sábado, 11 de dezembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar – Última parte


Nas abordagens anteriores falamos sobre dois inimigos do cristão – o mundo e o diabo, que agem fortemente contra os seguidores de Cristo, mas são inimigos externos. Desta feita, falaremos sobre o terceiro grande inimigo do cristão, a carne. Este oponente tem uma peculiaridade em relação aos dois primeiros que é o fato de ser um inimigo que está em nós. Poderíamos até falar que este inimigo somos nós mesmos, isto é, nossa natureza decaída e corrompida pelo pecado.

Toda a Palavra de Deus testemunha do fato de que temos uma natureza decaída. Davi, nos Salmos de forma categórica afirma isto. Ele diz no Salmo 14: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um (vs 1-3, ver também Sl 53.1-3). O apóstolo Paulo corroborou estas palavras de Davi em Romanos 3.10-18 citando também outros salmos como 5.9; 140.3; 10.7; 36.1 e também Isaías 59.7,8. Tudo isto dá um quadro da impiedade humana. Demonstra-se que o homem é mau em sua essência. O Senhor Jesus Cristo fechou a questão quando em Mt 15.18-20 e em Mc 7.20-23 disse claramente que de dentro do homem, de seu interior, de seu coração, procedia tudo de ruim. E era isto que o contaminava. Era isto que o fazia estar separado de Deus. O pecado é parte componente de nossa natureza.

Quando Caim ficou furioso por Deus ter aceitado a oferta de seu irmão Abel e não a sua própria, ficou com o semblante visivelmente transtornado. O Senhor, em Sua misericórdia o arguiu em relação à sua ira por ter sido preterido em sua oferta e disse que ele deveria proceder bem, porque se assim não fizesse o pecado tomaria ocasião para inteiramente dominá-lo. Mais uma vez citamos o apóstolo Paulo em Rm 7.18-25 mostrando que realmente não há bem nenhum na natureza humana decaída. A carne, isto é, a natureza do homem, está inteiramente corrompida. Ele disse: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.”

Na epístola aos Gálatas, Paulo uma vez mais ensina sobre a natureza humana. A concupiscência, isto é, a cobiça da carne não deve ser satisfeita. O discípulo de Jesus tem de fazer a opção da renúncia pessoal. Negar-se a si mesmo portanto é central na vida dos servos de Deus (Mc 8.34,35). No capítulo 5 de Gálatas, versos 19 a 21 estão listadas algumas das obras da carne: imoralidade, impureza, indecência, idolatria, feitiçaria, inimizades, rivalidades, ciúmes, ira, ambição egoísta, discórdias, partidarismo, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes (Almeida Século 21). Todas estas obras são oriundas do homem pecador. Tiago tem a palavra que a meu ver mostra de forma mais clara ainda que todo homem é seduzido por sua cobiça interior, leiamos: “Ninguém, sendo tentado diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência (na versão Almeida Séc. 21, este verso é assim vertido: “Mas cada um é tentado quando atraído e seduzido por seu próprio desejo”). E a passagem continua: “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15).

Jesus disse que a carne, a natureza humana, é fraca (Mt 26.41). O discípulo não conseguirá vencer a luta contra este inimigo que está infiltrado em sua própria constituição. O Salmo 51.5 diz: “Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe.” Nada podemos em nossa própria força para vencer este inimigo respeitável. Não devemos ser relapsos em nossa luta diária. Deus ordena que não coloquemos coisa má diante de nossos olhos (Sl 101.3), que devemos nos abster de toda aparência do mal (1 Ts 5.21). Deus ordena que nossos olhos olhem para frente, que devemos ponderar a vereda de nossos pés e que todos os nossos caminhos sejam bem ordenados, que não devemos declinar nem para a direita e nem para a esquerda, deveremos retirar nossos pés do mal, além de ordenar a desviar a falsidade da nossa boca e afastar a perversidade de nossos lábios (Pv 4.24-27). Em Filipenses 2.12, Paulo ensina que devemos operar nossa salvação com temor e tremor. Isto demonstra a renúncia pessoal às obras da carne de cada verdadeiro discípulo de Cristo enquanto caminha no deserto dessa vida.

