sábado, 26 de dezembro de 2009

O embaraço e o pecado na vida do discípulo


Hebreus 12.1: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.”

Vamos discorrer sobre duas coisas que ocorrem em nossas vidas de seguidores de Jesus e que merecem uma atenção concentrada: embaraço e pecado.

O que seria o embaraço para o discípulo de Jesus? A versão que utilizamos a ACF - Almeida Corrigida e Fiel faz uso deste termo que na Almeida Revista e Atualizada (ARA) é peso, na Nova Versão Internacional (NVI) e na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) é usada a expressão tudo o que nos atrapalha, e na Almeida Séc. 21 usa-se tudo o que nos impede de prosseguir.

Estes exemplos podem nos ajudar a compreender o que o autor da epístola aos Hebreus quis nos dizer sobre as palavras em destaque. Sabemos que o pecado é o que nos separa de Deus. Quem anda em pecado não pode agradar ao Senhor que o salvou. O pecado está bem definido, cremos, em toda a Bíblia Sagrada. Sabemos que pecado é errar o alvo que Deus traçou para a nossa vida, é transgressão da lei de Deus, é iniquidade, é praticar coisas que são abomináveis aos olhos divinos. Mas, e quanto ao embaraço, ou peso? Na NVI, antecipando a expressão tudo o que nos atrapalha encontra-se o termo livremo-nos e na NTLH antecipando encontra-se a construção deixemos de lado. Na Almeida Séc. 21, antecipando tudo o que nos impede de prosseguir encontramos a palavra eliminar.

Isto posto, entendamos o seguinte: Embaraço ou peso na vida do discípulo é tudo o que o atrapalha ou o impede de prosseguir e deve ser deixado ou eliminado, assim como o pecado.

O embaraço ou peso, não é necessariamente um pecado que estejamos cometendo. Não significa que estejamos a transgredir a lei de Deus, ou a cometer algo abominável aos Seus olhos. Mas sim, algo que pode enredá-lo e deixar a sua carreira espiritual atrasada. Pode paralisá-lo em sua corrida rumo ao alvo Fp 3.13,14. Nesta passagem Paulo diz: …esquecendo-me das coisas que atrás ficam.” Estas “coisas” são exatamente os pesos, os embaraços e o pecado. O crente se envolve com aspectos desta vida que são um estorvo para sua caminhada com Cristo. Pode ser um envolvimento em demasia com sua família, ou profissão, ou estudos, ou seu hobby favorito. Até mesmo pode ser seu envolvimento ministerial, suas funções na Igreja, por paradoxal que seja isto, pode muito bem também constituir-se em embaraços para sua carreira cristã.

Devemos lembrar que, se somos discípulos ou seguidores de Jesus Cristo, devemos cuidar com nossa vida para que tudo o que façamos seja para a glória de Deus (1 Co 10.31). A advertência amorosa de Deus em Hebreus é para que sejamos prudentes, vigilantes e, sem desanimar, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta. É uma carreira árdua, mas é uma carreira gloriosa a do servo de Deus. O que Deus deseja é que estejamos como o soldado bem aprontado e sempre disposto a agradá-lo (2Tm 2.4).

Querido discípulo, faça estas considerações agora, quando estamos prestes a encerrar mais um ano. O Senhor te ajude para que você deixe todos os embaraços e o pecado em sua vida e inicie 2010 na perspectiva de uma carreira bem corrida segundo a vontade de Deus.

Que Deus abençoe você.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cuidando dos neo-discípulos antes do batismo


Existem hoje igrejas e ministérios que se notabilizam por descer às águas neo-discípulos de Jesus Cristo, sem antes submetê-los a uma profissão de fé para constatação de suas convicções.

Por causa disto, tem acontecido problemas com alguns destes que ainda não estavam bem certos de que era realmente isso que desejavam. Foram apenas convencidos e não verdadeiramente convertidos.

