sábado, 26 de junho de 2010

O discípulo, cooperador de Deus


A obra de Deus sempre é feita à maneira de Deus. Porém, sempre é feita à duas mãos, ou seja, Deus e você. Você, querido discípulo de Jesus Cristo é cooperador de Deus, veja: "Porque nós somos cooperadores de Deus" (1Co 3.9a). A cooperação para a realização de algo tão sublime, a expansão do Reino de Deus, não pode ser feita isoladamente. Deus por meio de Seu Filho, levou a cabo a obra de redenção na cruz do Calvário, sem participação humana, mas agora, nos chama e nos envia para cooperar na proclamação do Evangelho, Jo 17.18: "Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo."

O discípulo de Jesus deve estar consciente desta verdade. O apóstolo Pedro escreveu: "Aos quais (referindo-se aos profetas do AT) foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que (os apóstolos), pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar" (1 Pe 1.12). Tanto no AT como no NT, Deus teve cooperadores. Ele maravilhosamente comissionou os seus fiéis servos para trabalharem em prol de Seu Reino. Conosco não poderia ser diferente. Para tanto, Deus nos concedeu dons, tanto para proclamarmos o Evangelho como para servirmos uns aos outros (Rm 12.4-8; 1 Co 12.4-11; 1 Pe 4.10).

O discipulado oferece o privilégio incomparável de sermos cooperadores do Espírito Santo para ajudar na edificação de vidas que desejam crescer na graça e conhecimento de Jesus Cristo (2 Pe 3.18). É é feito sempre à maneira de Deus. Ele disse que devemos cooperar igualmente uns com os outros para termos crescimento (Rm 12.5-8; 1 Co 12.12-31; Ef 4.16). De maneira que, o individualismo e o isolamento egoísticos, conspiram contra um sadio discipulado, são um grave entrave a um discipulado autêntico.

Não se está aqui falando contra a individualidade de cada pessoa, de cada seguidor de Cristo. Possuímos nossas peculiaridades e devemos reconhecê-las (Rm 12.3). Neste texto de Romanos, Paulo diz que não devemos pensar de nós mesmos além do que convém. Ou seja, somos indivíduos únicos com nossa própria singularidade. Mas que deve haver equilíbrio acerca do que achamos de nós, não nos exaltando, não achando que somos indispensáveis, que enfim, que sejamos os tais. Com humildade, sempre deveremos nos dispor e cooperar para o bem do Corpo de Cristo, tendo um genuíno interesse e cuidado com nossos irmãos: "Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros" (1 Co 12.25).

Gostaria que você refletisse sobre isto na semana que irá iniciar-se. Você pode igualmente pensar se tem sido de fato um cooperador de Deus à maneira de Deus. Não intente ser cooperador à sua própria maneira. Existe a maneira certa de efetuar um trabalho, uma obra e, em se tratando do Reino de Deus, muito mais ainda deveremos atentar para o que dizem as Sagradas Escrituras, nosso manual por excelência para sabermos como executaremos a suprema vontade do Senhor.

Então, meu irmão e participante comigo desta mesma graça em Cristo Jesus, seja um ativo e obediente cooperador de Deus para a glória d'Ele. Não menospreze o privilégio de trabalhar de forma correta em parceria com o Rei do Universo.

Possa Ele abençoar-lhe ricamente nesta semana, em Nome de Jesus, amém!

sábado, 19 de junho de 2010

Paulo e o discipulado: Algumas lições (3)


Finalizando estas reflexões sobre a vida de Paulo e o que podemos dele aprender para nossa vida como seguidores de Jesus Cristo, queremos desta feita falar de Paulo atuando no pastoreio e no ensino. Vimos anteriormente que Paulo foi submisso a ser discipulado por Barnabé e aprendemos também como Paulo destacou-se em cumprir o ide de Jesus, ao lançar-se com denodo à obra missionária.

Se há um outro aspecto brilhante da vida de Paulo, isto sem dúvida encontra-se em seu coração de pastor/mestre. Não se contentou somente em ir e ganhar almas para o Reino de Deus. Não somente ganhou como pastoreou. Ele retornou às localidades onde tinha feito discípulos para Cristo para confirmá-los na fé (At 15.36; 16.4,5). Quando encontrava-se em Corinto (At 18.11), e em Éfeso (At 19.1-10), Paulo entregou-se à obra pastoral com plena dedicação. Aquelas igrejas precisavam ser alicerçadas na fé cristã e Paulo a elas dedicou mais tempo. Em Corinto ficou por 1 ano e meio e em Éfeso, dois anos. Aprendemos que, nenhum cristão ou nenhuma igreja deve ficar sem a devida ministração pastoral. Um tempo de qualidade foi dedicado a estas igrejas, muito embora Paulo tivesse um ministério eminentemente apostólico, pois era um plantador de igrejas (Rm 15.18-28).