A vitória contra a carne está determinada por Deus se obedecermos fielmente Suas ordenanças. O Espírito Santo nos ajuda nessa luta conforme Romanos 8. Gálatas 5.16 diz que se andarmos segundo o Espírito, de forma alguma satisfaremos os desejos pecaminosos da carne.

Glória a Deus portanto, porque diferentemente do que muitos dizem, há provisão e há vitória na luta contra nossa carne. Deveremos pela fé nos apropriar dos benefícios da morte de Jesus Cristo na cruz e aplicá-los em nosso viver diário. Todavia, isto não é fácil. Esta aplicação diária da cruz demanda disciplina, sacrifício, quebrantamento, intercessão e combate. Em postagens futuras, discorreremos particularmente sobre estes cinco aspectos da luta contra a carne.

Encerramos por ora esta série de estudos declarando que viver em Cristo, ser-Lhe fiel a cada dia e fazer Sua obra, é perfeitamente possível neste mundo decaído, que têm a Satanás por seu príncipe e onde vivemos debaixo de muitas tentações que tentam nos arrastar à sedução por causa de nossa cobiça latente. O discípulo de Jesus é chamado a viver de tal forma que possa glorificar o Nome do Senhor (1 Co 10.31) em todos os aspectos de seu cotidiano.

Que Deus, que o chamou para Sua própria glória, possa conduzí-lo triunfantemente, sabendo que Ele é poderoso para guardar-lhe de todo mal, não só do mundo ou de Satanás, mas do mal que está em você mesmo (2 Tm 4.18; 1Ts 5.22).

E o Deus de toda graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.”

1 Pedro 5.10

Em o Nome de Jesus, amém!


domingo, 5 de dezembro de 2010

Contra quem o discípulo deve lutar – Parte 2


Estaremos no dia de hoje falando sobre outro inimigo do cristão – o grande dragão, Satanás, a antiga serpente, o diabo (Ap 12.9). Este inimigo que também podemos denominar de o Inimigo, certamente tem causado dois tipos de atitude para alguns discípulos de Jesus. Existem alguns que superestimam o diabo, dando a ele um status que absolutamente não possui. Em tudo enxergam a sua mão horrenda, em todos os negócios e aspectos de seu cotidiano. Entendem que Satanás está agindo e costumam esconjurá-lo com o famoso “sai em Nome de Jesus.” Costumam vê-lo atrás de cada palavra falada, atrás de cada música, ou de qualquer outra produção da mídia. Chegam a ficar paralisados de medo ao falar ou ouvirem sobre ele.

De outro lado, existem aqueles cristãos que chegam a negar a existência deste ser maligno. Que não aceitam que seja real, simplesmente por acharem que Deus não criaria tal ser. Dizem que na verdade é um personagem folclórico, ou pertencente às fábulas místicas judaicas. Ou aceitam até que exista, mas fazem pouco ao dizerem que o diabo não é tão mau assim. Que tudo que falam dele é mentira e que no fundo é um ser benévolo e deseja ajudar aos seres humanos.

Coloquemos as coisas em seu devido lugar. A Bíblia fala de forma categórica que Satanás existe, embora não tenha sido criado originariamente com um caráter malévolo, ele veio a se tornar mau por si próprio (vide Ez 28.12-19). No livro de Jó, considerado por muitos estudiosos o mais antigo livro da Bíblia, vemos Satanás ali como um ser livre e que tinha acesso a Deus e dialogava com ele (Jó 1.6-12; 2.1-7). Cremos na literalidade desta e de outras passagens bíblicas como por exemplo na tentação de Jesus onde é dito que Ele foi tentado em pessoa pelo próprio diabo (Mt 4 e Lc 4). Quanto ao seu caráter, lemos tanto em Jó como em toda a Bíblia de que é mau e ardiloso, levando os homens a pecarem contra seu Criador, fato este constatado de forma emblemática no episódio da queda no Jardim do Éden (Gn 3). Durante todo o AT procurou arrastar a nação de Israel para longe de Jeová, insuflando neles o desejo de adoração a outros “deuses”.