Quando lemos o livro de Atos, constatamos que tão logo alguém se convertia a Cristo era logo batizado. Isto se dava pelo fato de que a maioria dos conversos eram oriundos do Judaísmo e possuía um certo fundamento para compreender as demandas do Evangelho. A história da Igreja Cristã demonstra que, à medida que mais e mais gentios eram alcançados pela fé cristã, vai se tornando necessário um período de preparo e prova antes da ministração do batismo. Este período é denominado de “catecumenato”. Na língua grega, katechowmenos é um adjetivo com a função verbal de katechein (literalmente, instruir de viva voz e, no uso cristão, ensinar oralmente a fé). O termo passou para o latim como cathechumenus. Em sentido literal, “catecúmeno” é, portanto, aquele que ouve o ensinamento da fé. Em sentido técnico, o termo designa aquele que é candidato ao batismo e, por conseguinte, catecumenato é o período de instrução e de preparação para o seu recebimento.

No princípio do terceiro século, este período durava uns três anos. O catecúmeno recebia instrução acerca da doutrina cristã, e tratava de demonstrar firmeza de fé em sua vida diária. Por fim, pouco tempo antes de seu batismo, era examinado – às vezes em companhia de seus instrutores, ou padrinhos – e era admitido na categoria dos que estavam prontos para serem batizados.

Acredito firmemente que há um desleixo quase que generalizado com este aspecto tão importante da vida da Igreja que é a admissão de novos membros pela via do batismo. Havia nos dois primeiros séculos da vida da Igreja este zelo como vimos. Acredito que se fosse realmente cumprido este período probatório, (a duração deste período seria algo a ser considerado), faria com que fossem gerados discípulos de Jesus Cristo muito mais comprometidos, convictos de sua fé e que dessem muitos frutos para o Reino de Deus. No entanto, aqui e ali, prevalece a prática de se batizar logo os novos convertidos para que sejam de imediato acrescidos ao rol de membros da igreja. Isto é um erro porque está sendo priorizada a quantidade, o enchimento, o inchaço da igreja em detrimento da qualidade da fé daqueles que a abraçaram.

O acompanhamento da vida do novo convertido é fator importantíssimo. Igrejas há que apenas orientam ao novo crente para que começe a vir aos cultos de domingo, aos cultos de jovens, reuniões de oração, Escola Dominical, etc. Sua instrução, seu crescimento, seu acompanhamento até que chegue o dia do batismo, inexiste quase que completamente. É certo, que pela misericórdia de Deus, muitos hoje (inclusive eu), estão firmes e dando frutos para a glória do Senhor, mas há um contingente grande nas várias igrejas e denominações que são cristãos mal orientados, mal formados, sem convicção, com vícios e muitos até não possuem certeza de sua salvação.

Se você que lê estas linhas é pastor, peço humildemente que considere o que está aqui escrito. Amamos a Igreja do Senhor e amamos aos irmãos e nosso desejo, como é também o desejo de Cristo, é de que haja um adequado procedimento quanto aos novos convertidos antes de que desçam às águas batismais. Para o bem deles e para o bem da Igreja.

Nunca esqueçamos que o batismo simboliza os atos redentores de Jesus Cristo: Imersão=morte; Submersão=sepultamento; Emersão=ressurreição. Até chegar a este dia tão rico e pleno de significado espiritual, o neo-discípulo precisa ser bem encaminhado para que de fato, ao descer às águas, tenha um testemunho autêntico e irrepreensível e uma convicção bem arraigada. Este testemunho e esta convicção só poderão ser bem aquilatados exatamente durante o período probatório.

Que Deus abençoe você ricamente em sua trajetória cristã.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A autoridade do discípulo em nome de Jesus


O crente em Jesus Cristo possui autoridade! Para alguns discípulos, isto soa de forma natural e saudável, para outros, é um fato desconhecido, e para outros tantos é considerado de forma extremista e presunçosa. É importante frisar, antes de tudo, que esta autoridade de fato foi conquistada para o crente quando da morte do Filho de Deus na cruz. Paulo diz em Colossenses 2.15 que Jesus despojou os principados e potestades e publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. E o escritor aos Hebreus no cap. 2 verso 14 afirma que pela morte de Cristo, o diabo, detentor do império da morte, foi aniquilado.

