sábado, 24 de abril de 2010

Fracassos previsíveis na vida de um discípulo (5)


1 Timóteo 5.8: Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos de sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”

Nesta série sobre o que pode contribuir para o fracasso na vida do discípulo de Cristo, devemos trazer à lume a questão familiar, porque o descuido da própria família é um fator que impactará a vida de qualquer que tenha feito profissão de fé em Cristo Jesus.

Muito bem faz o discípulo de Cristo, se atentar para o que diz a Palavra de Deus no tocante aos relacionamentos de família, envolvendo a relação marido e mulher, pais e filhos e entre irmãos. Jesus mesmo foi um filho exemplar (Lc 2.51,52). Seus pais, José e Maria, exemplificam também a harmonia que havia sobre uma família judia, isto porque, cumpriam as determinações da lei do Senhor (Lc 2.21-24; 27,39,41,42).

Descuidar da própria família é ser indiferente aos laços de parentesco mais próximos. É o marido que não assume plenamente suas responsabilidades de chefe da casa, a esposa que descuida de suas obrigações no lar, o filho que não permanecesse em submissão à autoridade de seu pai ou de sua mãe, os irmãos que vivem em contenda constante. Torna-se um estorvo muito grande a desarmonia na vida em família, em suas variadas relações, porque a mesma foi estabelecida por Deus, na vida dos seres que criara à Sua própria imagem e semelhança, antes de qualquer outra instituição surgir sobre a Terra (Gn 2.24; Mt 19.4-6).

Os cristãos, mais do que ninguém, devem ter muito cuidado para que seu testemunho seja adornado por uma vida familiar exemplar. Nas recomendações de Paulo a Timóteo para a escolha de pastores para cuidarem da Igreja, está assim escrito: Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher,…..” (1 Tm 3.2a). A sanidade do ministério cristão está atrelada ao casamento monogâmico portanto. Aos filhos, Paulo recomenda em Ef 6.1-3: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.” E aos pais diz o apóstolo: E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (6.4).

No contexto de 1 Tm 5.8 em que baseamos a presente admoestação, está implícito o cuidado que a Igreja deve ter com as viúvas. Todavia, Paulo ensina que, se esta viúva tiver filhos ou netos, estes deveriam assumir o sagrado e honroso encargo de sustentá-las, ele diz que isto é bom e agradável diante de Deus” (v. 4). Ampliamos o pensamento de cuidar da própria família a partir desta passagem baseados de que todos são nossos semelhantes e somos todos irmãos como Jesus mesmo disse em Mt 23.8. A partir daqui, bem podemos incluir, de forma ampliada o cuidar da própria família extensivo aos nossos irmãos em Cristo, e não somente aos parentes biológicos, mas a todos que fazem parte da família de Deus, conforme Ef 2.19.

Cuidado nas relações com os familiares, em seus múltiplos aspectos, físico, emocional, espiritual é fator de estabilidade na vida do discípulo de Jesus Cristo. O NT fala da mutualidade entre os membros do Corpo de Cristo (Rm 12.4-10; 1 Co 12.12-27). Não cuidar dos seus, quer sejam parentes biológicos ou não, é uma proposta de derrota para qualquer cristão.

Que não sejamos como Caim, que ao ser interpelado pelo Senhor Deus disse que não era guardador ou responsável por seu irmão Abel (Gn 4.9).

Deus abençoe você em seus relacionamentos familiares.

Na próxima semana: FINANÇAS MAL ADMINISTRADAS.

sábado, 17 de abril de 2010

Fracassos previsíveis na vida de um discípulo (4)


João 15.1-6: "Eu sou a videira verdadeira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará. e os colhem e lançam no fogo, e ardem."

Há um outro fator muito importante a ser considerado por todo discípulo de Jesus, o cuidado que deve ter para que não tenha uma vida infrutífera. Todo seguidor de Cristo deve necessariamente dar frutos. O Senhor disse que Ele era a videira verdadeira, o Pai era o lavrador e nós somos as varas da videira, varas que devem produzir frutos. Seremos tirados, arrancados do tronco principal da videira, que é o Senhor Jesus, se de fato formos infrutíferos. É algo que Deus não admite, uma vida sem frutos. Ele limpa a vara para que dê mais fruto, mas lança fora aquelas que realmente não produzirem.

Ensina-nos nosso Senhor, que uma vida cristã deve ser uma vida de frutificação. Pelo Espírito de Deus, o crente produz fruto (Gl 5.22: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio). O crente que assim não zela pelo princípio bíblico da frutificação, está fadado ao fracasso, à derrota, à inércia espiritual. Palavras severas são pronunciadas por Jesus, advertindo-nos que se não estivermos n'Ele para produzirmos fruto, de fato, seremos lançados fora. Jesus deixou bem definida a questão de que seus discípulos produziriam frutos conforme a parábola do semeador em Mt 13.23: "Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta."

