paulo falou também em 1Co 9.23-27 sobre esta negação pessoal quando disse que esmurrava o seu corpo e o reduzia a escravidão.

De maneira clara a Palavra de Deus fala então da necessidade de disciplina pessoal. Para que efetivamente, os efeitos salutares da obra da cruz sejam notórias em nossas vidas, devemos proceder em tudo como está escrito em Fp 2.12b: "....operai vossa salvação com temor e tremor", ou seja, fazer a parte que nos compete na vida cristã, conforme diz 1Pe 4.2: "Para que, no tempo que nos resta na carne, não vivamos mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus."

Somente dessa forma viveremos para Deus e não para nós mesmos. Não andaremos segundo o proceder do velho homem, a carne, a natureza decaída no pecado, mas andaremos segundo o Espírito de Deus (Rm 8.12,13; Gl 5.16,17). Na luta contra a carne, deveremos atentar para as disciplinas da oração, do jejum, da leitura e meditação nas Escrituras, tudo isto também por si só já constitui-se em renúncia pessoal, porque naturalmente fugimos destas necessárias disciplinas para satisfazer aos apelos carnais.

Na semana vindoura abordaremos a aplicação diária da cruz - sacrifício. Que o Deus de toda graça te abençoe de forma inigualável.


O Discípulo e a Identidade de Cristo

É possível que alguém se reconheça como cristão, que deposite fé na Pessoa de Jesus Cristo, que confiou nEle como seu Único Salvador e ...