Aos que superestimam o Maligno, queremos colocar em alto e bom som de que a obra consumada de Jesus Cristo na cruz do Calvário, tirou todo o poder do diabo. Leiamos Cl 2.15: E despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (ARA). Também lemos em Hb 2.14: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”. Desta forma, não concordamos com os que vivem ou pregam que o diabo é muito poderoso e os crentes tem de se esconder dele. É certo, conforme a palavra de Paulo em 2Co 2.10,11 onde ele diz para não ignorarmos os ardis do diabo, a palavra em Ef 6, onde deveremos nos revestir da armadura de Deus contra as astutas ciladas do diabo, e a palavra de Pedro em 1Pe 5.8 para que vigiemos porque ele, o diabo anda em derredor, como leão que ruge e procurando alguém a quem possa tragar. Tudo isto nos lembra de que ele de fato ainda age neste mundo. Ainda ele é o príncipe deste mundo como disse Jesus (Jo 12.31; 14.30). Mas, sua decretação de derrota começou na cruz e brevemente “... o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm 16.20).

Todo discípulo de Jesus deve estar cônscio destas realidades. Temos uma luta real e constante contra o império das trevas. Satanás trabalha de acordo com os desejos de nossa natureza decaída. Ele atua de acordo com nossas fraquezas. E têm no mundo rebelde a Deus e sob seu domínio espiritual (1Jo 5.19) a ambiência ideal para levar os servos de Deus a fracassarem em sua vida de fé e obediência ao Senhor.

Entretanto, temos um Deus forte e cuidadoso, que não permitirá que sejamos tentados pelo diabo além dos limites que Ele mesmo lhe impôs. Quando pecou (Is 14; Ez 28), conforme nos diz Erwin Lutzer em A Serpente do Paraíso (Editora Vida), Lúcifer decretou sua própria derrota. Quando almejou assentar-se no trono de Deus, foi destruído estrategicamente. Criatura que é, jamais poderá ser igual Àquele que o criou. Sempre estaria sujeito à vontade do Todo-Poderoso. Também espiritualmente, na cruz do Calvário, foi derrotado por Cristo. Ali foi garantido de que parte da humanidade seria resgatada do império das trevas para o reino da luz. E, finalmente, o diabo será derrotado eternamente quando for lançado no lago de fogo (Ap 20.10). Ali contemplará eternamente sua insensatez em ter se levantado contra Deus.

Todo crente em Jesus têm o firme testemunho da Palavra de Deus sobre o lugar do diabo. Ainda atua no mundo sim e continuará a atuar juntamente com seus demônios bem como, por permissão divina, empossará seu representante na terra, o Anticristo. Infelizmente, o Inimigo têm logrado e logrará vitórias aqui e ali. Mas é uma batalha perdida para ele, visto que a eterna Palavra do Senhor decreta peremptoriamente sua derrota e de todos os que lhe seguem.

Tenhamos sabedoria, todos nós que servimos a Cristo nesta luta ferrenha contra principados e potestades do mal. Não vamos dar lugar ao diabo (Ef 4.27). Usemos as armas espirituais que o Senhor dispõe a nosso favor (Ef 6). Ofereçamo-lhes resistência e ele fugirá de nós (Tg 4.7; 1Pe 5.9). Sabemos pela revelação de Deus que o diabo reconhece a autoridade de Jesus a nós outorgada, desde que estejamos andando nos retos caminhos do Senhor, vide At 19.11-17.

Seja vitorioso nesta luta caro discípulo do Senhor. Observe somente o que diz a Bíblia neste assunto e não se incline a aceitar placidamente o que ouvir a respeito, venha de quem vier. Examine sempre as Escrituras.

Que Deus o abençoe grandemente. Na próxima semana discorreremos sobre o terceiro inimigo do discípulo de Cristo, a carne, ou seja, sua natureza decaída.

O Discípulo e a Identidade de Cristo

É possível que alguém se reconheça como cristão, que deposite fé na Pessoa de Jesus Cristo, que confiou nEle como seu Único Salvador e ...