Tanto individual quanto coletivamente, a cristandade pode ser infrutífera e ser lançada fora como disse o Senhor. No tocante ao aspecto coletivo, notamos o que sucedeu na história da Igreja. Pouco tempo depois de sua ascenção ao trono, o imperador Constantino, em 313, publicou o famoso Edito de Tolerância fazendo com que os cristãos deixassem de ser perseguidos. Antes disso, em que pese as perseguições pelas quais passou, a Igreja produziu muito fruto. Muitos em todas as classes sociais do Império Romano renderam-se ao pés de Jesus. A evangelização era uma constante, como um verdadeiro estilo de vida. Como característica marcante, os cristãos demonstravam cotidianamente o fruto do Espírito conforme Gl 5.22. Entretanto, no momento em que a Igreja uniu-se ao Estado, o mundanismo, o pecado e a perda do primeiro amor (Ap 2.4) logo fizeram-se notar. Perdeu-se a simplicidade e o orgulho e o poder tornaram-se a ordem do dia.

Indelevelmente, a Igreja daquele período assumiu esta forma, que era e é estranha aos princípios eternos da Palavra de Deus. Certamente, Deus preservou aqueles "sete mil que não dobraram seus joelhos a Baal", ou seja, sempre houve um remanescente fiel e que continuou a produzir frutos de justiça. Não precisamos falar mais sobre o outro grupo, basta olharmos hoje para o triste estado da igreja romana.

O Senhor Jesus disse em Jo 15.16: "Não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda." Se o amado irmão ainda possui dúvidas de que deve efetivamente produzir frutos como um genuíno cidadão do Reino de Deus, preste atenção nestas palavras de nosso Mestre. Foi Ele mesmo Quem nos escolheu, nomeou e enviou para que então produzamos fruto e o nosso fruto permaneça. Falta de fruto na vida cristã é sinônimo de fracasso. Permaneça pois em Cristo e seja abundantemente frutífero, esta é a vontade de Deus para mim e para você. Em Nome de Jesus, amém.

Leia ainda mais em sua Bíblia sobre o produzir fruto: Sl 1.3; 92.12-14; Mt 3.8; 12.33; Lc 3.8; 8.15; Jo 4.36; Rm 6.21,22; 7.4,5; Ef 5.9; Fp 4.17; Hb 12.11; 13.15.

Na próxima semana: O DESCUIDO DA PRÓPRIA FAMÍLIA.


sábado, 10 de abril de 2010

Fracassos previsíveis na vida de um discípulo (3)


Falaremos nesta semana sobre algo que todo cristão deveria considerar como de importância fundamental para sua vida como fiel seguidor de Jesus, para que o fracasso não bata na porta de seu coração: deixando a nossa congregação.

Em nossas muitas aflições pelas quais passamos, há um senso de irmandade presente. O apóstolo Pedro disto fala em sua primeira epístola 5.8,9. Estamos unidos a todos os outros irmãos em Cristo pela aliança do Calvário. Paulo disse que cristãos e judeus agora são parte da mesma família, a família de Deus (Ef 3.19). Por causa disso, devemos nos esforçar para congregarmos com outros irmãos que igualmente crêem em Jesus.

Por isso, corteja a derrota em sua vida como seguidor de Cristo Jesus, aquele que menospreza esta ordenança como está registrada em Hebreus 10.25: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia." Veja o conteúdo magistral desta passagem. O escritor aos Hebreus vê como algo negativo o fato de que alguns estavam deixando de congregar-se, de reunir-se com outros irmãos para adorarem ao Senhor. A comunidade dos primeiros crentes em Jesus, à semelhança dos judeus que reuniam-se na sinagoga todos os sábados, também reuniam-se nas casas uns dos outros para admoestarem-se mutuamente.

Isto ensina que temos obrigações uns para com os outros. Que temos que zelar pela vida dos irmãos. Que precisamos nos esforçar para ministrarmos aos outros irmãos como nos exorta Pedro: "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" veja que se você ou qualquer um de nós pensa que pode fazer diferente desta orientação, estaremos vivendo em derrota. O mesmo pensamento se vê em Paulo em 1 Coríntios 12 versos 25 a 27: "Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular."

Precisamos ter bastante cuidado, porque precisamos muito considerarmo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras (Hb 10.24). Se o discípulo de Jesus assim não o fizer, é certo que fraquejará e poderá desviar-se do bom Caminho, porque não pode dizer que é cristão de fato se não procurar congregar com seus irmãos, vide, 1 Ts 4.9.