Todavia, é preciso condiderar adequadamente as instruções da Palavra de Deus sobre a atuação de Satanás e de seus demônios após a vitória de Jesus na cruz. Em primeiro lugar, o termo aniquilasse como está vertido na passagem de Hebreus em apreço, não está significando destruição total do diabo. O termo grego katargeo é formado por duas palavras: kata “abaixo de”, “por toda parte”, “de acordo com”, “com respeito a”, “ao longo”; e argeo “estar ocioso”, “inativo”, “demorar-se”, “atrasar”. Claramente então é percebido que a expressão não dá ideia de destruição total, mas de inoperância. Satanás foi aniquilado em seu poder, mas é óbvio, pela Palavra de Deus, de que ainda está atuante no mundo e, portanto, devemos estar precavidos contra sua ação maléfica.

Isto considerado, o que a Bíblia demonstra de maneira cabal é que estamos envolvidos em uma guerra de caráter espiritual, mesmo que queiramos ignorar isto. Todo discípulo de Jesus deve seriamente pensar sobre este fato, até porque se ele não faz esta consideração, já estará em grande desvantagem. Passagens como 2 Coríntios 2.10,11; 10.3-5, Efésios 6.11-13 nos advertem que há uma luta contínua do diabo e dos demônios contra os servos de Deus. E isto demonstra que podemos e devemos exercer nossa autoridade como crentes em Cristo.

Uma nota de equilíbrio é necessária nesta questão. Há muitos crentes, pastores ou não, presunçosos, que exercem esta autoridade sem considerar o que diz a Palavra de Deus. Naturalmente, demônios não devem ser entrevistados, demônios devem ser expulsos. Muitos querem demonstrar sua “autoridade” sobre as entidades do mal, entrevistando, questionando e nada disso está autorizado pela Palavra de Deus. Outros, fazem as chamadas orações de “determinação” para as curas de enfermidades ou resolução de problemas ou para que a benção de Deus venha sobre a pessoa: “Eu determino” que assim e assim aconteça, que esta doença seja curada agora, etc. Nestes casos, não se considera a vontade de Deus para a vida daquela pessoa. A soberania de Deus é deixada de lado em nome da autoridade pretensa de quem está orando, “o grande homem de Deus”, “o pastor ungido” e por aí vai.

Vamos ao que dizem as Escrituras: Jesus chamou aos seus discípulos em Mateus 10 e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos para os expulsarem e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. É fato portanto, que, extensivo a todos os servos de Deus não apenas aos doze apóstolos, somos ordenados e comissionados pelo Senhor Jesus para exercermos esta autoridade. Em Lucas 10.19 está escrito: Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” Em Marcos 16.17,18, o Jesus ressurreto praticamente repete quase as mesmas palavras: E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.”

Vê-se claramente que o poder e autoridade exercidos pelo cristão é um poder e uma autoridade delegados pelo Senhor. Se fosse minha autoridade, meu poder, sairia por aí e curaria a todos, a começar pela minha família, amigos, enfim. O que desejo deixar bem esclarecido é que o poder e a autoridade derivam de Deus. Ou seja, Ele tem o controle sobre isso. Não tenho autoridade por mim mesmo. É interessante notar o que Jesus respondeu a Pôncio Pilatos como está registrado no evangelho de João 19.10,11, Jesus estava em silêncio diante de Pilatos e este falou que tinha poder tanto para O crucificar como para O soltar. Ao que Jesus então respondeu: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado.” Assim, fica terminantemente estabelecido que não só o poder é derivado de Deus como devemos exercê-lo sob sua soberana vontade.

