quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em busca do silêncio para ouvir a Deus


Em entrevista publicada na revista Galileu deste mês, George Prochuik, autor do livro In Pursuit of Silence diz que há um déficit de silêncio em nosso cotidiano. E estamos, segundo ele, com um grande distúrbio de atenção relacionado com todo esse ruído esquizofrênico. Prochuik defende que temos de buscar mais silêncio para nossas vidas visto que o barulho afeta nosso modo de pensar. E decisões sociais, emocionais e profissionais são prejudicadas por causa dos ruídos.

Diante destes fatos, fiquei a pensar sobre a importância de buscar ou cultivar o silêncio a fim de poder ouvir a voz de Deus. Elias no monte Horebe, ouviu o som de um forte vento, sentiu e ouviu o ruído de um terremoto e também ouviu o forte crepitar de labaredas de fogo. Em todas estas manifestações com provavelmente alguns altos decibéis de som, o Senhor não se encontrava. Somente depois, no silêncio, é que Elias ouviu ao Senhor falando com uma voz mansa e delicada (2 Re 19.11,12).

A vida em nossas cidades modernas conspira contra uma ambiência de silêncio que muitas vezes nos impede de cultivar a presença de Deus. A Bíblia, na versão Almeida Revista e Corrigida diz: "Eu amo aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão" (Pv 8.17). A sabedoria personificada, ou seja, o próprio Deus, fala que será achada se buscada na madrugada, ou seja, bem cedo onde os ruídos do dia ainda não iniciaram seu habitual cortejo.

Buscar ao Senhor nas manhãs silenciosas geralmente é um momento ímpar que não pode ser desprezado pelo servo de Cristo. Assim, ele deve, sempre que possível, dedicar estas primeiras horas do dia na Santa Presença do Senhor. Na senda do discipulado, deveremos dar a máxima importância, ou a prioridade elementar para a comunhão com o nosso Senhor. Se vamos aprender aos pés de Cristo, isto se dará se lhe dermos toda a nossa devida atenção. Sem ruídos ou outros fatores que possam estorvar este momento sem igual.

Na sociedade hodierna como bem frisou George Prochuik, temos um déficit de silêncio. O cristão deve também combater esta tendência perniciosa que o aflige como tantas outras coisas que nos dias atuais conspiram contra o genuíno relacionamento com o Senhor Deus. Se nos submetermos verdadeiramente a Ele, acredito que Sua graça atuará no sentido de termos a nossa chamada "hora silenciosa" com qualidade e regularidade.

Reconhecemos entretanto que em muitos contextos poderá o cristão ter alguma dificuldade para ter silêncio ao seu redor e buscar devidamente ao Senhor. Nesse caso, convém que ele entenda que deverá reorganizar sua agenda e seus horários para poder buscar a Deus, nem que tenha de afastar-se de sua moradia, sair para um lugar retirado (pode ser o próprio templo onde congrega ou lugares mais afastados e que sejam minimamente seguros).

Jesus tinha predileção por lugares isolados e afastados da multidão para buscar o Pai a sós. Sua vida de oração é o grande exemplo para todos nós, seus discípulos. Eu creio na importância dessa prática, a oração em lugares retirados. Afinal, é em silêncio, é em solidão, é no encontro a sós com o Pai que poderemos ouvir verdadeiramente Sua voz, assim como Elias ouviu.

Não caia mais nas armadilhas da vida moderna. Na Idade Média, nos mosteiros, os monges ou qualquer outro que quisesse, encontraria um lugar ideal para meditar e orar em silêncio. Não se deixe iludir pelos "agitos" de muitos de nossos cultos. Certamente, celebrar a Deus em um culto animado é desejável. Mas já não vejo da mesma forma quando uma igreja ou denominação não pratica, não ensina e nem proporciona aos seus membros a ambiência ideal para o cultivo de uma espiritualidade mais profunda que necessariamente demandará vida de oração dedicada, meditação nas Escrituras, e tudo isto em um adequado momento ou ambiente. Tornou-se tão pragmática a vida do crente nos dias atuais que ele desaprendeu (se é que um dia sabia disso) a orar e meditar na Presença de Deus se não for num ambiente de total agito e que muitas vezes é irreverente e muito pouco acrescenta ao seu crescimento na comunhão com Deus.