Porém Paulo igualmente se destacava pelo dom de ensino que fartamente demonstrou. Seu ensino aos novos convertidos, era calcado inteiramente na Palavra de Deus. Ele ministrava aos seus conversos a Torá, o A.T., posto que, obviamente, o Novo Testamento ainda não existia como tal. Romanos 15.4 atesta claramente o que Paulo ensinava: Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.”

Todavia, o ministério de Paulo não seria completo se ele não tivesse a direção do Espírito Santo para escrever suas 13 epístolas (cartas). Alguns autores consideram que seriam 14, se incluírmos aí a epístola aos Hebreus. Porém, como é polêmico afirmar que Paulo foi seu autor, pois a evidência não é segura, ficamos com sua autoria para as treze mencionadas. Isto por si só eleva extraordinariamente a dimensão do ministério paulino. Ele escreveu desde muito cedo em seu ministério. A epístola aos Gálatas é considerada a primeira das epístolas de Paulo, seguida pelas duas aos Tessalonicenses (alguns estudiosos consideram 1 aos Tessalonicenses como sendo a mais antiga). Em seguida vem 1 aos Coríntios, e 2 aos Coríntios algum tempo depois seguida da magistral epístola aos Romanos. Em data bem posterior, quase ao final da carreira do grande apóstolo, temos as epístolas de Filemon, Colossenses, Efésios, Filipenses (essas quatro conhecidas como epístolas da prisão) e as denominadas epístolas pastorais de 1 a Timóteo, Tito e 2 a Timóteo (esta seguramente foi sua última epístola, escrita perto do final de sua vida, conforme 4.6-9).

Paulo em suas epístolas procurou orientar pastoralmente em relação aos problemas surgidos nas igrejas, com muitas instruções de natureza ética, mas também houve uma aplicabilidade excelente no tocante ao desenvolvimento teológico da fé cristã. Praticamente todas as cartas contém ensinamentos teológicos de alto nível, destacando-se neste rol as epístolas aos Romanos e aos Efésios. Paulo foi um erudito mestre da fé cristã e o desenvolvimento da nova fé, oriunda do Judaísmo, pôde se alicerçar e solidificar através dos escritos paulinos e assim, testificar amplamente tanto a judeus como a gentios de que Jesus Cristo era de fato o Messias prometido, conforme claramente falava o AT. A grandeza de seu ministério como mestre, ou doutor, deve ser inspirador a todos nós para que busquemos também conhecer mais profundamente as Escrituras Sagradas como Paulo as conhecia. Ele foi um rabino altamente erudito. Educado ao pés de outro grande rabino, Gamaliel. Também falava vários idiomas. Mas acima de tudo, foi instrumento poderoso do Espírito Santo. Se não estivesse sob sua direção, de nada valeriam estes conhecimentos, ressaltamos. Até porque, ele mesmo declarou assim: Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11,12). Ou seja, a revelação de Deus estava em sua vida, aliada ao preparo que anteriormente já tinha tido, muito embora considerasse …por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (Fp 3.8).

Para nós, discípulos de Jesus, que vivemos nesta época tão conturbada, onde os sinais de Seu breve retorno se avolumam, necessário se faz atentar para a vida de Paulo em todas as dimensões que foram aqui abordadas: 1) Sua chamada e discipulado; 2) Seu envolvimento em missões e seu apostolado; 3) Sua obra como pastor e como mestre da Palavra. Nosso discipulado pode em muito crescer em qualidade, ao olharmos para o belo testemunho da vida do apóstolo dos gentios.

Que o Senhor da Glória possa, em Seu amor, ajudá-lo a um dimensionamento maior na fé. Que seu discipulado seja acrescido da virtude do Espírito Santo. Que Seu poder esteja sobejamente em sua vida. Que seu coração se encha do insondável e grande amor de Deus.