Eu e você, discípulos do Senhor Jesus Cristo, temos autoridade espiritual. Mas que essa autoridade seja exercida como Deus quer e não presunçosamente. E que sejamos como o apóstolo Paulo em Atos 19.11-16 onde é descrito o que o Senhor fazia através da vida deste grande servo de Deus e como aqueles judeus presunçosos tentaram expulsar o demônio de um homem, invocando o nome de Jesus para isso. Porém, Lucas, o autor de Atos, deixa bem registrada as palavras do demônio: “Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo, mas vós, quem sois?” Aqueles sete judeus tiveram que bater em retirada, envergonhados, nus e feridos pelo endemoninhado. Aprendemos por este episódio que nossa vida deve estar em conformidade com as ordenanças do Senhor, deve ser uma vida de inteira consagração a Deus, porque haverá o reconhecimento até do mundo espiritual de nossa autoridade sobre os espíritos malignos. A vida santa em submissão às Escrituras, autentica a autoridade de qualquer crente em Cristo.

Sejamos obedientes então à Palavra de Deus. Ela é a nossa única regra de fé e prática também na questão de nossa autoridade espiritual. Cuidado com aqueles que exercem uma pretensa autoridade, será que suas vidas estão em conformidade com a vontade do Senhor de toda a terra?

Que Deus abençoe você com toda sorte de bençãos, conforme Sua boa, agradável e perfeita vontade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Embora discípulos, podemos ainda pecar


Sim, e é bom que de uma vez para sempre vivamos com esta consciência para que possamos escapar incólumes das tentações que de um jeito ou de outro vamos sendo alvo.

A intenção primordial do Inimigo é de que caiamos. Não uma, mas vezes seguidas. E ele se empenhará nisto e tudo fará em prol disto. E não poupa munição em se tratando de manter um seguidor de Cristo caído, prostrado, inoperante, acabrunhado, totalmente anulado em sua fé e em sua vida pró-Evangelho.

Pecamos porque, embora redimidos, nosso coração é por natureza mau. Foi o próprio Jesus quem declarou esta verdade (Mt 15 e Mc 7). E, com toda franqueza, não podemos admitir que não sejamos assim porque desde criança, o ser humano inclina-se para a maldade (Pv 22.15). As palavras do apóstolo Paulo em Romanos 7 reforçam o argumento: "Porque eu sei que em mim, isto é na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo" (vs. 18-21).

Em nossa cotidiana caminhada com o Senhor Jesus, necessário é que o busquemos, que estejamos sempre em obediência à Sua Palavra. Ele disse: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26.41). Seguindo a Jesus bem de perto, podemos com a ajuda do Espírito Santo, prosseguir numa vida de vitória contra a carne (Rm 8). O discipulado genuíno não nega as fraquezas, não faz vista grossa aos seus erros, não vive tentando negar o óbvio.

Na verdade, o discipulado caracteriza-se como sendo genuíno, quando o discípulo conscientiza-se a cada momento de que seu dever é aprender a ser como Jesus é. Se não for assim, se não acontece desta forma, não há discipulado cristão genuíno, porque sua realização plena se dá quando me proponho a aprender a ser como Jesus, sob a direção do Espírito Santo.

Irmãos, todos nós temos dificuldades em nossa vida cristã. Creio que é possível vitória em todas as lutas porque o Senhor não permite que sejamos tentados além do que podemos suportar (1Co 10.13). O propósito de Deus em permitir tentações, do mundo, da carne e do diabo, é para que as vençamos e cresçamos assim em santidade. Tiago nos diz assim: "Meus irmãos, considerai motivo de grande alegria o fato de passardes por várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz perseverança; e a perseverança deve ter ação perfeita, para que sejais aperfeiçoados e completos, sem lhes faltar coisa alguma" (Tg 1.2-4, Almeida Séc. 21).

Cuidemos portanto com nossa vida de santificação, sabedores que temos uma natureza pecaminosa, fraca e que podemos sim, mesmo seguidores do Senhor, ser atraídos e seduzidos pelo nosso próprio desejo, ou, nossa própria cobiça ou concupiscência (Tg 1.13-16). Os meios da graça ainda são a oração e a leitura e meditação nas Escrituras.

Que o Senhor te abençoe hoje e sempre, amém.

O Discípulo e as Bênçãos da Salvação

Das muitas, inumeráveis e abundantes reflexões que a Palavra de Deus proporciona a todos nós, discípulos de Cristo, está o que concerne...