Discípulo de Cristo tenha a postura adequada para ouvir a voz de seu Mestre. Busque-o e não tenha medo de estar em silêncio em Sua amorável presença. Dê todo o seu desprezo aos agitos que querem nos afastar dos momentos gloriosos de silêncio e contemplação na presença do Pai. Que em Deus você encontre a cura para o distúrbio de atenção que já pode ter lhe afligido por causa dos ruídos da vida moderna.

Que o Senhor se agrade de ti e que você se deleite n'Ele. Guarde em seu coração as palavras de Jeremias: "Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor" (Lm 3.26).

Em o Nome de Jesus, amém e amém!

domingo, 17 de outubro de 2010

A fome física e espiritual do discípulo de Cristo


Por causa de sua constituição sui generis, o homem possui um corpo físico, orgânico, com todas as necessidades inerentes, como alimentação adequada e nutritiva, exercícios, higiene, sono e repouso, mas também um corpo espiritual, com necessidades também de ser alimentado, porém de maneira espiritual. O corpo físico alimenta-se da matéria orgânica: carnes, frutas, legumes, hortaliças. O corpo espiritual, alimenta-se da Palavra de Deus.

Corpo físico, ou, natural, no grego soma psuchikos. Corpo espiritual, no grego soma pneumatikos. No próprio vocabulário original do NT, deparamos com esta diferenciação nas palavras que denotam duas esferas diferentes. Paulo disse em 1 Co 15.44: "Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual." O corpo natural é o corpo humano adaptado somente para a vida neste mundo. E, nesta passagem de 1Co 15, em que Paulo discorre sobre a ressurreição, ele fala igualmente do corpo espiritual que não quer dizer um corpo etéreo, invisível, ou puro espírito, porém, um corpo que corresponderá às necessidades da vida espiritual, da vida dos ressurretos em Cristo Jesus no porvir.

Assim é que devemos todos nós, discípulos de Cristo, ter a sabedoria de observar as instruções claras da Bíblia acerca da prioridade de vivermos uma vida espiritual elevada. Ainda não fomos ressurretos dentre os mortos, ou transformados ainda em vida por causa da vinda de Cristo (1 Co 15.50-54; 1Ts 4.13-18). Ainda não chegou este glorioso dia. Mas, as ordenanças do Senhor para que vivamos em Espírito, que nos alimentemos de Sua Palavra, são pertinentes. Paulo diz-nos em Rm 8.13: "Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis." Ora, para o discípulo, significa isto viver de forma espiritual.

Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra de Deus (Jo 1.1). Ele disse de Si mesmo que é o pão da vida e também o pão vivo que desceu do céu, de maneira que quem comesse desse pão viveria para sempre (Jo 6.35, 48,51). Finalmente, Ele disse assim: "Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim" (Jo 6.57). Somente saciará sua fome espiritual, o cristão que se alimentar verdadeiramente de Cristo, que é a própria Palavra de Deus encarnada (Jo1.1).

Discípulo amado do Senhor, suas maiores necessidades não são propriamente materiais. Elas são de ordem espiritual. Paulo disse assim: "Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito" (Gl 5.25). Este andar em Espírito conspira contra a vida carnal. Andar pela carne, vivendo para somente satisfazer os apetites naturais, não agrada ao Senhor. E como conseqûencia, a vida abundante prometida por Ele não pode ser provada e demonstrada pelo discípulo. Mas, se ele anda sob a direção segura do Espírito Santo, estará consequentemente alimentando-se de Jesus Cristo ou da Palavra de Deus. Este é o ideal para cada discípulo genuíno do Senhor.

De maneira gloriosa, andar em Espírito produzirá o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé mansidão, domínio próprio (Gl 5.22). Este é seguramente, o maior sinal de que eu e você andamos em Espírito e nos alimentamos da Palavra de Deus. Jesus disse que a árvore se conhece pelo fruto (Mt 7.15-20). Então, o fiel seguidor do Senhor, que se alimenta unicamente d'Ele, demonstrará uma abençoada condição de saúde espiritual e será uma benção para muitos outros. Tanto para seus conservos e irmãos, como para aqueles que ainda não conhecem a Jesus. Vida genuína, autêntica em Cristo e saudável espiritualmente seguramente atrairá outros para Ele.