Portanto irmãos, procuremos congregarmo-nos sempre em o Nome de Jesus, Ele mesmo disse: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18.20).

Na semana vindoura falaremos sobre VIDA INFRUTÍFERA.

"Shalom aleikhem" (Paz seja sobre vocês!)

sábado, 3 de abril de 2010

Fracassos previsíveis na vida de um discípulo (2)


Continuando nossa análise de possíveis fracassos na vida do discípulo de Jesus Cristo, queremos nesta oportunidade falar sobre a falta de leitura bíblica.

Todo cristão deveria idealmente ter a Palavra de Deus em alta conta pois que ela demonstra cabalmente a vontade do Senhor para nossas vidas. O Senhor Jesus mesmo tinha a Bíblia de seu tempo, a Torah, o Antigo Testamento, como Sua única regra de fé e prática (Mt 5.17,18). No geral, o judeu examinava as Escrituras, porque como disse o próprio Jesus em Jo 5.39, eles julgavam ter nelas a vida eterna.

Se Jesus era um assíduo leitor da Bíblia, e por conseguinte seus compatriotas judeus, que dizer então da cristandade hodierna que, em muitos lugares tem substituído o exame das Escrituras por coisas de somenos importância? O crescimento do crente na fé em Deus, o conhecimento da vontade divina para sua vida, dá-se exatamente pela leitura e estudo constante das Escrituras do AT e NT. O apóstolo Paulo, outro exemplo notável de um fervoroso leitor da Bíblia (além do que, pela inspiração do Espírito Santo, veio a tornar-se o maior dos escritores do NT, com 13 epístolas de sua autoria, 14 se for possível considerarmos também aos Hebreus), ensina ao seu discípulo Timóteo e, por conseguinte, a todos nós em 1 Tm 4.13: "Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá."

Bíblia é para ser lida todos os dias. Bíblia é para ser crida e memorizada. Bíblia é para ser meditada. Bíblia é para conhecer-se a vontade de Deus e ter a vida transformada.

Muitos fazem uma leitura superficial e apressada do texto bíblico. O discípulo de Cristo não pode entrar no espírito apressado deste século, onde tudo é instantâneo, tudo tem que ser num estalar de dedos. Não é assim com as coisas de Deus e muito menos na leitura bíblica.

Fracassa o crente em sua espiritualidade, em sua vida de serviço ao Senhor, se ele não mantém a prática, o compromisso, de ler a Bíblia todos os dias. Esta leitura, de caráter devocional, deve também ser equilibrada com uma leitura mais aprofundada, procurando o sentido das palavras em seu contexto, tendo como auxílios uma concordância ou chave bíblica, um dicionário, outras versões bíblicas além da que costuma utilizar.

O Espírito Santo utiliza as Escrituras para nos lapidar, para nos corrigir, para nos orientar e para nos consolar também. Mostra-nos a Sua vontade para nossas vidas e de que como podemos agradar ao nosso Pai celestial (2 Tm 3.16). Mostra em que estamos errando, que devemos abandonar nossas práticas pecaminosas, que devemos nos aproximar de Deus em oração pelos méritos de Jesus conquistados na cruz do Calvário.

Desta forma, se assim procedermos, escaparemos de um desastre espiritual. Satanás não deseja que leiamos a Bíblia, porque nela está afirmada sua derrota pela obra realizada de Jesus na cruz, e nela está também registrada seu destino final, o lago de fogo. O diabo odeia as Escrituras e tentou, obviamente distorcendo o sentido das palavras de Deus, fazer com que nosso Senhor Jesus Cristo a distorcesse na tentação no deserto (Mt 4.1-11 e Lc 4.1-13). Mas Jesus, manejando corretamente a espada do Espírito (2 Tm 2.15; Ef 6.17) logrou alcançar vitória na tentação.

Este é o ensinamento para nós hoje. Deve o discípulo de Jesus ler a Bíblia diuturnamente. É a maneira eficaz de permanecer, junto com a prática da oração abordada na semana anterior, firme no apertado caminho que o conduzirá à vida eterna (Mt 7.13, 14).

Que o Senhor abençoe você e que muitos frutos em sua vida surjam pelo seu zelo em permanecer na prática da leitura bíblica diária. Esta é a vontade de Deus, que possamos dizer como o salmista: "Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia" (Sl 119.97).

Na próxima semana discorreremos sobre DEIXANDO A NOSSA CONGREGAÇÃO.

Fique na Paz do Senhor.