Com um sincero Shalom a todos,

Cicero

domingo, 13 de junho de 2010

Paulo e o discipulado: Algumas lições (2)


Em nossa última postagem, falamos do apóstolo Paulo, de como em sua conversão, deu-nos exemplos preciosos de submissão, em sua chamada e início de vida cristã, sendo discipulado por Barnabé. Faremos bem em observar em nossa própria caminhada como o Senhor este exemplo de Paulo e hoje queremos dar continuidade, falando do envolvimento de Paulo com missões e o exercício de seu apostolado entre os gentios.

Vimos que Paulo e Barnabé estavam na igreja de Antioquia e ali ensinaram muitas pessoas (At 11.26). Os líderes desta igreja resolveram então enviar ambos a Jerusalém, com donativos para ajudar os irmãos ali, conforme a profecia de Ágabo (11.27-30). De retorno a Antioquia, trazem consigo a João Marcos, sobrinho de Barnabé (12.25; Cl 4.10). A igreja de Antioquia resolveu desde o início seguir as diretrizes do Espírito Santo e por isso, submissos à Sua voz, enviam a Paulo e Barnabé aos gentios. Sobre a chamada de Paulo para o ministério entre aqueles, já havia sido vaticinado pelo Senhor a Ananias em Atos 9.15, principalmente no que disse Paulo em Atos 13.46,47. Aprendemos aqui a lição da sujeição ao chamado de Deus para a obra missionária. Todos nós, discipulos de Cristo, igualmente deveríamos atentar para as ordens expressas de Jesus na Grande Comissão (Mt 28.20; Mc 16.15,16; At 1.8) e seguir o exemplo paulino. Docilmente sujeitou-se não só ao Espírito Santo, mas também à igreja que o enviara. Estava trabalhando ali, naquela notável igreja que possuía muitos profetas e doutores (mestres) Atos 13.1, como ele própria o era, mas foi sujeito à sua liderança e, após o retorno da primeira viagem que empreendera, prestou contas de tudo que fizera, Atos 14.27.

O apostolado de Paulo entre os não-judeus foi muito frutífero. Conforme Atos 13.5, ao chegarem, ele e Barnabé a Salamina, procuraram primeiramente pregar entre os judeus na sinagoga. O texto não fala sobre se algum judeu se convertera pela pregação de Paulo, mas fala de Sérgio Paulo, que era um procônsul, ou seja um oficial romano, que creu naquilo que era pregado, além de ver a manifestação do poder de Deus através de Paulo ao punir ao mago Barjesus. Em Antioquia da Pisídia, também pregaram primeiro aos judeus, (13.13-42). No verso 43, havia junto com os judeus, prosélitos, isto é, gentios piedosos que haviam se convertido ao Judaísmo. Mas nos versos seguintes, 44 a 50, dá-se a confirmação definitiva de que Paulo deveria pregar aos gentios, embora ainda visitasse nas outras localidades em primeiro lugar as sinagogas para pregar aos seus compatriotas (14.1; 17.1,10; 18.4,19; 19.8).

Aprendemos acerca da estratégia paulina, onde demonstra muito amor por seus irmãos judeus e igualmente aos não-judeus. Primeiro visitava as sinagogas, caso fosse rejeitado, voltava-se para os gentios da localidade, e nisto Deus confirmou amplamente, posto que muitos destes se converteram através da pregação de Paulo. Vemos como Deus direcionou Paulo nesta obra, porque, intentando fazer sua segunda viagem (15.36) disse: "E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão." Paulo tencionava visitar seus convertidos a fim de confirmá-los na fé (16.5). Aqui se nota algo que faz parte integral de todo discipulado: o acompanhamento de vidas. Depois de ganhá-los para Cristo, agora era hora de confirmá-los e isto ele procurou fazer.

É desta forma que temos o belíssimo e glorioso exemplo de Paulo, envolvido integralmente na obra de Deus, evangelizando e discipulando aos seus vários convertidos. Frisamos também que ele não descuidou da formação da liderança, exemplos vemos em Timóteo e Tito, aos quais dedicou cartas, inspiradas pelo Espírito Santo com vários ensinamentos sobre como deveriam exercer sua liderança e viver a vida cristã. Digno de nota também é o fato de que Paulo foi o escritor de pelo menos 13 cartas ou epístolas. Mas sobre isto, que refere-se ao pastoreio e ensino que Paulo efetivou, trataremos na próxima semana.

Deixamos a todos a benção aarônica: "O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz" (Nm 6.24-26).

Em o Nome de Jesus, amém!