Será que é assim que eu e você temos realmente vivido? Ainda há tempo, caso não seja assim, de ponderar por este caminho glorioso. De saciar a fome espiritual unicamente com o pão descido do céu (Jo 6.58).

Saciemos pois nossa fome espiritual com Jesus, a Palavra viva de Deus e sejamos abençoados e abençoadores. Deus possa te conduzir nesta direção pelo Seu Espírito. Amém e amém!

domingo, 10 de outubro de 2010

Somente o Senhor é digno de toda adoração


Para nós que estamos aos pés de nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, tal afirmativa não nos é estranha de forma alguma. Sabemos que somente Deus, o Deus triúno, é Quem deve ser adorado. Leiamos Dt 6.13: “Temerás o Senhor teu Deus, a ele prestarás culto e jurarás pelo seu nome” (Almeida Séc. 21). Temos este mandamento. Obedecemos ao claro testemunho bíblico de que somente Deus deve ser objeto de nossa integral adoração. Quando estava sendo tentado pelo diabo, Jesus citou a passagem acima, refutando as vis pretensões diabólicas de ser adorado como Deus é adorado. Todavia, vemos em meio a muitos pretensos cristãos, pretensos discípulos de Cristo, uma inversão do mandamento exclusivo: E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4.8 e também Mt 4.10).

“Porque está escrito.” Jesus deixou-nos exemplo ao citar as Escrituras diante da atrevida insinuação satânica e foi vitorioso: Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram anjos, e o serviam” (Mt 4.11). Esta deveria ser a atitude primordial de todo aquele que, confrontado com outro tipo de adoração, outro tipo de culto, conhecendo a Palavra de Deus, poderia citá-la e obedecê-la em sua inteireza para fazer frente às mentiras diabólicas. Em seus primórdios, a Igreja cristã mantinha uma pureza em sua prática de adoração. Seu culto era embasado na Palavra de Deus, de maneira que tudo aquilo que era estranho ao claro ensino escriturístico, era rechaçado. Os apóstolos e depois destes, os pais da Igreja, tiveram zelo suficiente para que fossem mantidas as balizas da ortodoxia.

E tudo isto em meio a severas perseguições e algumas ameaças à sã doutrina como o gnosticismo, por exemplo. Porém, a partir do ano 313 publica-se um Édito de Tolerância para que todas as perseguições contra os cristãos fossem banidas. Desta forma, em 323, quando Constantino torna-se de fato imperador romano, o Cristianismo torna-se inteiramente favorecido. É a partir de então que, de forma mais plena, se introduzem ensinos doutrinários errôneos. E a idolatria pagã assume uma forma, digamos, “cristianizada”. Isto aumentou e perdura até hoje, infelizmente, no seio da Igreja Católica Romana.

Mas Deus sempre teve os seus “sete mil que não dobraram os seus joelhos a Baal”. Assim, permaneceu no decorrer dos séculos uma semente de fiéis, que conservou a sã doutrina, mesmo em meio a oposições e feroz perseguição. Pois o verdadeiro crente em Jesus Cristo sempre há de conservar em sua memória as sãs palavras da Bíblia Sagrada: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás” (Êx 20.3,45a).

A Reforma Protestante no século 16 pôde trazer à baila a exclusividade das Escrituras somente. Este evento reputamos como um agir de Deus de forma contundente sobre todos aqueles que, dizendo-se “cristãos” aceitavam passivamente a convivência em mesmo nível da Palavra eterna de Deus e tradições humanas e nocivas à vida, real comunhão e crescimento de todo discípulo de Cristo Jesus.

Considere isto hoje. Atenha-se ao que está escrito. Tenha a atitude correta de nosso Mestre, ao refutar as investidas do diabo usando unicamente a Palavra de Deus. Seja também como os judeus de Beréia (At 17.11), ou seja, examinavam as Escrituras avidamente procurando conferir se o que o apóstolo Paulo pregava conferia de fato com o ensinamento de Deus.

A falta de conhecimento da Bíblia produz muitos malefícios. A idolatria é somente um deles. Tenhamos um zelo redobrado em permanecer naquilo que está bem claro nas Escrituras do AT e NT.

Discípulo de Jesus, imite seu Mestre em tudo, principalmente em observar e guardar todo o conselho de Deus exarado na Bíblia. Adore somente ao Deus que subsiste plenamente em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo (2 Co 13.14).

Que Ele o enriqueça plenamente com toda sorte de bençãos celestiais. Amém.

domingo, 3 de outubro de 2010

Dúvidas em relação ao nosso dia-a-dia, como proceder


Carecemos, como seguidores de Jesus, de ter uma vida de oração constante. Isto porque dúvidas nos assaltam a cada momento: Pode ser sobre a escolha de uma profissão, sobre o novo emprego, sobre o futuro cônjuge, sobre algum investimento, sobre o lugar para morar, a igreja onde vai congregar, qual curso fazer, enfim são muitas as variáveis. Como decidir com sabedoria então?

Deus promete nos dar esta direção. Em Sua Palavra no livro de Isaías, Ele diz: "Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor" (Is 55.6,8). Também lemos no Sl 32.8: "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com meus olhos."

Quando oramos, o nosso coração fica sensível a direção que será consignada pelo Senhor. Não é pecado ter dúvidas sobre o que devemos fazer. Logicamente, se constituiria pecado se, diante das claras instruções da Palavra de Deus, sobre o pecado, por exemplo, o crente ficasse com dúvidas. Mas, de outra forma, em assuntos variados da vida, é até saudável que ele tenha suas interrogações para que ele busque direção correta de Deus.

Invocando a Deus, como fala Isaías, poderemos saber seus caminhos que são muito mais excelentes que os nossos. Buscando unicamente a Ele quando dúvidas nos assaltarem, ele nos instruirá no caminho que devemos seguir e nos guiará, como diz o salmista.

O inimigo de nossas almas é cruel e covarde. Lança dúvidas em nosso coração, principalmente no tocante à Palavra de Deus. Não devemos em nenhum momento duvidar dos oráculos divinos exarados na Bíblia. Não devemos aceitar as dúvidas sobre o conselho divino, porque o mesmo é imutável (Hb 6.17). Mas, também creio que Satanás usa as indagações naturais que temos por tantas coisas de nossa existência para que passemos a duvidar do cuidado de Deus por nós. Aqui, mais do que nunca, o discípulo fiel do Senhor haverá de estar apegado nas promessas da Bíblia. O Senhor é fiel.

Não temas amado irmão, quando dúvidas variadas te assaltarem. Leve-as a Deus. Apresente ao Senhor o que está aí dentro de seu coração. E descanse em suas promessas. É um lugar comum dizer assim, mas, tome posse plenamente das promessas de Deus!

O melhor lugar do discípulo em que possa estar é o seu lugar de oração. Busque a Deus. Converse com Ele abertamente sobre suas dúvidas. Ele não te deixará sem resposta, porque até mesmo o silêncio divino é resposta concedida de Sua parte.

Faça o bem à sua alma hoje. Ore ao Senhor e derrame suas indagações diante d'Ele. Você verá o quanto o Senhor te ama, porque ele não faz e nunca fará ouvidos moucos as ansiedades da alma que o busca.

"Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza. Por mim reinam os reis e os príncipes decretam justiça. Por mim governam príncipes e nobres; sim, todos os juízes da terra. Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscam, me acharão. Riquezas e honras estão comigo; assim como bens duráveis e a justiça"

Pv 8.14-18

Deus é aquele que te dá a verdadeira sabedoria, livrando-te das dúvidas que te assaltam e perturbam. É Ele quem te dará o direcionamento que você tanto precisa. Cuidado para não confiar em seu próprio coração. Não é um guia confiável, pois enganoso é (Jr 17.9). Cuidado também para não confiar nos homens, fazendo destes o seu amparo e afastando o seu próprio coração do Senhor (Jr 17.5).

Que você possa ponderar hoje e sempre sobre essa verdade. Deus, o Senhor, te abençoe muitíssimo.

O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...